Associações cripto pedem 120 dias extras ao BC para cumprir regulamentação

Certificadora não consegue atestar que sistemas funcionam se ainda estão sendo implementados
As associações argumentam que migração e certificação são processos sequenciais, não paralelos.
Mark

Por que as associações não pediram para mudar os requisitos em si, apenas o prazo?

Mimi

Porque o objetivo é demonstrar que não estão tentando escapar das regras — apenas que o tempo real de adaptação foi comprimido por decisões do próprio regulador. Normas complementares publicadas durante a transição obrigaram revisões de projetos inteiros.

Mark

Esse gargalo nas certificações é realmente um problema estrutural ou as empresas simplesmente deixaram para a última hora?

Mimi

Os dados da CertiK sugerem que é estrutural. Você não consegue certificar um sistema que ainda está sendo implementado. A certificadora precisa que o sistema esteja estável, testado, com evidências. Isso é sequencial, não paralelo.

Mark

Se o BC conceder os 120 dias, o que muda na prática para as empresas?

Mimi

Elas têm tempo para implementar, estabilizar, coletar evidências, passar pela certificação e ainda ter margem. Sem isso, você cria um cenário onde dezenas de empresas batem na porta das certificadoras na mesma semana.

Mark

E para o Banco Central? Por que as associações dizem que a prorrogação beneficiaria o próprio regulador?

Mimi

Porque receberiam documentação mais robusta, certificações mais confiáveis, sistemas mais estáveis. É melhor ter conformidade bem feita do que conformidade apressada que pode gerar problemas depois.

Mark

Qual é o risco se o BC disser não?

Mimi

Empresas comprometidas com a conformidade podem sair do mercado. Outras podem tentar atalhos. E o regulador pode receber documentação de qualidade questionável porque foi feita sob pressão de prazo.

  • O prazo de 30 de outubro de 2026 pressiona simultaneamente centenas de empresas a concluir implementações técnicas, auditorias independentes e migrações operacionais complexas.
  • Certificadoras como CertiK alertam que 80% dos projetos em sua carteira ainda estão nas etapas iniciais, sinalizando risco real de colapso de capacidade nos meses finais.
  • Normas complementares publicadas pelo próprio BC durante a transição — incluindo resoluções em janeiro, maio e julho — reduziram o tempo efetivo de adaptação e forçaram revisões de projetos já em andamento.
  • As associações pedem extensão em quatro frentes: certificações, migração de exchanges estrangeiras, autorização de SPSAVs e a vedação de operações com contrapartes não autorizadas prevista no artigo 91.
  • O ofício, assinado por lideranças da ABToken, Zetta e ABFintechs, reforça que a intenção não é enfraquecer as exigências, mas garantir que empresas comprometidas com a conformidade possam apresentar documentação mais consistente.

No início de agosto de 2026, três das principais associações do setor cripto brasileiro — ABToken, Zetta e ABFintechs — apresentaram ao Banco Central um pedido coletivo de prorrogação de 120 dias para o cumprimento de marcos regulatórios estabelecidos pela Resolução BCB nº 520. O argumento central não é de resistência à regulação, mas de um paradoxo temporal: o próprio regulador, ao publicar normas complementares durante o período de transição, comprimiu o tempo real disponível para adaptação. Como gargalos em certificações técnicas ameaçam concentrar a demanda nos últimos dias do prazo, o setor argumenta que mais tempo beneficiaria não apenas as empresas, mas a qualidade do processo regulatório como um todo.

Na terça-feira, 4 de agosto, ABToken, Zetta e Associação Brasileira de Fintechs encaminharam um ofício conjunto ao Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central com um pedido de 120 dias adicionais para cumprir quatro marcos da Resolução BCB nº 520 — a norma que define como exchanges, bancos e fintechs devem se adequar ao novo regime de criptomoedas no Brasil.

O argumento das associações não é de oposição à regulação, mas de um problema de geometria temporal. Embora o prazo formal seja 30 de outubro de 2026, o tempo real de adaptação foi progressivamente reduzido pela publicação de normas complementares durante o próprio período de transição. Instruções normativas sobre certificações, reportes de reservas, rubricas contábeis e auditorias independentes chegaram em janeiro, maio e julho — cada uma exigindo revisões de projetos já em andamento. Regina Pedroso, diretora-executiva da ABToken, sintetizou: certificadoras como CertiK e CLA confirmaram que o tempo disponível não é suficiente para cumprir as exigências.

O gargalo mais concreto está nas certificações técnicas. A IN BCB nº 701 exige que uma certificadora independente avalie segregação patrimonial, prova de reservas, custódia, segurança cibernética e governança — mas só pode emitir seu parecer depois que a empresa implementa e estabiliza todos os sistemas. Dados da CertiK mostram que cerca de 80% dos projetos em sua carteira ainda estão com menos de 30% do escopo concluído, criando risco de que a demanda por testes supere a capacidade operacional disponível nos meses finais.

Além das certificações, o ofício aborda três outras frentes: a migração de exchanges estrangeiras para estruturas brasileiras elegíveis, o processo de autorização de SPSAVs já em operação — que exige demonstrações financeiras auditadas dos três últimos exercícios — e a vedação prevista no artigo 91, que a partir de outubro proibirá instituições autorizadas de operar com contrapartes brasileiras não autorizadas.

O documento foi assinado por Regina Pedroso, Fernanda Garibaldi e Sérgio Constantini, representando as três entidades. O tom é de colaboração: as associações argumentam que 120 dias adicionais permitiriam que as empresas entregassem controles e documentações mais robustos — o que, no fim, também beneficiaria o próprio Banco Central ao receber informações mais completas e bem elaboradas.

