O inverno não é apenas uma estação — é um período de risco elevado
A cada inverno, o corpo envelhecido enfrenta uma pressão silenciosa: vasos que se contraem, pressão que sobe, imunidade que cede. Especialistas alertam que, para quem tem mais de 60 anos, o frio não é apenas desconforto — é um período de risco real para o coração e o cérebro, agravado especialmente após episódios de gripe. A proteção, porém, não vem apenas de remédios e vacinas, mas também do movimento, da companhia e do propósito que sustentam a vida em qualquer estação.
- O frio intenso contrai os vasos sanguíneos de idosos, eleva a pressão arterial e sobrecarrega o coração, abrindo caminho para infartos, AVCs e arritmias.
- Um episódio de gripe pode ser o gatilho para um acidente vascular cerebral — a combinação entre vírus e frio representa risco grave para quem já tem histórico cardiovascular.
- Idosos com bronquite crônica, asma ou imunidade comprometida correm risco de descompensações que levam à internação e, em casos extremos, ao óbito durante o inverno.
- Instituições como o Lar São Francisco de Assis em Caxias do Sul adaptam toda a rotina no inverno — aquecimento, hidratação, nutrição e vacinação tornam-se protocolos de sobrevivência.
- Aos 83 anos e décadas de musculação, Ofélia Antoniazzi encarna a resposta mais completa: exercício regular, alimentação cuidadosa e convivência social transformam o inverno em estação vencível.
Nos invernos da Serra Geral, o frio age por dentro. Com o envelhecimento, o organismo perde eficiência para manter a temperatura interna: os vasos se contraem, a pressão sobe e o coração se esforça além do necessário. Para quem tem mais de 60 anos, esse esforço extra abre caminho para infartos, AVCs e arritmias. O geriatra Roberto Bigarella, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, destaca um risco específico: o AVC aumenta significativamente após um episódio de gripe. Somado à queda imunológica natural do envelhecimento, o inverno pode transformar doenças respiratórias preexistentes em emergências graves.
Em Caxias do Sul, o Lar da Velhice São Francisco de Assis abriga 85 moradores e conhece bem essa realidade. No inverno, a rotina se reorganiza em torno da proteção: ambientes aquecidos, hidratação constante, alimentação reforçada e vacinação acompanhada de perto. Para a enfermeira Joanete Salvi, não se trata de excesso de cuidado — trata-se de sobrevivência.
Mas há uma dimensão que vai além dos protocolos clínicos. Ofélia Sebem Antoniazzi, 83 anos, pratica musculação há cerca de seis décadas e atribui sua saúde à combinação de exercício regular e alimentação disciplinada. Na academia onde a instrutora Shaiane Dutra trabalha, 70% dos alunos têm mais de 60 anos — e muitas amizades nasceram entre um exercício e outro.
Regina Marcon resume a experiência com clareza: a convivência faz bem. Tânia Marcon chega sem vontade e sai renovada. Eroni Borges Peruchin é direta: dorme melhor, come melhor, tem mais disposição. Para Shaiane, sair de casa para se exercitar ou conversar já transforma o dia — especialmente nos dias frios e de pouca luz, quando a depressão sazonal ronda os mais velhos. O que essa história revela é que proteger o idoso no inverno exige mais do que vacinas: exige movimento, companhia e propósito.
Nos invernos rigorosos da Serra Geral, quando as temperaturas caem e a umidade do ar diminui, os idosos enfrentam uma ameaça invisível. Não é apenas o frio que incomoda — é o que ele faz dentro do corpo. Com o avanço da idade, o organismo perde a capacidade de manter a temperatura interna com eficiência. Os vasos sanguíneos se contraem, a pressão arterial sobe, e o coração trabalha mais do que deveria. Esse esforço extra abre portas para infarto, acidente vascular cerebral, arritmias e descompensações de doenças cardíacas já existentes. Para quem tem mais de 60 anos, o inverno não é apenas uma estação — é um período de risco elevado.
O médico geriatra Roberto Bigarella, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, é claro sobre a gravidade. Pessoas com histórico cardiovascular são particularmente vulneráveis durante o frio. Mas há um detalhe que merece atenção especial: o risco de acidente vascular cerebral aumenta significativamente após um episódio de gripe. A combinação é perigosa. Enquanto isso, as doenças respiratórias também se agravam. Quem já convive com bronquite crônica, asma ou outras condições prévias pode sofrer descompensações que levam à internação e, em casos extremos, ao óbito. A queda da resposta imunológica que acompanha o envelhecimento torna essas pessoas ainda mais frágeis diante de vírus que circulam com intensidade durante os meses frios.
