Renata chegou aos EUA aos 16 anos, completou seus estudos e construiu carreira como atriz e empresária em Los Angeles, mas perdeu status migratório há dois anos após orientação jurídica equivocada. Após prisão no aeroporto, foi transferida entre centros de detenção na Califórnia e Texas, permanecendo algemada durante horas sem acesso a água ou banheiro, com relatos de condições desumanas.
Atriz brasileira detida há mais de um mês pelo ICE em Los Angeles
Ela não cometeu nenhum crime. Ela não tem motivo algum para estar presa
Por que o ICE a deteve especificamente no aeroporto? Ela tinha algum aviso prévio?
Não. Ela passou normalmente pela segurança, pelo raio-X, entrou com o passaporte. Só foi abordada quando já estava no portão de embarque. A mãe diz que achava que só prendiam pessoas com crimes, mas descobriu que estão prendendo qualquer pessoa.
Mas por que ela estava sem status? A mãe mencionou orientação jurídica equivocada, mas não fica claro o que aconteceu exatamente.
Isso é verdade. A mãe só diz que recebeu orientação errada de um advogado há cerca de dois anos e perdeu o status depois disso. Os detalhes específicos do que aconteceu não estão no relato.
E as condições de detenção? A mãe descreveu coisas muito graves.
Sim. Renata ficou algemada durante horas sem poder usar o banheiro ou beber água, dentro de uma van. Depois, no Texas, ficou sentada das 21 horas até as 17 horas do dia seguinte, com frio, e sua bolsa de mão desapareceu com documentos e joias.
Essas são descrições da mãe, certo? Não há confirmação independente das autoridades sobre essas condições específicas.
Correto. É o relato da mãe. Mas a mãe também menciona que Renata desenvolveu inchaço nas pernas e dor de garganta, o que seria consistente com as horas sentada.
E agora, qual é a situação dela?
Ela continua detida em El Paso, no Texas. A família não conseguiu agendar uma visita. Renata está seguindo aconselhamento jurídico e solicitando saída voluntária do país, embora não queira deixar os Estados Unidos.
A saída voluntária significa deportação, certo?
Sim, basicamente. A mãe acredita que seria a melhor solução neste momento, mesmo que Renata não queira.
E o que a advogada diz sobre o padrão mais amplo?
Gisele Ambrósio diz que desde junho as detenções nos aeroportos aumentaram muito, e estão prendendo pessoas com vários status diferentes — não só aqueles sem documentação, mas também pessoas com asilo pendente, pedidos de green card, até pessoas com permissão de trabalho.
Mas ela não dá números específicos sobre o aumento. Ela diz que aumentou "muito", mas não quantifica.
Verdade. O único número que temos é a queda de 45% nos pedidos de imigração no segundo trimestre de 2026 comparado com 2025. Isso mostra uma mudança na política, mas não diretamente sobre detenções.
O Pulso
- Renata Alves Mietto, 26 anos, detida em 27 de agosto no aeroporto de Los Angeles
- Chegou aos EUA aos 16 anos em 2016, estudou Artes Cênicas, trabalhou como atriz e proprietária de empresa de limpeza com 20+ funcionários
- Perdeu status migratório há dois anos após orientação jurídica equivocada
- Transferida de Los Angeles para Adelanto (Califórnia) por 20+ dias, depois para El Paso (Texas) em 19 de setembro
- Detenções no ICE em aeroportos aumentaram desde junho de 2026, afetando pessoas com diversos status migratórios
Renata chegou aos EUA aos 16 anos, completou seus estudos e construiu carreira como atriz e empresária em Los Angeles, mas perdeu status migratório há dois anos após orientação jurídica equivocada. Após prisão no aeroporto, foi transferida entre centros de detenção na Califórnia e Texas, permanecendo algemada durante horas sem acesso a água ou banheiro, com relatos de condições desumanas.
Renata Alves Mietto, atriz brasileira de 26 anos, foi presa pelo ICE no aeroporto de Los Angeles em 27 de agosto por estar sem status migratório regular e permanece detida há mais de um mês, transferida para o Texas.
Uma viagem que deveria marcar a celebração do aniversário da mãe terminou em uma cela. Renata Alves Mietto, atriz brasileira de 26 anos, foi detida no aeroporto de Los Angeles em 27 de agosto, quando se preparava para embarcar para o Havaí. Agentes do ICE a abordaram no portão de embarque, depois que ela havia passado normalmente pela segurança e pelo raio-X com seu passaporte em mãos. O que a mãe, Márcia Rilda Alves dos Reis, não sabia naquele momento era que sua filha permaneceria presa por mais de um mês.
