Francisco Eliezer Viana da Silva, servidor da Receita desde 1994, é apontado como chefe de organização criminosa que fraudava importações desde 2020. Operação Snooker 2 prendeu três pessoas e apreendeu R$ 26 milhões em bens, veículos de luxo e uma embarcação, com movimentações superiores a R$ 27 milhões identificadas.
Auditor-fiscal tenta descartar celular ao ser preso em operação contra fraude no aeroporto
Tentou descartar o celular quando ouviu os agentes chegando
Como um auditor-fiscal consegue montar um esquema desse tamanho sem ser descoberto antes?
Ele tinha acesso. Desde 2016 no aeroporto, conhecia os procedimentos, sabia como funcionava a fiscalização, quem era quem. Isso não é coincidência — é posição.
E por que ele tentou jogar o celular no vaso sanitário?
Porque sabia exatamente o que tinha ali. Mensagens, números de contas, nomes. Tudo que poderia conectá-lo aos empresários, aos pagamentos. O celular era a prova viva.
A família dele estava envolvida também?
Sim. Cônjuge, filhas, irmãos, cunhado. Receberam pagamentos, bens. Alguns emprestaram seus nomes para empresas de fachada. Não é só corrupção — é uma rede familiar.
Quanto tempo isso durou?
Pelo menos desde 2020, seis anos. Mas pode ter começado antes. O que sabemos é que ele estava recebendo propina regularmente enquanto ganhava trinta mil por mês de salário legítimo.
E os empresários chineses — eles sabiam que estavam cometendo crime?
Subfaturar produtos eletrônicos, pagar propina a um agente público? Sim, sabiam. Pagaram dois milhões e meio porque sabiam exatamente o que estavam comprando.
O que acontece agora com o dinheiro que foi bloqueado?
Fica congelado enquanto o processo avança. Se condenados, provavelmente vai para a União. Mas primeiro precisa passar pela justiça.
Der Puls
- Francisco Eliezer Viana da Silva, servidor da Receita Federal desde 1994, preso em 25 de agosto de 2026
- Acusado de receber R$ 6,8 milhões em propina de esquema que fraudava importações no Aeroporto de Fortaleza desde 2020
- Operação Snooker 2 prendeu três pessoas e bloqueou R$ 26 milhões em bens; movimentações superiores a R$ 27 milhões identificadas
- Esquema hierarquizado com quatro núcleos: público, empresarial, financeiro e auxiliar, envolvendo familiares de Eliezer
Francisco Eliezer Viana da Silva, servidor da Receita desde 1994, é apontado como chefe de organização criminosa que fraudava importações desde 2020. Operação Snooker 2 prendeu três pessoas e apreendeu R$ 26 milhões em bens, veículos de luxo e uma embarcação, com movimentações superiores a R$ 27 milhões identificadas.
Auditor-fiscal da Receita Federal é preso acusado de receber R$ 6,8 milhões em propina em esquema de fraude aduaneira no Aeroporto de Fortaleza, tentando destruir celular durante prisão.
Na terça-feira 25 de agosto, agentes da Polícia Federal arrombaram um apartamento em Fortaleza para cumprir um mandado de prisão. Do outro lado da porta estava Francisco Eliezer Viana da Silva, auditor-fiscal da Receita Federal, acusado de chefiar uma organização criminosa que fraudava importações no Aeroporto de Fortaleza há pelo menos seis anos. Quando ouviu os agentes chegando, Eliezer tentou descartar seu celular no vaso sanitário — um gesto desesperado que revelava o que estava em jogo. A equipe recuperou o aparelho da caixa de água, embora não se saiba se os arquivos possam ser restaurados.
Eliezer não era um criminoso comum. Desde 1994 ele era servidor concursado da Receita Federal, e desde dezembro de 2016 ocupava um cargo no gabinete da inspetoria do Aeroporto de Fortaleza, com salário mensal superior a trinta mil reais. Em junho de 2026, quando já era investigado, recebeu quarenta e quatro mil reais em gratificação. Sua posição lhe dava acesso a informações sigilosas sobre comércio exterior, despachos aduaneiros e procedimentos internos da instituição — exatamente o que seus parceiros criminosos precisavam.
A Operação Snooker 2, deflagrada nesta terça-feira, prendeu três pessoas: além de Eliezer em Fortaleza, dois empresários foram capturados na Bahia — Rodolfo Sergio Martins Maia e Hugo Andrade Mendonça Santos. A operação cumpriu quinze mandados de busca e apreensão em Fortaleza, Caucaia, Eusébio e Salvador, confiscando carros, relógios de luxo e uma embarcação. Até o momento, vinte e seis milhões de reais foram bloqueados em contas bancárias.
O esquema funcionava em duas frentes principais. Na primeira, um empresário cearense importava joias de prata e as declarava como semijoias ou bijuterias de metal comum, reduzindo drasticamente o valor tributário. Eliezer fornecia laudos periciais fraudados que atestavam falsamente a natureza dos materiais. Na segunda frente, um casal de empresários chineses subfaturava produtos eletrônicos para reduzir impostos, contando com a interferência direta de Eliezer na fiscalização aduaneira. Esse grupo sozinho pagou pelo menos dois milhões e meio em propina.
A investigação revelou uma estrutura hierarquizada dividida em quatro núcleos. No centro estava Eliezer, fornecendo informações privilegiadas. Um núcleo empresarial reunia os importadores. Um núcleo financeiro, liderado por um contador, constituía empresas de fachada e movimentava os valores ilícitos, disfarçando o repasse de propina ao agente público. Dois integrantes desse núcleo pagaram sozinhos ao menos três milhões e cem mil reais. Um núcleo auxiliar era formado por familiares de Eliezer — cônjuge, filhas, irmãos e um cunhado — que receberam pagamentos e bens adquiridos com recursos ilícitos, além de pessoas que emprestaram seus nomes para figurar como responsáveis por empresas e contas bancárias usadas na lavagem de dinheiro.
Os números revelam a escala da operação. Investigadores identificaram movimentações superiores a vinte e sete milhões de reais entre empresas ligadas ao esquema. O grupo adquiriu aproximadamente trinta e um milhões e oitocentos mil em criptoativos, sem qualquer compatibilidade com as receitas formalmente declaradas. O núcleo financeiro, em conjunto com o núcleo auxiliar, movimentou mais de cento e três milhões de reais por meio de empresas sem atividade econômica real.
Os investigados podem responder por organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em operações de importação. O advogado de Eliezer, Marcelo Oliveira, afirmou ter recebido com surpresa a decisão pela prisão, argumentando que seu cliente já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão anterior e havia sido formalmente denunciado pelo Ministério Público, sem que nenhum fato novo tivesse ocorrido desde então. Oliveira disse estar tomando todas as medidas jurídicas necessárias para reverter a prisão e demonstrar a inocência de seu cliente. As defesas dos dois empresários presos na Bahia não foram localizadas para comentar.
Bemerkenswerte Zitate
Estava tomando todas as medidas jurídicas necessárias para reverter a prisão decretada e demonstrar a inocência do auditor-fiscal— Marcelo Oliveira, advogado de defesa de Francisco Eliezer