José Wellington e sua família, líderes históricos do pentecostalismo brasileiro, divulgaram publicamente apoio a Flávio Bolsonaro em vídeos e atos políticos. A maioria dos grandes líderes evangélicos se posiciona a favor de Flávio, contrariando a tendência de neutralidade que alguns mantinham no primeiro turno.
Assembleias de Deus explicitam apoio a Flávio; Universal mantém neutralidade
Irmão vota em irmão — a lógica que move o voto evangélico
Por que esses pastores estão se posicionando agora, no segundo turno, quando muitos deles foram mais cautelosos no primeiro?
Porque no primeiro turno havia mais candidatos e a polarização não era tão clara. Agora é Flávio contra Lula, e para essas lideranças evangélicas, a escolha é praticamente automática — décadas de rejeição à esquerda tornam isso uma questão de identidade.
Mas vale notar que José Wellington foi conciliador no primeiro turno, citando pacificadores. Isso sugere que nem todos estavam confortáveis em se expor politicamente até o momento em que a disputa se simplificou.
A Igreja Universal é a exceção aqui?
Sim, mas é uma exceção estratégica. Edir Macedo apoiou Bolsonaro abertamente em 2018 e 2022, mas agora a Universal está sob investigação através do Digimais. A neutralidade não é princípio — é proteção.
Exatamente. E é importante dizer que o Republicanos, partido fundado por gente da Universal, apoiou Flávio no segundo turno. Então a instituição religiosa se mantém neutra enquanto sua estrutura política se move. Isso é uma distinção real.
Qual é o alcance real dessa influência? José Wellington é conhecido?
Não nos holofotes seculares, mas é muito ouvido dentro do meio evangélico. Ele presidiu a CGADB por trinta anos e continua elegendo filhos para cargos importantes. Suas igrejas pequenas chegam em territórios variados de São Paulo.
O cientista político citado no texto diz que a influência dele é exercida "longe de holofotes seculares". Isso é importante — não sabemos exatamente quantas pessoas isso alcança, apenas que é significativo dentro de círculos evangélicos específicos.
E André Valadão? Por que ele está quieto?
Porque sua igreja está implicada num escândalo com um ex-banqueiro. Ele precisa de cautela. Em 2022 se engajou na campanha bolsonarista, mas agora está sendo econômico nos posicionamentos políticos.
Embora tenha recebido Flávio em dezembro de 2025 e passado o Réveillon num evento de Valadão. Então não é exatamente silêncio — é discrição. Há apoio, mas sem a publicidade de antes.
Isso muda alguma coisa nas eleições?
Depende de como você mede. Esses pastores têm acesso a comunidades que votam, e a orientação deles importa. Mas não é como um candidato fazer um comício — é mais sutil, mais pulverizado.
E vale lembrar que Silas Malafaia, com 15 milhões de seguidores no Instagram, já estava se posicionando. O que é novo aqui é que líderes mais tradicionais e menos midiáticos estão saindo da ambiguidade. Isso pode consolidar um voto evangélico que já estava inclinado.
Der Puls
- José Wellington e sua família divulgaram apoio a Flávio Bolsonaro em vídeos e atos públicos entre 17 e 18 de outubro
- José Wellington presidiu a CGADB por três décadas e continua influente no meio evangélico
- A Igreja Universal mantém neutralidade oficial enquanto seu banco, Digimais, é investigado
- Samuel Ferreira, presidente da Conamad, recepcionou Flávio seis dias após o primeiro turno
- Silas Malafaia aponta como novidade deste pleito líderes que não se posicionavam agora se posicionando
José Wellington e sua família, líderes históricos do pentecostalismo brasileiro, divulgaram publicamente apoio a Flávio Bolsonaro em vídeos e atos políticos. A maioria dos grandes líderes evangélicos se posiciona a favor de Flávio, contrariando a tendência de neutralidade que alguns mantinham no primeiro turno.
Principais pastores das Assembleias de Deus, incluindo José Wellington e Samuel Ferreira, explicitam apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno, enquanto a Igreja Universal mantém neutralidade oficial.
Nos últimos dias, as principais lideranças das Assembleias de Deus — a maior denominação evangélica do Brasil — deixaram de lado a ambiguidade e se posicionaram explicitamente a favor de Flávio Bolsonaro no segundo turno. A mudança marca um ponto de inflexão em como esses pastores se relacionam com a política eleitoral, especialmente quando o adversário é Lula.
José Wellington Bezerra da Costa, um dos nomes mais longevos e influentes do pentecostalismo brasileiro, liderou essa movimentação através de sua família. No sábado 17 de outubro, seu filho Paulo Freire Costa, reeleito deputado pelo PL em São Paulo, publicou um vídeo falando em nome da Convenção Fraternal das Assembleias de Deus de São Paulo. Ele declarou que apoiaria o candidato porque "ele defende os nossos princípios". No dia seguinte, a vereadora Rute Costa, outra filha de José Wellington, apareceu em foto durante um ato bolsonarista na avenida Paulista. Seu filho mais velho, José Wellington Júnior, convocou pastores a reservarem um momento durante os cultos daquela noite para orar pelo Brasil. A família inteira, portanto, se movimentou de forma coordenada e pública.
