Assistente social se veste de padroeira e volta a ajudar romeiros na Dutra após ouvir voz

Agora vai e faz — a instrução que transformou fragilidade em ação
Priscila relata ter ouvido essa mensagem de Nossa Senhora após um ano debilitada pela Covid, e desde então trabalha como voluntária nos pontos de apoio da peregrinação.
Mark

Como é que uma assistente social acaba se vestindo como Nossa Senhora Aparecida para receber peregrinos na beira de uma rodovia?

Mimi

Priscila passou por um período muito difícil com a Covid. Ficou um ano sem conseguir falar ou caminhar direito. E foi nesse momento que ela diz ter ouvido uma voz pedindo que ajudasse nos pontos de apoio.

Luke

Espera — ela ouviu uma voz. Como assim? Ela estava sozinha? Isso foi um momento de oração, uma visão, alucinação? A reportagem não deixa muito claro.

Mimi

Ela atribui a voz a Nossa Senhora Aparecida. A mensagem era para avisar que os apoios estavam se acabando e que ela deveria continuar ajudando.

Mark

E aí ela decidiu se vestir como a santa?

Mimi

Sim. Depois dessa experiência, ela voltou como voluntária e escolheu usar o traje da padroeira enquanto trabalha nos pontos de apoio.

Luke

Mas qual é o impacto prático disso? Ela está lá oferecendo serviços de assistência social, ou está principalmente como uma figura simbólica?

Mimi

Ela é assistente social, então está ajudando a acolher os romeiros. Mas a roupa dela também comunica algo — torna a presença dela mais significativa espiritualmente.

Mark

Quantos pontos de apoio existem?

Mimi

137 ao longo de toda a Via Dutra. Cada um oferece água, comida, enfermagem, massagens, banheiros e descanso.

Luke

E Priscila está em todos eles ou em alguns específicos?

Mimi

A reportagem não detalha isso. Sabemos que ela atua nos pontos de apoio, mas não fica claro se é em um local fixo ou se circula entre vários.

Mark

O que essa história diz sobre o voluntariado no Brasil?

Mimi

Que muitas vezes o trabalho comunitário é sustentado por pessoas que encontram propósito pessoal e espiritual naquilo que fazem. Priscila não voltou só para ajudar — voltou porque sentiu um chamado.

  • Priscila de Cássia de Moura, assistente social, ficou um ano debilitada pela Covid sem conseguir falar ou caminhar
  • 137 pontos de apoio funcionam ao longo da Via Dutra oferecendo água, alimentação, enfermagem, massagens e descanso
  • Pontos de apoio na região do Vale do Paraíba estão em Jacareí, São José dos Campos, Caçapava, Taubaté, Pindamonhangaba, Roseira e Aparecida
  • Peregrinação ocorre dias antes de 12 de outubro, Dia da Padroeira do Brasil

Priscila de Cássia de Moura, debilitada pela Covid por um ano, relata ter ouvido voz atribuída a Nossa Senhora pedindo que ajudasse nos pontos de apoio. 137 pontos de apoio funcionam ao longo da Via Dutra oferecendo água, alimentação, enfermagem, massagens e descanso para os peregrinos em direção a Aparecida.

Assistente social voluntária se veste como Nossa Senhora Aparecida para acolher peregrinos na Rodovia Dutra dias antes do 12 de outubro, após recuperação de Covid e experiência espiritual.

Priscila de Cássia de Moura está à beira da Rodovia Presidente Dutra vestida como Nossa Senhora Aparecida, recebendo peregrinos que caminham em direção ao Santuário Nacional nos dias que antecedem o 12 de outubro. A assistente social e voluntária usa o traje da padroeira para acolher romeiros que passam pelos pontos de apoio espalhados pela via, oferecendo água, comida, atendimento de enfermagem e espaço para descanso.

O caminho de Priscila até esse trabalho não foi direto. Durante aproximadamente um ano, ela ficou debilitada pelos efeitos da Covid-19, incapaz de falar ou caminhar com a força necessária para fazer a peregrinação que sempre havia sido importante para ela. Era um período de isolamento não apenas físico, mas também espiritual — afastada da comunidade de romeiros que conhecia, longe do movimento que marcava sua fé.

Foi nesse momento de fragilidade que Priscila relata ter ouvido uma voz. Segundo ela, a mensagem era clara e direta, atribuída a Nossa Senhora Aparecida. A voz lhe dizia para ir até os pontos de apoio e avisar aos coordenadores que os recursos estavam se esgotando, que era preciso continuar. E depois, a instrução final: "Agora vai e faz". Não era um convite vago ou uma sugestão — era um chamado para agir.

A partir desse momento, Priscila retomou seu trabalho como voluntária. Mas não voltou de forma discreta. Ela escolheu se vestir como a santa, transformando sua presença em um símbolo vivo da devoção e da acolhida. Quando os peregrinos chegam aos pontos de apoio ao longo da Dutra, encontram não apenas uma assistente social oferecendo ajuda, mas uma figura que encarna a própria padroeira que os guia na jornada.

A estrutura que sustenta essa peregrinação é considerável. Ao longo de toda a Via Dutra, 137 pontos de apoio foram organizados para este ano, cada um deles funcionando como um oásis para os romeiros. Esses locais não oferecem apenas o essencial — água e comida — mas também serviços de enfermagem, massagens terapêuticas para pés cansados, banheiros, chuveiros e áreas de descanso. Na região do Vale do Paraíba especificamente, há pontos em Jacareí, São José dos Campos, Caçapava, Taubaté, Pindamonhangaba, Roseira e Aparecida, entre outras cidades.

O trabalho de Priscila se insere nessa rede de apoio como um elemento tanto prático quanto simbólico. Ela ajuda a garantir que os romeiros tenham o que precisam, mas sua presença vestida como Nossa Senhora Aparecida também reforça o significado espiritual da jornada. Para muitos peregrinos, encontrar alguém assim vestido pode ser um momento de conexão profunda com o propósito de sua caminhada.

A história de Priscila também fala sobre recuperação e propósito. Ela não apenas se recuperou fisicamente da Covid, mas encontrou um novo sentido em sua dedicação ao voluntariado. O que começou como uma voz ouvida em um momento de vulnerabilidade se transformou em ação concreta, em presença, em ajuda oferecida a centenas de pessoas que passam pela Dutra nos dias que antecedem a maior festa religiosa do Brasil.

Eu escutei uma voz me falando: 'Vai até os apoios e diz para eles que os apoios estão se acabando, para eles continuarem'. E aí Nossa Senhora falou: 'Agora vai e faz'
— Priscila de Cássia de Moura
Quer a matéria completa? Leia o original em G1 ↗
Fale Conosco FAQ