Apostadores têm até 5 de outubro para sacar saldos; plataformas saem do ar no dia 6. Governo criminalizará exploração de bets com penas de 4 a 6 anos de reclusão. Indústria afirma que 31 milhões de pessoas usam plataformas legalizadas com proteções; mercado ilegal já representa 41% das apostas no país.
Associações de apostas contestam proibição de bets e alertam para migração para mercado ilegal
Proibir não é proteger, é deslocar o risco
Por que o governo decidiu proibir as bets agora, depois de ter regulamentado o mercado há menos de dois anos?
A medida está inserida em um pacote de ações contra o endividamento das famílias. Mas o timing é claro — acontece na reta final do primeiro turno das eleições, após semanas de críticas do presidente sobre as apostas.
Mas qual é a evidência de que as bets estão causando endividamento em massa? O manifesto das associações menciona 1,2 milhão de pedidos de autoexclusão, mas não sabemos quantas pessoas usam as plataformas sem problemas.
As associações argumentam que a proibição vai empurrar as pessoas para sites ilegais. Isso é uma ameaça real?
Segundo as entidades, o mercado ilegal já representa 41% do volume apostado. O governo bloqueou 66 mil domínios, mas milhares continuam ativos e novos surgem diariamente. Se o mercado legal desaparecer, toda essa demanda pode migrar para plataformas sem proteção.
Esse número de 41% vem de quem? É uma estimativa das próprias associações que têm interesse em manter o mercado legal aberto. Não temos confirmação independente desse percentual.
Qual é o impacto financeiro dessa proibição?
No primeiro semestre de 2026, o setor arrecadou quase R$ 10 bilhões em impostos. Além disso, as empresas pagaram outorgas — contrapartidas que garantiam direito à exploração por cinco anos. A ANJL está buscando ressarcimento por esses investimentos e danos.
Os R$ 10 bilhões em arrecadação são números do governo ou das próprias bets? E quanto às outorgas — quanto exatamente foi pago? O manifesto menciona R$ 30 milhões, mas não está claro se é por empresa ou no total.
Como fica a situação dos 31 milhões de apostadores?
Eles têm até 5 de outubro para sacar seus saldos. Se não conseguirem, os bancos devolvem o dinheiro entre 9 e 14 de outubro. Mas o risco é que muitos migrem para plataformas clandestinas onde não há proteção.
Trinta e um milhões é o número de contas ativas, não necessariamente de pessoas únicas. Algumas pessoas podem ter múltiplas contas. E não sabemos quantas dessas contas têm saldos significativos para justificar a migração para sites ilegais.
El Pulso
- Apostadores têm até 5 de outubro para sacar saldos; plataformas saem do ar no dia 6
- Exploração de bets será crime com pena de 4 a 6 anos de reclusão
- Mercado ilegal já representa 41% das apostas no país, segundo as associações
- Arrecadação tributária atingiu R$ 10 bilhões no primeiro semestre de 2026
- 31 milhões de pessoas estão ativas em plataformas legalizadas
Apostadores têm até 5 de outubro para sacar saldos; plataformas saem do ar no dia 6. Governo criminalizará exploração de bets com penas de 4 a 6 anos de reclusão. Indústria afirma que 31 milhões de pessoas usam plataformas legalizadas com proteções; mercado ilegal já representa 41% das apostas no país.
O governo Lula anunciou medida provisória proibindo bets no Brasil a partir de outubro. Associações do setor contestam a decisão, argumentando que a proibição empurrará apostadores para sites clandestinos.
Na sexta-feira 25 de setembro, o governo Lula anunciou uma medida provisória que proíbe as apostas esportivas e cassinos online no Brasil, encerrando em poucos meses um mercado que havia sido regulamentado menos de dois anos antes. Os apostadores têm até as 23h59 do dia 5 de outubro para sacar voluntariamente seus saldos das plataformas. A partir do dia 6, os sites e aplicativos sairão do ar. Se o dinheiro não for retirado no prazo, os bancos que operam para as bets farão a devolução entre 9 e 14 de outubro, com a Caixa intermediando casos de impedimento após essa data.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, explicou que nenhum novo aporte será aceito nas contas das plataformas a partir da publicação da medida. O governo também enviará ao Congresso um projeto de lei que criminaliza a exploração de apostas de quota fixa com penas de reclusão de 4 a 6 anos, além de multa. A punição aumenta em um terço se envolver cassinos virtuais, como o popular "jogo do tigrinho". Quem fizer publicidade, recrutar apostadores ou monetizar conteúdo sobre bets enfrentará reclusão de 2 a 4 anos. O mesmo vale para instituições financeiras que processem pagamentos sabendo sua origem, e para desenvolvedores de aplicativos de apostas.
As principais associações do setor — Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e operadoras licenciadas — contestaram a decisão em manifesto conjunto. Argumentam que proibir as apostas legais não eliminará a prática, mas empurrará os apostadores para sites clandestinos onde não há fiscalização nem proteção. Citam que 31 milhões de pessoas estão ativas em plataformas legalizadas, que já implementaram verificação de idade e CPF, autoexclusão, políticas de saúde mental e restrições para beneficiários de programas sociais. O mercado regulado bloqueou cerca de 3 milhões de beneficiários de programas sociais e recebeu 1,2 milhão de pedidos de autoexclusão.
As entidades alertam que o mercado ilegal já representa 41% do volume apostado no país, apesar do governo ter bloqueado mais de 66 mil domínios. Milhares de sites clandestinos continuam ativos e novos surgem diariamente. Em vez da proibição, defendem aumento da fiscalização, limites de depósito e tempo, regras mais rígidas para publicidade, medidas de saúde mental e combate aos sites ilegais.
Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL, destacou que as empresas pagaram outorgas — contrapartidas que garantiam direito à exploração dos serviços por cinco anos. A associação já adota providências para reverter a medida na Justiça e busca ressarcimento não apenas pelos R$ 30 milhões em outorgas, mas também por indenizações por danos materiais e morais decorrentes dos investimentos realizados. No primeiro semestre de 2026, o setor arrecadou quase R$ 10 bilhões em impostos — recursos que deixarão de ir para saúde, previdência, esporte e segurança pública.
A ofensiva contra as bets ocorre na reta final do primeiro turno das eleições, após semanas de críticas do presidente. Na Assembleia Geral da ONU, Lula afirmou que as plataformas transformam "vício em lucro" e estão "destruindo lares". Em ato de campanha no Recife na mesma sexta-feira, reforçou: "não é correto gastar o que não tem pra tentar ganhar o que não existe". A decisão integra um pacote de ações econômicas voltadas ao combate ao endividamento das famílias brasileiras, anunciado durante evento em São Paulo.
Citas Notables
A proibição total das apostas de quota fixa representaria uma ruptura do marco regulatório construído pelo próprio Estado brasileiro e colocaria em risco uma atividade econômica que opera sob autorização, fiscalização e regras definidas pelo Governo Federal— Manifesto conjunto do IBJR, ANJL e operadoras licenciadas
Não é correto gastar o que não tem pra tentar ganhar o que não existe— Presidente Lula, em ato de campanha no Recife