Esse padrão não é novo. José Wellington presidiu por três décadas a CGADB, a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, o maior dos grupos assembleianos do país. Em 1997, pastores sob sua liderança gritaram "presidente, Jesus te ama" durante um congresso em apoio à reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Em 2010, ele gravou depoimento para a campanha eleitoral de José Serra contra Dilma Rousseff. Oito anos depois, reconheceu do púlpito que a igreja estava "polarizada" e orientou os fiéis a "não votar na esquerda". Em abril deste ano, recebeu Flávio na igreja e orou para que "o Senhor o leve para ser presidente da nossa nação". Mas no primeiro turno, adotou um tom mais conciliador, citando a passagem bíblica sobre os pacificadores sem sinalizar preferência explícita por candidato algum.
O segundo turno reforçou essa demarcação de território. Samuel Ferreira, presidente da Conamad — a outra grande convenção assembleiana, a Ministério Madureira — também se alinhou a Flávio. Seis dias após o primeiro turno, recepcionou o filho de Jair Bolsonaro em uma festa de cem anos do ministério que representa. Durante o evento, pregou que "irmão vota em irmão", um bordão que ganhou força nos anos 1980 quando evangélicos começaram a se envolver mais sistematicamente com política. Um ano antes, Samuel havia posado e orado com Lula no Palácio do Planalto, enquanto o congressista Cezinha de Madureira, que carrega o nome da igreja no Legislativo, fazia gestos ao governo — o mesmo Cezinha que havia andado na garupa de Bolsonaro durante uma motociata quando ele era presidente.
Em 2026, Samuel contornou a lei eleitoral que proíbe pedidos de voto dentro de igrejas. Disse que não faria tal pedido, mas que, se pudesse, defenderia Flávio, descrevendo-o como honesto, sério e crente, "porque foi ele o indicado pelo presidente", em referência ao pai dele. Outros blocos regionais da Assembleia de Deus também se pronunciaram. O pastor José Carlos de Lima, da Paraíba, recomendou que fiéis se oponham a partidos que queiram "ridicularizar a nossa fé" — uma crítica direcionada à esquerda.
O cientista político Vinicius do Vale observa que líderes como José Wellington exercem influência longe dos holofotes seculares. Apesar de um perfil mais analógico, ele é "muito ouvido" no meio evangélico. Há décadas elege filhos para cargos importantes sem ocupar o centro das atenções. Seu ministério possui muitas igrejas pequenas espalhadas por diversos territórios em São Paulo. Silas Malafaia, pastor com 15 milhões de seguidores no Instagram, aponta como novidade deste pleito o fato de líderes que não se posicionavam estarem agora se posicionando — mencionando especificamente José Wellington e Samuel, os líderes dos dois maiores ministérios da Assembleia de Deus.
Malafaia diferencia a si próprio desses líderes que só aparecem politicamente em temporada eleitoral. "Durante quatro anos, eu me posiciono o tempo todo", diz. Segundo ele, é difícil encontrar um pastor de peso que não esteja com Flávio, embora haja exceções. André Valadão, da Batista da Lagoinha, mantém-se discreto — uma mudança em relação a 2022, quando se engajou na campanha bolsonarista. A discrição é atribuída ao escândalo envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que implicou a igreja. Em dezembro de 2025, Valadão recebeu Flávio na Lagoinha Orlando, e o senador aproveitou para pedir que Deus renovasse "nossas forças" para o pleito de 2026.
A Igreja Universal do Reino de Deus, porém, mantém-se neutra. Se em 2018 e 2022 o fundador Edir Macedo explicitou respaldo a Jair Bolsonaro, o mesmo não ocorreu com o filho até agora. A denominação orienta seus pastores a não apoiar publicamente nenhum dos candidatos. Essa neutralidade é lida como cautela, especialmente porque o Digimais, banco controlado por Macedo, é alvo de investigações. O Republicanos, partido fundado por nomes vinculados à Universal, aliou-se a Flávio no segundo turno, mas a igreja mantém distância oficial. O bispo Alessandro Paschoall, interface da Universal com a política, postou um videocast na semana passada usando um boné que dizia "minha bandeira é o Senhor", afirmando não levantar bandeiras de direita, esquerda ou centro. Seu "espectro político é o espectro celestial", declarou. Quatro anos antes, porém, o bispo Renato Cardoso, genro de Macedo e uma das principais lideranças da Universal hoje, havia dito ser incompatível ser cristão e votar na esquerda.
Bemerkenswerte Zitate
Ele defende os nossos princípios— Paulo Freire Costa, filho de José Wellington, explicando o apoio a Flávio
Irmão vota em irmão— Samuel Ferreira, durante pregação em evento da Madureira
Minha bandeira é o Senhor; meu espectro político é o espectro celestial— Bispo Alessandro Paschoall, da Igreja Universal, sobre neutralidade