Em um mercado que recompensa a confiança e pune a incerteza, o Banco do Brasil viu suas ações recuarem 6,3% após o JPMorgan rebaixar sua recomendação, sinalizando que a recuperação da instituição pode levar anos. A carteira de agronegócio, com inadimplência crescente, e a queda do retorno sobre patrimônio de 20% para 8% revelam uma fragilidade que o mercado já havia começado a precificar. O episódio lembra que valorização de um dia não apaga dúvidas estruturais — e que os investidores, quando confrontados com horizontes longos de recuperação, tendem a buscar terreno mais firme.
Banco do Brasil cai 6% com realização de lucros e rebaixamento do JPMorgan
Recuperação pode levar alguns anos, diz JPMorgan sobre Banco do Brasil
Por que o JPMorgan rebaixa o Banco do Brasil se elevou o preço-alvo? Parece contraditório.
Não é contraditório se você entender que o preço-alvo reflete o valor justo da ação em um cenário específico, enquanto a recomendação reflete se aquela ação é atrativa agora. O JPMorgan elevou o preço-alvo porque o ambiente de mercado melhorou — juros menores aumentam o valor de todas as empresas. Mas para o Banco do Brasil, essa melhora não compensa os problemas específicos da instituição.
Mas qual é exatamente o tamanho do problema? O JPMorgan diz que a recuperação pode levar "alguns anos", mas não quantifica isso. E quando fala em dificuldades no agronegócio, está falando de qual percentual da carteira?
O agronegócio é claramente a preocupação central. Os dados de julho e agosto pioraram a perspectiva de inadimplência do setor, e há fatores externos como El Niño e valorização do real. Mas você está certo — o relatório não detalha o tamanho exato da exposição.
E a queda de juros? Isso não deveria ser bom para o Banco do Brasil?
Deveria ser bom para reduzir inadimplência, especialmente no agronegócio. Mas tem o lado ruim: juros menores comprimem a margem financeira, e o Banco do Brasil historicamente lucra muito com juros altos por causa de sua base de depósitos barata.
Então é um trade-off. Menos calotes, mas menos lucro por operação. A pergunta é: qual efeito é maior? O relatório não responde isso claramente.
Não responde com números, é verdade. Mas o fato de o JPMorgan estar preferindo o Bradesco e o Itaú sugere que acredita que o Banco do Brasil sai perdendo nesse cenário.
E por que o Itaú sai ganhando?
O JPMorgan destaca a rentabilidade elevada do Itaú, sua folga de capital e capacidade de crescimento. É uma instituição mais diversificada e menos dependente de juros altos.
Mas o Itaú também tem exposição ao agronegócio, certo? Por que o risco é menor lá?
Boa pergunta. O relatório não detalha isso. Pode ser questão de tamanho relativo da carteira, ou qualidade do crédito, ou diversificação geográfica. Mas o JPMorgan não explica.
El Pulso
- As ações do Banco do Brasil despencaram 6,3% na terça-feira, apagando quase todo o ganho extraordinário de 11% registrado na véspera.
- O JPMorgan rebaixou a recomendação do banco, alertando que a normalização dos resultados pode levar anos e que a inadimplência no agronegócio — agravada pela valorização do real e pelo risco de El Niño — ainda não tocou o fundo.
- A rentabilidade da instituição deteriorou-se de forma dramática: o retorno sobre patrimônio caiu de cerca de 20% para perto de 8%, justificando o desconto com que a ação é negociada em relação ao valor patrimonial.
- A queda esperada da Selic apresenta um dilema cruel — pode aliviar a inadimplência, mas também comprime a margem financeira, eliminando a vantagem histórica do banco com sua base de depósitos de baixo custo.
- Enquanto o Banco do Brasil enfrenta ventos contrários, o JPMorgan migra suas preferências para Itaú, Bradesco, Nubank e Inter, reposicionando apostas em instituições com capital mais folgado e trajetória de crescimento mais clara.
Em um mercado que recompensa a confiança e pune a incerteza, o Banco do Brasil viu suas ações recuarem 6,3% após o JPMorgan rebaixar sua recomendação, sinalizando que a recuperação da instituição pode levar anos. A carteira de agronegócio, com inadimplência crescente, e a queda do retorno sobre patrimônio de 20% para 8% revelam uma fragilidade que o mercado já havia começado a precificar. O episódio lembra que valorização de um dia não apaga dúvidas estruturais — e que os investidores, quando confrontados com horizontes longos de recuperação, tendem a buscar terreno mais firme.
As ações do Banco do Brasil fecharam a terça-feira em queda de 6,3%, cotadas a R$ 24,67, revertendo quase integralmente o salto de 11% do dia anterior. Por trás do recuo havia algo além da realização de lucros: o JPMorgan havia rebaixado sua recomendação para a instituição, e os investidores levavam o sinal a sério.
O banco americano não enxerga recuperação rápida. Seus analistas estimam que o Banco do Brasil levará anos para normalizar seus resultados e apontam oportunidades mais atraentes em outras instituições brasileiras. O foco de preocupação é a carteira de agronegócio — dados de julho e agosto levaram o JPMorgan a adotar uma visão mais pessimista sobre a inadimplência do setor, com a valorização do real e o risco de El Niño como pressões adicionais.
Há uma aparente contradição na postura do banco americano: ele elevou o preço-alvo de R$ 22 para R$ 23, reconhecendo a melhora do ambiente de mercado. Mas o ajuste não compensou as preocupações específicas com a instituição — o novo alvo ainda representa queda em relação à cotação atual, e o JPMorgan estima potencial de baixa de 13%.