Em Caxias do Sul, no Lar da Velhice São Francisco de Assis, onde vivem 85 moradores, a equipe conhece bem essa realidade. Durante o inverno, a rotina muda. Os ambientes são mantidos aquecidos com cuidado. A hidratação é incentivada constantemente. A alimentação é reforçada com nutrientes. A vacinação, especialmente contra gripe e doenças respiratórias, é acompanhada de perto. A enfermeira responsável técnica Joanete Salvi explica que não é negligência — é sobrevivência.
Mas há um antídoto que vai além das medidas preventivas convencionais. Ofélia Sebem Antoniazzi, aos 83 anos, é prova viva disso. Há cerca de 60 anos ela pratica musculação regularmente. Sua saúde, segundo ela própria, está excelente. O segredo, acredita, está na combinação entre atividade física consistente e alimentação cuidadosa — muita proteína, pouco embutido, poucos doces. Ela não está sozinha nessa jornada. Na academia onde trabalha a instrutora física Shaiane Dutra, cerca de 70% dos alunos têm mais de 60 anos. Muitas amizades nasceram entre um exercício e outro, transformando a atividade física em algo que transcende o físico.
Regina Marcon, voluntária na mesma academia, resume a experiência com simplicidade: a gente conversa, convive uma com a outra, e essa convivência faz muito bem. Tânia Marcon, artesã, confessa que às vezes chega sem vontade, mas sai renovada. Eroni Borges Peruchin, aposentada, é mais direta: faz bem para tudo. Dorme melhor, se alimenta bem, tem mais disposição. Para Shaiane Dutra, o simples fato de sair de casa para fazer um exercício ou participar de uma roda de conversa já melhora o dia da pessoa, especialmente nos dias de frio intenso e pouca luminosidade, quando a depressão sazonal ronda os idosos.
O que emerge dessa história não é apenas um conjunto de recomendações médicas — vacinação, alimentação equilibrada, hidratação, exercício regular. É a compreensão de que a saúde do idoso no inverno é multifatorial. O corpo precisa de proteção fisiológica. A mente precisa de movimento e convivência. O espírito precisa de propósito. Quando esses elementos se alinham, como acontece na vida de Ofélia, de Regina, de Tânia e de Eroni, o inverno deixa de ser uma ameaça e passa a ser apenas mais uma estação a ser atravessada com dignidade e força.
Notable Quotes
O corpo precisa fazer mais esforço para se aquecer. Os vasos sanguíneos se contraem, a pressão arterial aumenta e o coração trabalha mais. Isso eleva o risco de infarto, acidente vascular cerebral, arritmias e descompensação de doenças cardíacas já existentes.— Dr. Roberto Bigarella, médico geriatra da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia
O simples fato de sair de casa para fazer um exercício ou participar de uma roda de conversa já melhora o dia da pessoa.— Shaiane Dutra, instrutora física
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o frio afeta tanto os idosos de forma diferente do que afeta pessoas mais jovens?
O corpo envelhece e perde eficiência. Com a idade, o sistema que mantém a temperatura interna não funciona mais tão bem. Os vasos sanguíneos se contraem mais facilmente, a pressão sobe, o coração trabalha mais. É como um motor que precisa de mais esforço para fazer o mesmo trabalho.
E a gripe? Por que ela aumenta especificamente o risco de AVC?
A gripe é uma inflamação sistêmica. Ela deixa o corpo inteiro inflamado, inclusive os vasos sanguíneos. Quando você já tem pressão alta, vasos frágeis, e aí vem uma gripe — é uma combinação perigosa. O risco de coágulo, de ruptura, aumenta muito.
Mas você viu pessoas como Ofélia, com 83 anos, que está muito bem. O que ela faz diferente?
Ela não parou. Há 60 anos ela se exercita. Não é magia — é consistência. O músculo protege o coração. A atividade física mantém os vasos flexíveis, a pressão mais controlada. E ela come bem, com propósito.
A socialização parece ser tão importante quanto o exercício em si.
Talvez seja até mais importante. O isolamento mata idosos. Quando você sai de casa, conversa, se sente parte de um grupo — isso muda a química do corpo. Reduz inflamação, melhora a imunidade, dá razão para cuidar de si mesmo.
Então o inverno não é o vilão?
O inverno é um teste. Ele expõe quem está preparado e quem não está. Quem tem hábitos saudáveis, quem se move, quem tem razões para viver — esses atravessam bem. Os outros sofrem.