Há 43 milhões de anos, numa costa rasa onde hoje se estende o deserto egípcio, vivia um ser que não era completamente terrestre nem completamente marinho — a Phiomicetus anubis. Seus fósseis, recuperados do Deserto Ocidental do Egito, oferecem à ciência algo raro: a imagem de uma transformação em curso, o retrato de um mamífero no limiar entre dois mundos. A evolução, que tantas vezes imaginamos como um salto, revela-se aqui como uma longa série de pequenas escolhas inscritas na pedra.