Em fevereiro deste ano, uma jovem brasileira de 23 anos que vivia e trabalhava como babá em uma casa de luxo na Virgínia disparou contra um invasor durante um confronto que também custou a vida da mulher de seu empregador. Oito meses depois, Juliana Peres Magalhães foi presa e acusada de homicídio doloso — sem direito a fiança e, segundo sua mãe, sem amparo consular. O caso levanta questões sobre legítima defesa, lealdade institucional e o silêncio que pode cercar uma estrangeira vulnerável dentro de um sistema que ela mal conhece.
Babá brasileira é presa nos EUA acusada de homicídio após morte em casa de patrões
Eles emboscaram ela na quinta-feira antes do trabalho
Como uma babá acaba presa por homicídio meses depois de um incidente que a polícia aparentemente havia encerrado?
A mãe dela diz que foi informada de que o caso havia sido arquivado. Aí, dois dias antes da prisão, descobriram que estavam investigando Juliana. Levou cinco meses desde fevereiro até outubro.
Mas a polícia nunca confirmou publicamente que havia encerrado o caso. Só a mãe disse isso. E a dinâmica exata do crime ainda não foi tornada pública — não sabemos exatamente o que a polícia encontrou que mudou de ideia.
O marido dela, Brendan, é agente do FBI. Ele disse primeiro que atirou em Ryan, depois disse que não atirou. Como isso não é uma bandeira vermelha?
É estranho. Ele recusou depoimento à polícia. Mas a investigação concluiu que Juliana atirou em Ryan, não ele. A polícia também disse que tinha certeza de que Ryan e Christine se conheciam — eram ex-companheiros.
Certo, mas a causa da morte de Christine ainda está sendo investigada. E não sabemos se a polícia considerou legítima defesa. A reportagem tentou confirmar isso e não conseguiu resposta.
A mãe dela diz que Juliana queria voltar ao Brasil. Por que ela não conseguiu?
O visto dela havia expirado quinze dias antes da prisão. Ela tinha acabado de solicitar renovação. Mas foi presa antes de poder sair.
E a mãe diz que procurou o Itamaraty e não recebeu apoio. Não há confirmação de que o governo brasileiro foi procurado ou respondeu. Isso é importante — uma cidadã brasileira detida sem fiança em outro país, e não está claro se há assistência consular.
Há alguma evidência de que Juliana agiu em legítima defesa?
A mãe dela diz que Juliana disparou para se defender e proteger a família. Mas a polícia não confirmou publicamente se considerou essa defesa durante a investigação.
Exatamente. Sabemos que Juliana atirou em Ryan. Sabemos que Christine foi encontrada ferida. Mas não sabemos a sequência dos eventos, quem atacou quem primeiro, ou se havia uma ameaça real. A "dinâmica exata do crime" ainda não foi tornada pública, segundo a polícia.
El Pulso
- Uma invasão residencial em fevereiro terminou com dois mortos e uma criança de 4 anos como testemunha silenciosa de uma tarde de violência.
- A investigação arrastou-se por cinco meses em meio a contradições: o marido da vítima — agente do FBI — mudou sua versão dos fatos e se recusou a depor formalmente.
- A defesa sustenta que Magalhães agiu para proteger a família empregadora, mas a promotoria a acusa de homicídio doloso pela morte do invasor.
- Presa oito meses após o incidente, Magalhães permanece detida sem fiança, com visto expirado e sem contato com a mãe desde a prisão.
- A mãe denuncia abandono consular e afirma que a filha desejava retornar ao Brasil — um desejo que agora se tornou incerto e distante.
Em fevereiro deste ano, uma jovem brasileira de 23 anos que vivia e trabalhava como babá em uma casa de luxo na Virgínia disparou contra um invasor durante um confronto que também custou a vida da mulher de seu empregador. Oito meses depois, Juliana Peres Magalhães foi presa e acusada de homicídio doloso — sem direito a fiança e, segundo sua mãe, sem amparo consular. O caso levanta questões sobre legítima defesa, lealdade institucional e o silêncio que pode cercar uma estrangeira vulnerável dentro de um sistema que ela mal conhece.
Juliana Peres Magalhães tinha 23 anos quando a tarde de 24 de fevereiro mudou o curso de sua vida. Ela morava e trabalhava como babá em uma residência de alto padrão em Reston, Virgínia, cuidando de uma criança de 4 anos. Naquele dia, um homem invadiu a casa. Quando a polícia chegou, Joseph Ryan, de 39 anos, estava morto a tiros. Christine Banfield, esposa do empregador de Magalhães, foi encontrada ferida e não sobreviveu. A criança não foi machucada.
Segundo a mãe de Magalhães, Marina Peres Souza, a jovem avistou o invasor ao chegar para trabalhar, avisou o marido de Christine por telefone e, ao entrarem juntos na casa, encontraram a mulher já ferida. Uma luta eclodiu. Magalhães teria atirado em Ryan para se defender e proteger a família. A polícia recebeu uma primeira ligação do celular dela às 7h53, interrompida abruptamente; treze minutos depois, ela ligou novamente. Brendan Banfield, marido de Christine e agente do FBI, chegou a dizer ao 911 que havia sido ele quem atirou — versão que depois contradisse ao se recusar a depor formalmente.
