Azul, Gol e Latam gastaram R$ 5,2 bi extras com combustível por causa da Guerra no Irã

Combustível passou a responder por 39% dos custos das companhias aéreas
Antes da guerra, o querosene representava 32% das despesas operacionais das aéreas brasileiras.
Mark

Por que a Petrobras repassa a paridade internacional se o Brasil produz a maior parte do querosene que usa?

Mimi

Porque a Petrobras é uma empresa que opera em mercados globais. Se ela fixasse preços muito abaixo da paridade internacional, estaria subsidiando as companhias aéreas com dinheiro que poderia ir para investimentos ou dividendos. É uma escolha política, não uma necessidade técnica.

Mark

Então as companhias aéreas estão presas entre a guerra no Irã e a política de preços da Petrobras?

Mimi

Exatamente. Elas não podem controlar o preço do petróleo lá fora, e aqui dentro o preço segue aquele. Aumentar passagem é uma opção, mas assusta passageiros. Cortar rotas é outra, mas reduz receita. Elas estão espremidas.

Mark

R$ 1,6 bilhão em um mês parece absurdo. Como as empresas sobrevivem a isso?

Mimi

Elas não sobrevivem bem. Por isso foram à Câmara dos Deputados. Precisam de alguma forma de proteção ou compensação. A redução de 14,2% em junho ajudou, mas não recupera o que foi gasto antes.

Mark

A comparação com 830 aeronaves — isso foi uma estratégia retórica?

Mimi

Foi, mas não era mentira. Era uma forma de dizer: olhem só quanto dinheiro saiu em um mês. Dinheiro que poderia ter comprado ou alugado uma frota inteira. Era para chocar mesmo.

Mark

Isso vai mudar o preço das passagens aéreas para o consumidor?

Mimi

Provavelmente já mudou. As companhias precisam recuperar esses custos de alguma forma. Ou aumentam preços, ou cortam rotas, ou ambos. O passageiro sente isso no bolso.

  • O preço do querosene de aviação subiu 49% desde fevereiro, transformando o combustível no maior peso nos custos das aéreas — quase dois quintos de tudo que gastam.
  • Em maio, as três maiores companhias aéreas brasileiras gastaram R$ 1,6 bilhão a mais do que o planejado em um único mês, valor equivalente ao arrendamento de 830 aviões — mais do que toda a frota comercial do país.
  • A Abear levou os números ao Congresso em audiência pública, expondo a fragilidade do setor e pressionando por respostas da Petrobras e do governo.
  • A Petrobras anunciou redução de 14,2% no preço do querosene em junho, oferecendo alívio parcial, mas sem desfazer os meses de hemorragia financeira já acumulados.
  • Rotas foram ajustadas e projeções de voos revisadas, sinalizando que a guerra no Irã já alterou concretamente a operação da aviação comercial brasileira.

Quando a guerra eclode em uma região distante, seus ecos chegam silenciosamente às planilhas de empresas que nunca imaginaram ser afetadas. Desde o início do conflito no Irã, em fevereiro, o querosene de aviação acumulou alta de 49% no Brasil, e Azul, Gol e Latam desembolsaram R$ 5,2 bilhões a mais do que o previsto — um lembrete de que a interdependência global transforma guerras em contas de luz. O país que produz 80% do próprio combustível ainda assim importa a volatilidade do mundo, porque a lógica da paridade internacional não conhece fronteiras.

No último sábado de julho, a Petrobras anunciou um reajuste de 1,9% no querosene de aviação — modesto na aparência, mas carregado de história. Somado aos aumentos anteriores, ele completou um quadro de R$ 5,2 bilhões em custos extras para Azul, Gol e Latam desde o início da Guerra no Irã, em fevereiro. O conflito no Oriente Médio disparou as cotações internacionais do petróleo, e o querosene acumulou alta de 49%. O combustível, que antes representava 32% das despesas operacionais das aéreas, saltou para 39% — quase dois quintos de tudo que uma companhia gasta.

O dado mais impactante veio de maio: naquele mês, as companhias desembolsaram R$ 1,6 bilhão acima do previsto. A Abear, associação do setor, apresentou os números em audiência pública na Câmara e recorreu a uma comparação reveladora: esse valor equivale ao custo de arrendar 830 aeronaves — mais do que os cerca de 500 aviões em operação em todo o Brasil.

O país produz aproximadamente 80% do querosene que consome, mas isso não o isola das turbulências externas. A Petrobras adota a paridade internacional em sua precificação, repassando ao mercado doméstico as oscilações do mercado global. Em junho, sob pressão do setor, a estatal anunciou redução de 14,2% no preço às distribuidoras — um alívio real, mas insuficiente para apagar os meses anteriores. As companhias já haviam revisto rotas e projeções, e os efeitos da guerra chegaram, enfim, aos aeroportos e às passagens aéreas brasileiras.

No último sábado de julho, a Petrobras anunciou um aumento de 1,9% no preço do querosene de aviação. O reajuste parecia modesto na superfície, mas carregava consigo o peso de meses de turbulência. Quando somado aos aumentos anteriores, aquele pequeno percentual elevou para R$ 5,2 bilhões o custo extra que as três maiores companhias aéreas do Brasil — Azul, Gol e Latam — desembolsaram com combustível desde que a Guerra no Irã começou, no fim de fevereiro.

O conflito no Oriente Médio disparou as cotações internacionais do petróleo, e o querosene de aviação, que é o combustível que move os aviões comerciais, não ficou de fora. Desde fevereiro, o preço acumulou uma alta de 49%. Para dimensionar o impacto: entre março e maio, o querosene chegou a dobrar de valor em algumas semanas. As companhias aéreas, que já operam com margens apertadas, viram seus custos explodirem. O combustível, que representava 32% das despesas operacionais antes da crise, saltou para 39%. Quase dois quintos de tudo que uma companhia aérea gasta agora vai para o tanque.

A Abear, associação que reúne essas três empresas, apresentou os números em uma audiência pública na Câmara dos Deputados em junho. O dado mais impressionante veio de maio: naquele mês sozinho, as companhias gastaram R$ 1,6 bilhão a mais do que tinham previsto. Para colocar isso em perspectiva, a associação fez uma comparação que choca: esse valor equivale ao custo de arrendar 830 aeronaves. O Brasil inteiro tem aproximadamente 500 aviões em operação. Em outras palavras, em um único mês, as companhias aéreas desembolsaram o equivalente a arrendar uma frota maior que toda a aviação comercial do país.

O Brasil produz cerca de 80% do querosene de aviação que consome, o que poderia sugerir alguma proteção contra flutuações internacionais. Mas não é assim que funciona. A Petrobras adota a paridade internacional para precificar o combustível, o que significa que as oscilações do mercado externo são repassadas diretamente para o mercado doméstico. A estatal argumenta que sua política funciona como um amortecedor de curto prazo, com reajustes menos intensos do que os que ocorrem lá fora. Ainda assim, a volatilidade chega aqui.

Em junho, respondendo às pressões do setor, a Petrobras anunciou uma redução de 14,2% no preço do querosene vendido às distribuidoras. Foi um alívio, mas não apagou os meses anteriores de sangramento financeiro. As companhias aéreas já haviam revisto suas projeções de voos e ajustado rotas. O impacto da guerra no Irã não ficou confinado ao Oriente Médio — chegou aos aeroportos brasileiros, aos preços das passagens e aos balanços das empresas que movem o transporte aéreo do país.

A Petrobras adota paridade internacional para precificar o combustível, o que faz com que oscilações do mercado externo sejam repassadas ao mercado doméstico
— Petrobras
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