Atlas/Intel: Lula lidera com 53,4% dos votos válidos ante 46,6% de Bolsonaro

A maior distância entre os candidatos desde o início do segundo turno
Lula mantinha vantagem de 6,8 pontos percentuais sobre Bolsonaro na véspera da eleição, segundo a Atlas/Intel.
Mark

Por que essa pesquisa da Atlas/Intel importa mais do que as outras nesse momento?

Mimi

Porque ela usou dados de 2021, enquanto a maioria dos institutos trabalhava com informações de 2018 ou 2010. Isso muda quem aparece na amostra.

Luke

Mas uma pesquisa ainda é uma pesquisa. A margem de erro dela é de 1 ponto percentual — isso significa que Lula poderia estar em 52,4% ou 54,4%. Não é tão conclusivo quanto parece.

Mimi

Verdade. Mas historicamente a Atlas acertou mais. No primeiro turno, ela previu 48,3% para Lula e o resultado foi 48,43%.

Mark

E quanto à desconfiança que Bolsonaro e seus apoiadores têm das pesquisas? Isso é só retórica ou há algo real aí?

Luke

Há uma investigação da PF e do Cade que foi suspensa pelo TSE. Então não sabemos o que eles encontraram ou se encontraram algo. A desconfiança existe, mas não está comprovada.

Mimi

O que é curioso é que em 2018, as pesquisas subestimaram Bolsonaro. Ele saiu de 47% nas sondagens para 55,13% nas urnas.

Mark

Então é possível que estejam subestimando Bolsonaro de novo?

Luke

É possível, mas não é certo. A Atlas acertou no primeiro turno deste ano. Não há evidência de que ela está sistematicamente errada agora.

Mimi

O que sabemos é que há incerteza. A margem de erro permite cenários diferentes. Lula pode ganhar no primeiro turno ou pode ir para um terceiro turno.

Mark

Terceiro turno? Não seria segundo turno?

Luke

Sim, seria segundo turno. Mas o ponto é que a pesquisa não fecha a questão.

  • A Atlas/Intel registrou a maior vantagem de Lula no segundo turno — 6,8 pontos percentuais —, pressionando a narrativa de empate técnico defendida pelo campo bolsonarista.
  • A credibilidade das pesquisas estava sob ataque: apoiadores de Bolsonaro questionavam os institutos, e investigações da PF e do Cade foram abertas antes de serem suspensas pelo TSE.
  • A metodologia da Atlas/Intel, baseada na PNAD Contínua de 2021 e no recrutamento digital aleatório, diferenciava o instituto de concorrentes que usavam dados de 2010 ou 2018.
  • A margem de erro de 1 ponto percentual deixava espaço para variações, mas os números totais — 52,4% para Lula e 45,7% para Bolsonaro — reforçavam a consistência da vantagem.
  • No Congresso, requerimentos para uma CPI dos institutos de pesquisa acumulavam assinaturas, mas sem previsão de instalação, mantendo o impasse institucional até o dia do voto.

Na véspera de uma eleição que definiria os rumos do Brasil, um levantamento da Atlas/Intel colocava Lula com 53,4% dos votos válidos ante 46,6% de Bolsonaro — a maior distância registrada no segundo turno. Em meio a disputas metodológicas entre institutos e investigações suspensas pela Justiça Eleitoral, o país se preparava para decidir, nas urnas, o que nenhuma pesquisa poderia resolver com absoluta certeza.

Na tarde do sábado que antecedia o segundo turno, a Atlas/Intel divulgou sua última pesquisa antes das urnas: Lula com 53,4% dos votos válidos e Bolsonaro com 46,6%, uma diferença de 6,8 pontos percentuais — a maior desde o início do turno decisivo. O levantamento ouviu 7.500 eleitores em 1.830 municípios entre 26 e 29 de outubro, com margem de erro de 1 ponto percentual.

Em relação à pesquisa anterior, divulgada dois dias antes, Lula avançou 0,2 ponto percentual, enquanto Bolsonaro recuou na mesma proporção. O que distinguia o instituto era sua base de dados: enquanto concorrentes recorriam ao Censo de 2010 ou a informações de 2018, a Atlas utilizava a PNAD Contínua de 2021, argumentando que amostras mais antigas tendiam a distorcer a representação de grupos religiosos — fator favorável a Bolsonaro — e a super-representar eleitores mais pobres, base histórica de Lula.

O histórico do instituto emprestava peso aos números. No primeiro turno, a Atlas havia previsto 48,3% para Lula e 41% para Bolsonaro; o resultado real foi de 48,43% e 43,20%, respectivamente — uma precisão que contrastava com o desempenho de outros institutos.