A investigação levou cinco meses. A polícia concluiu que Magalhães não foi responsável pela morte de Christine, cuja causa segue sob apuração. Também indicou que não havia sinais de arrombamento e que a vítima e o invasor provavelmente se conheciam. Em 19 de outubro — quase oito meses após o incidente — Magalhães foi presa no condado de Fairfax, acusada de homicídio doloso pela morte de Ryan. Permanece detida sem fiança e sem data de julgamento.
Sua mãe soube da investigação apenas dois dias antes da prisão. Desde então, não conseguiu falar com a filha. Magalhães havia vivido dois anos nos Estados Unidos, inicialmente como au pair; seu visto havia expirado quinze dias antes da prisão, embora ela já tivesse solicitado renovação. Marina Peres Souza buscou ajuda no Itamaraty e no Ministério das Relações Exteriores, mas afirma não ter recebido qualquer suporte consular. O advogado de defesa não se manifestou. A mãe insiste: a filha é incapaz de fazer mal a alguém.
Juliana Peres Magalhães tinha 23 anos e morava em uma casa de alto padrão em Reston, Virgínia, onde trabalhava como babá para um casal americano e sua filha de 4 anos. Na tarde de 24 de fevereiro, um homem invadiu a residência. Quando a polícia chegou, encontrou Joseph Ryan, 39 anos, morto a tiros. Christine Banfield, 37 anos, esposa do casal que empregava Magalhães, também foi encontrada ferida e morreu no hospital. A criança não sofreu agressões.
Magalhães foi presa na quinta-feira, 19 de outubro — quase oito meses depois do incidente — no condado de Fairfax, acusada de homicídio doloso pela morte de Ryan. Segundo a investigação policial, ela disparou diversas vezes contra o tórax dele. A polícia concluiu que ela não foi responsável pela morte de Christine Banfield, cuja causa ainda está sendo investigada. Magalhães permanece detida no Centro de Detenção de Adultos do condado, sem possibilidade de fiança, e não há data prevista para julgamento.
Os detalhes do que aconteceu naquela tarde emergem de relatos fragmentados. De acordo com a mãe de Magalhães, Marina Peres Souza, a jovem estava chegando em casa para trabalhar quando viu o homem entrando na residência. Assustada, ligou para Brendan Banfield, marido de Christine, para avisar sobre a invasão. Quando Banfield e Magalhães entraram no imóvel, encontraram Christine ferida. Uma luta teria eclodido entre Ryan, Magalhães e Banfield. Segundo a mãe, Magalhães disparou contra Ryan para se defender e proteger a família.
A polícia recebeu a primeira ligação às 7h53 daquele dia, feita do celular de Magalhães, mas foi desligada abruptamente. Treze minutos depois, Magalhães ligou novamente e informou que alguém havia machucado sua amiga. Brendan Banfield então pegou o telefone e disse que encontrou sua mulher "no quarto, após levar facadas" e que ele "atirou em Ryan" — uma versão que depois mudaria. Quando a polícia chegou à casa, avaliada em aproximadamente um milhão de dólares, Ryan já estava morto. Christine foi levada ao hospital mas não sobreviveu aos ferimentos.
A investigação levou cinco meses para ser concluída. Segundo reportagens, Brendan Banfield é agente do FBI e se recusou a prestar depoimento à polícia, apesar de ter confirmado que não foi ele quem atirou em Ryan — contradizendo o que havia dito na ligação inicial para o 911. A polícia informou que não havia sinais de arrombamento na casa e que tinha "certeza de que a vítima e Ryan se conheciam", sugerindo que Christine e Ryan eram ex-companheiros.
Marina Peres Souza, mãe de Magalhães, afirmou que a filha havia dito que o caso havia sido arquivado há aproximadamente três meses e que a polícia havia concluído que Ryan matou Christine. A mãe relatou que ficou sabendo da investigação contra a filha apenas dois dias antes da prisão. "Eles emboscaram ela na quinta-feira antes do trabalho", disse, com a voz embargada. Desde a sexta-feira anterior à prisão, não conseguiu contato com a filha.
Magalhães havia morado nos Estados Unidos por dois anos, inicialmente como au pair enquanto fazia intercâmbio. Seu visto havia expirado quinze dias antes da prisão, mas ela havia acabado de solicitar a renovação. Segundo a mãe, a jovem queria voltar ao Brasil. Marina Peres Souza procurou o Itamaraty e o Ministério das Relações Exteriores, mas afirmou não ter recebido apoio consular. O advogado de Magalhães, Ryan Campbell, não respondeu aos contatos da reportagem. A mãe insistiu que a filha é incapaz de fazer mal a alguém e que as acusações contra ela são falsas.
Citas Notables
Ela me falou que o caso tinha sido arquivado, e que a polícia tinha concluído que quem matou a Christine foi o Ryan, porque eles eram ex-companheiros. E aí a gente ficou sabendo uns dois dias antes da prisão que eles estavam investigando [ela].— Marina Peres Souza, mãe de Juliana
Ela não faria mal a uma mosca. Espero que essa história se resolva.— Marina Peres Souza, mãe de Juliana