Renata chegou aos Estados Unidos aos 16 anos, em 2016. Completou o ensino médio no país, estudou Artes Cênicas na Utah Valley University e, há pouco mais de três anos, construiu uma vida em Los Angeles. Trabalhou como atriz em produções como "The Cool Kids" e tornou-se proprietária de uma empresa de limpeza que emprega mais de 20 pessoas. Seu grande sonho era trabalhar no cinema. Mas há cerca de dois anos, após receber orientação jurídica equivocada, perdeu seu status de permanência nos Estados Unidos. Quando foi abordada no aeroporto, estava sem documentação migratória regular.
Após a prisão, Renata foi levada a um centro de detenção em Los Angeles e depois transferida para Adelanto, na Califórnia, onde permaneceu por mais de 20 dias. Sua família tentava acompanhar o processo à distância com advogados. No dia 18 de setembro, ela participou de uma audiência. A defesa pediu que respondesse ao processo em liberdade, mas o pedido foi negado sob o argumento de que representaria um risco. Segundo a mãe, Renata nunca cometeu nenhum crime e estava detida exclusivamente por estar sem status migratório regular.
No dia seguinte à audiência, a situação se agravou. Renata foi transferida para El Paso, no Texas. A mãe descreve horas de espera e restrições físicas severas: a filha ficou dentro de uma van sem poder usar o banheiro ou beber água, algemada nos pés, na cintura e nas mãos, sentada por horas até entrar no voo. Ao chegar ao Texas, permaneceu sentada das 21 horas até as 17 horas do dia seguinte, quando foi colocada em um quarto. Durante toda a noite, com frio, pediu para usar um suéter que estava em sua mala, mas a bolsa de mão desapareceu — junto com documentos, cartão de crédito e joias. A mala nunca foi encontrada. Renata desenvolveu inchaço nas pernas e nos pés e dor de garganta após passar tantas horas sentada em um banco pequeno em um ambiente gelado.
A família tenta agora autorização para visitá-la, mas não conseguiu agendar com o centro de detenção. Márcia fala aos prantos sobre a situação. "Para mim, como mãe, é um desespero tão grande ver a minha filha passar por isso. Porque ela não cometeu nenhum crime. Ela não tem motivo algum para estar presa só pelo fato de estar sem status." Renata não quer deixar os Estados Unidos. Segundo a mãe, a filha está seguindo aconselhamento jurídico e solicitando saída voluntária do país. Mesmo contra a vontade de Renata, a mãe acredita que essa seria a solução. "Ela queria pelo menos voltar na casa dela, pegar as coisas dela. Ela tem um coelho que já tem seis anos."
O caso de Renata não é isolado. Segundo Gisele Ambrósio, advogada de imigração e também advogada do Consulado de Los Angeles, desde junho aumentou muito o número de detenções nos aeroportos, inclusive em voos domésticos. O ICE está prendendo pessoas com diversos status migratórios: aquelas fora de status, com asilo pendente, com pedidos de extensão de visto, com pedidos de green card pendentes, com ordem de deportação final e até com permissão de trabalho mas sem aprovação final do caso. Dados do governo americano revelam uma queda de 45% no número de pedidos de imigração recebidos pelo USCIS no segundo trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025.
A advogada faz um alerta direto: qualquer imigrante com um caso pendente com a imigração não deve viajar antes de consultar seu advogado. Ela recomenda ter sempre o número do advogado escrito ou memorizado, deixar cópias da documentação com amigos e fazer um planejamento completo do que fazer se algo acontecer — especialmente se há filhos ou bens envolvidos. O endurecimento das políticas migratórias nos Estados Unidos criou um cenário onde uma viagem de rotina pode terminar em detenção prolongada, e onde estar sem status, embora não seja crime, é razão suficiente para ser preso.
Citações Notáveis
Para mim, como mãe, é um desespero tão grande ver a minha filha passar por isso. Porque ela não cometeu nenhum crime.— Márcia Rilda Alves dos Reis, mãe de Renata
Qualquer imigrante, nesse momento, que tiver um caso pendente com a imigração, não deve viajar antes de consultar seu advogado de imigração.— Gisele Ambrósio, advogada de imigração