O contexto, porém, era de desconfiança acirrada. Bolsonaro reiterava que pesquisas internas de sua campanha apontavam empate técnico e voltava a afirmar que os institutos jogavam contra ele desde 2018. A Polícia Federal e o Cade haviam aberto investigações sobre os institutos durante a campanha, mas o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, suspendeu os procedimentos, classificando-os como usurpação de competência eleitoral. No Congresso, requerimentos para uma CPI dos institutos acumulavam assinaturas, sem data para instalação. O Brasil chegava ao dia da decisão com os números apontando para um lado e a desconfiança institucional apontando para outro.

A véspera do segundo turno trouxe um novo levantamento da Atlas/Intel que reforçava a posição de Lula na disputa presidencial. Segundo a pesquisa divulgada no sábado, 29 de outubro, o ex-presidente aparecia com 53,4% dos votos válidos, enquanto Jair Bolsonaro marcava 46,6%. A diferença entre eles chegava a 6,8 pontos percentuais — a maior distância registrada desde que o segundo turno começou.

O instituto ouviu 7.500 eleitores espalhados por 1.830 municípios entre os dias 26 e 29 de outubro. A margem de erro era de 1 ponto percentual para mais ou para menos, o que significa que o resultado poderia variar dentro desse intervalo. Comparada à pesquisa anterior, divulgada dois dias antes, Lula havia avançado 0,2 ponto percentual — passando de 53,2% para 53,4% — enquanto Bolsonaro recuava de 46,8% para 46,6%.

O que distinguia a Atlas/Intel de outros institutos era a base de dados utilizada. Enquanto muitas empresas de pesquisa trabalhavam com informações de 2018 ou do Censo de 2010, a Atlas usava a PNAD Contínua de 2021, um banco de dados mais recente. Os pesquisadores do instituto argumentavam que amostras antigas tendiam a super-representar os eleitores mais pobres — grupo que votava mais em Lula — e capturavam de forma insuficiente a religião, fator que pesava a favor de Bolsonaro. A metodologia empregada era o Recrutamento Digital Aleatório, na qual os entrevistados eram recrutados organicamente durante a navegação rotineira na internet, em qualquer dispositivo.

Historicamente, a Atlas/Intel havia se mostrado precisa. No primeiro turno daquele ano, o instituto havia previsto 48,3% para Lula e 41% para Bolsonaro. O resultado das urnas foi de 48,43% para o petista e 43,20% para o presidente — uma aproximação notável. Isso contrastava com o desempenho de outros institutos, que utilizavam bases de dados mais antigas.

Mas havia uma ressalva importante. Embora Lula ultrapassasse a marca de 50% dos votos válidos, a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos criava um cenário onde a eleição poderia se resolver de diferentes formas. Segundo a legislação brasileira, um candidato à presidência precisa de maioria absoluta dos votos válidos — mais da metade, excluindo brancos e nulos — para ser eleito no primeiro turno. Os números da Atlas sugeriam que Lula poderia atingir esse patamar, mas a incerteza estatística deixava espaço para interpretações.

Em números totais, sem descontar votos em branco e nulos, Lula marcava 52,4% e Bolsonaro, 45,7%. Brancos e nulos somavam 1,9%. Na pesquisa anterior, o petista tinha 52,4%, o candidato do PL tinha 46%, e brancos e nulos representavam 1,6%.

Os resultados foram divulgados em um contexto de desconfiança generalizada sobre os institutos de pesquisa. Apoiadores de Bolsonaro questionavam sistematicamente a confiabilidade das sondagens. A Polícia Federal e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica haviam aberto investigações sobre a atuação dos institutos durante a campanha, mas o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes, suspendeu os procedimentos, chamando-os de "evidente usurpação da competência" do TSE e apontando "incompetência absoluta" e "ausência de justa causa" das instituições investigadoras.

Na Câmara e no Senado, parlamentares buscavam abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar os institutos. Ambos os requerimentos haviam atingido o número mínimo de assinaturas necessárias, mas não havia previsão para instalação. O próprio Bolsonaro, em entrevista concedida dias antes, voltou a questionar a confiabilidade das pesquisas, afirmando que levantamentos feitos pela sua campanha apontavam um empate técnico. "Pessoal passa, meus técnicos, que a gente está num empate técnico. Mas eu sempre digo, não podemos confiar em pesquisas. Porque, coincidentemente, todas as pesquisas jogam contra mim desde 2018", declarou. Em 2018, o último Datafolha antes do segundo turno havia mostrado Bolsonaro com 47% contra 39% de Fernando Haddad, mas o resultado final foi de 55,13% para o presidente e 44,87% para o petista — uma diferença maior do que a pesquisa havia indicado.

Pessoal passa, meus técnicos, que a gente está num empate técnico. Mas eu sempre digo, não podemos confiar em pesquisas. Porque, coincidentemente, todas as pesquisas jogam contra mim desde 2018.
— Jair Bolsonaro, em entrevista ao Metrópoles
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