Três grandes associações do setor cripto brasileiro bateram à porta do Banco Central na terça-feira, 4 de agosto, com um pedido simples mas consequente: mais 120 dias. ABToken, Zetta e Associação Brasileira de Fintechs encaminharam um ofício conjunto ao Departamento de Regulação do Sistema Financeiro solicitando a prorrogação de quatro marcos estabelecidos pela Resolução BCB nº 520, que governa como exchanges, bancos, fintechs e outras instituições devem se adequar ao novo regime de criptomoedas.

O prazo atual é 30 de outubro de 2026. As empresas precisam concluir etapas importantes de conformidade até lá — implementar controles, reunir documentação, obter certificações técnicas de terceiros independentes. O que as associações argumentam, porém, é que o tempo real de adaptação foi reduzido drasticamente por algo que o próprio Banco Central fez: publicar normas complementares durante o período de transição. Enquanto as empresas tentavam se adequar a um conjunto de regras, novas instruções normativas chegavam, obrigando revisões de projetos, contratação de auditores adicionais, desenvolvimento de novos controles. Regina Pedroso, diretora-executiva da ABToken, resumiu a situação ao Cointelegraph Brasil: embora o BC tenha concedido tempo, certificadoras como CertiK e CLA confirmaram que não existe tempo suficiente para cumprir as exigências.

O primeiro problema é um gargalo operacional nas certificações. A Instrução Normativa BCB nº 701, publicada em janeiro, detalhou como essas avaliações técnicas devem funcionar. Uma certificadora qualificada e independente precisa examinar segregação patrimonial, prova de reservas, custódia, segurança cibernética, controles internos, governança, gerenciamento de riscos e prevenção à lavagem de dinheiro. Mas há um detalhe crucial: a certificadora só consegue emitir sua conclusão depois que a empresa implementa os sistemas, estabiliza os processos e reúne evidências suficientes para os testes. Não é possível certificar algo que ainda está sendo construído.

Os dados fornecidos pela CertiK ilustram a dimensão do problema. Aproximadamente 80% dos projetos atualmente em sua carteira permanecem nas etapas iniciais, com menos de 30% do escopo concluído. Embora esse número represente apenas a carteira de uma certificadora e não o mercado inteiro, as associações argumentam que ele sinaliza um risco real: se várias empresas terminarem suas adaptações simultaneamente, a demanda por testes e pareceres pode superar a capacidade operacional disponível. Isso poderia prejudicar até instituições que adotaram medidas responsáveis para cumprir as regras. O documento afirma que "a demanda final por testes e emissão dos pareceres poderá superar a capacidade operacional disponível".

O segundo ponto do ofício trata de exchanges estrangeiras e sociedades prestadoras de serviços. O artigo 23 da resolução determina que empresas constituídas no exterior que atendem clientes brasileiros transfiram operações e clientes para uma instituição elegível ou uma SPSAV constituída no Brasil. Além da transferência de cadastros e posições, isso exige revisão de contratos, sistemas de custódia, controles de risco, procedimentos de compliance e mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro. As associações pedem 120 dias adicionais tanto para a migração quanto para a apresentação da comunicação e certificação exigidas.

O terceiro pedido envolve SPSAVs que já operavam quando a regulamentação entrou em vigor. Essas empresas precisam protocolar pedido de autorização até 30 de outubro, apresentando demonstrações financeiras dos três últimos exercícios auditadas por auditor independente registrado na CVM. Depois do protocolo, precisam enviar informações periódicas ao regulador. A Instrução Normativa BCB nº 713 criou reportes sobre provas de reservas, staking e custódia. Em maio, a IN BCB nº 734 acrescentou rubricas contábeis específicas para ativos virtuais no Cosif, e a IN BCB nº 739 passou a exigir relatório de asseguração razoável emitido por auditor independente na segunda fase do processo. O BC ainda publicou a Resolução BCB nº 580 em julho, acrescentando enquadramento prudencial aplicável às prestadoras de serviços. Para as associações, essa sequência mostra que as empresas não tiveram 270 dias completos para trabalhar com um arcabouço totalmente definido.

O quarto pedido envolve o artigo 91, que a partir de 30 de outubro proíbe instituições autorizadas pelo BC de realizar determinadas operações com ativos virtuais envolvendo contrapartes brasileiras não autorizadas. As entidades querem que o BC adie essa vedação por 120 dias, argumentando que manter as datas atuais poderia afetar a concorrência, interromper serviços e impedir a permanência de participantes comprometidos com a conformidade. O ofício foi assinado por Regina Pedroso da ABToken, Fernanda Garibaldi da Zetta e Sérgio Constantini da ABFintechs, deixando claro que não pretendem enfraquecer as exigências regulatórias — apenas que a extensão permitiria que as empresas apresentassem controles, documentos e certificações mais consistentes. Para o próprio Banco Central, argumentam, receber mais informações e documentos bem elaborados seria positivo.

A prorrogação de prazo é uma necessidade concreta e justificada. Ainda que pese o tempo concedido pelo Banco Central, empresas como CertiK e CLA apuraram que não existe tempo suficiente para cumprir as exigências
— Regina Pedroso, diretora-executiva da ABToken
A demanda final por testes e emissão dos pareceres poderá superar a capacidade operacional disponível
— Ofício conjunto das associações ao Banco Central
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