A deterioração da rentabilidade ajuda a explicar o desconto. O retorno sobre patrimônio caiu de cerca de 20% nos melhores momentos para perto de 8% atualmente, e a perspectiva de queda da Selic apresenta um dilema: juros menores podem aliviar a inadimplência no agronegócio, mas também comprimem a margem financeira — justamente a vantagem histórica do banco, que sempre se beneficiou de uma base de depósitos de baixo custo em ambientes de juros elevados.
Enquanto isso, o JPMorgan reposiciona suas apostas no setor. O Bradesco foi promovido para overweight, com preço-alvo elevado de R$ 22 para R$ 26. O Itaú, preferida do banco americano, teve seu alvo elevado de R$ 51 para R$ 60, com destaque para rentabilidade, folga de capital e capacidade de crescimento. XP, BTG Pactual, Nubank e Inter também receberam revisões positivas, compondo um cenário em que o mercado financeiro brasileiro segue atraente — mas com endereços mais precisos do que antes.
As ações do Banco do Brasil fecharam a terça-feira em queda acentuada. O papel caía 6,30%, cotado a R$ 24,67, revertendo quase completamente o ganho de 11% registrado no dia anterior. A realização de lucros após a forte valorização de segunda-feira explicava parte do movimento, mas havia algo mais profundo por trás da queda: o JPMorgan havia rebaixado sua recomendação para a instituição, sinalizando preocupações que os investidores levavam a sério.
O banco americano não via recuperação rápida à frente. Seus analistas estimavam que o Banco do Brasil levaria alguns anos para normalizar seus resultados, e apontavam para oportunidades mais atraentes em outras instituições financeiras brasileiras. A carteira ligada ao agronegócio era o principal foco de atenção — e não de forma positiva. Os dados de julho e agosto haviam levado o JPMorgan a incorporar uma perspectiva mais pessimista sobre a inadimplência do setor, e fatores como a valorização do real e o risco de El Niño apareciam como pressões adicionais.
Há uma aparente contradição na postura do JPMorgan que vale examinar. O banco elevou seu preço-alvo para dezembro de 2027 de R$ 22 para R$ 23, reconhecendo que o ambiente de mercado havia melhorado — a redução de 1,5 ponto percentual no retorno exigido dos investidores para aplicar em ações brasileiras aumentava o valor estimado das empresas. Mas esse ajuste não foi suficiente para compensar as preocupações específicas com a instituição. O novo preço-alvo de R$ 23 ainda representava uma queda de cerca de 7% em relação aos R$ 24,67 da cotação de terça-feira, e o banco estimava um potencial de baixa de 13% em relação ao preço usado na análise.
A deterioração da rentabilidade do Banco do Brasil ajudava a explicar por que a ação era negociada com desconto. O papel estava cotado a cerca de 80% do seu valor patrimonial, abaixo dos níveis históricos, mas isso refletia uma realidade operacional mais frágil. O retorno sobre o patrimônio — indicador que mede quanto a instituição consegue gerar de lucro com seu próprio capital — havia caído dramaticamente de cerca de 20% nos melhores momentos para perto de 8% atualmente. Para o JPMorgan, isso justificava plenamente o preço mais deprimido da ação.
A perspectiva de queda da taxa Selic apresentava um dilema para a instituição. Juros menores poderiam ajudar a reduzir a inadimplência, particularmente no agronegócio, aliviando uma das principais fontes de pressão nos resultados. Mas a mesma redução de juros tenderia a comprimir a margem financeira do banco — aquela diferença entre o que ele paga aos depositantes e o que cobra dos tomadores de crédito. O Banco do Brasil historicamente se beneficiava de juros elevados justamente porque possuía uma base de depósitos de baixo custo e elevada liquidez, uma vantagem que desapareceria em um ambiente de taxas mais baixas.
Enquanto o Banco do Brasil enfrentava esse cenário desafiador, o JPMorgan reposicionava suas apostas no setor financeiro brasileiro. O Bradesco recebia uma promoção, com a recomendação passando de neutra para overweight — equivalente a uma expectativa de desempenho acima da média. O preço-alvo subiu de R$ 22 para R$ 26, refletindo a avaliação de que boa parte das dificuldades de curto prazo já estava incorporada ao preço e que a instituição possuía uma posição de capital mais confortável que a do Banco do Brasil. O Itaú, mantendo sua posição de preferida do banco americano, teve seu preço-alvo elevado de R$ 51 para R$ 60, com destaque para sua rentabilidade elevada, folga de capital e capacidade de crescimento em um cenário mais favorável.
No segmento de mercado de capitais, a XP recebia um preço-alvo elevado de US$ 26 para US$ 38, com o JPMorgan esperando melhora das receitas e vendo a empresa bem posicionada para se beneficiar de um ambiente mais favorável aos investimentos. O BTG Pactual mantinha recomendação positiva com preço-alvo ajustado de R$ 66 para R$ 87, embora o banco americano avaliasse que o potencial adicional de alta havia ficado mais limitado após a recente valorização. Nubank e Inter, ambos com recomendação overweight, ainda tinham espaço para valorização segundo o JPMorgan, com preços-alvo elevados para US$ 23 e R$ 55 respectivamente, refletindo expectativas de crescimento de lucro próximo de 30% no caso do Nubank e melhora adicional de rentabilidade no Inter.
Citas Notables
A recuperação dos resultados pode levar alguns anos— JPMorgan
O Banco do Brasil está menos rentável e enfrenta dificuldades principalmente na carteira ligada ao agronegócio— Análise do JPMorgan