Assembleia oficializa afastamento de Textor do Conselho de Administração da SAF Botafogo

A sobreposição de duas assembleias ilustra o grau de fragmentação que a governança atingiu
Textor convoca reunião paralela enquanto o clube formaliza seu afastamento do Conselho de Administração.

No coração de uma crise de governança que se arrasta desde abril, o Botafogo realizou uma assembleia com a totalidade do capital votante para formalizar o afastamento de John Textor do Conselho de Administração da SAF — um gesto que busca encerrar a ambiguidade sobre quem, de fato, comanda o clube. Textor, recusando-se a aceitar a marginalização, respondeu com uma ata paralela que alega aprovação de empréstimos milionários, aprofundando a disputa entre legitimidade formal e poder contestado. O episódio revela como as fraturas internas de uma instituição esportiva podem espelhar conflitos mais amplos sobre autoridade, confiança e os limites do controle.

  • A assembleia reuniu 100% do capital votante — Eagle e associação botafoguense — para tornar irreversível, ao menos formalmente, o afastamento de Textor da cúpula administrativa da SAF.
  • Textor não recuou: horas depois, divulgou uma ata de reunião paralela datada de 26 de junho, alegando ter aprovado dois empréstimos de US$ 50 milhões cada, num movimento que desafia diretamente a narrativa do clube.
  • A ata publicada pelo americano carece da assinatura do diretor geral da SAF, Enrique Iglesias, lançando dúvidas sobre sua validade e alimentando o impasse jurídico.
  • Três novos conselheiros foram eleitos para preencher o vácuo deixado por Textor, sinalizando que a Eagle tenta consolidar uma estrutura de poder funcional enquanto a batalha judicial continua.
  • Desde abril, quando um tribunal arbitral da FGV já havia afastado Textor do controle operacional, o conflito migrou progressivamente dos bastidores para os tribunais e agora para o espaço público.

O Botafogo deu mais um passo formal no processo de afastamento de John Textor ao realizar uma assembleia com 100% do capital votante da SAF. A decisão, descrita como unânime entre a Eagle — controladora de 90% das ações — e a associação botafoguense, elegeu três novos conselheiros para compor a administração: Estevão Prates Benincá, Ricardo Menezes Mello e Carlos Thiago Cesario Alvim. O Conselho Fiscal também foi reforçado. O objetivo declarado era dissipar qualquer dúvida sobre quem governa a companhia.

Textor, porém, respondeu na mesma noite com uma ata de reunião do Conselho realizada em 26 de junho, na qual afirma ter aprovado dois empréstimos de US$ 50 milhões cada — um deles classificado como financiamento dip, modalidade voltada a empresas em recuperação judicial, situação em que o Botafogo se encontra. O documento, no entanto, não conta com a assinatura de Enrique Iglesias, diretor geral da SAF, o que fragiliza sua credibilidade.

O conflito tem raízes em abril, quando um tribunal arbitral da Fundação Getúlio Vargas afastou Textor do controle operacional da SAF. Desde então, o americano tenta reverter a decisão na Justiça, sem êxito. A coexistência de duas assembleias — uma convocada pela Eagle e pela associação, outra pelo próprio Textor — expõe o grau de fragmentação da governança do clube. A questão sobre qual reunião possui legitimidade legal deverá ser resolvida nos tribunais, enquanto o Botafogo segue dividido entre quem o controla formalmente e quem ainda disputa o poder nos bastidores.

O Botafogo formalizou nesta quarta-feira o afastamento de John Textor do Conselho de Administração da SAF, em assembleia que contou com a presença de 100% do capital votante da empresa. A decisão, segundo comunicado do clube, foi unânime entre a Eagle — fundo que controla 90% das ações — e a associação botafoguense, detentora dos 10% restantes. O objetivo declarado era eliminar qualquer incerteza sobre quem de fato governa a companhia.

Três novos conselheiros foram eleitos para compor a administração: Estevão Prates Benincá, Ricardo Menezes Mello e Carlos Thiago Cesario Alvim. O Conselho Fiscal também recebeu reforços, com a indicação de Fernando José Ferreira Gomes Damasceno e Pedro Marcelo Luzardo Aguiar. A formalização ocorreu na segunda-feira, conforme informado pelo clube, mas o anúncio público veio apenas dias depois.

Textor, porém, não aceitou passivamente a decisão. Ainda na noite de quarta-feira, o empresário americano divulgou uma ata de reunião do Conselho de Administração realizada na sexta anterior, 26 de junho, na qual afirma ter aprovado dois empréstimos de US$ 50 milhões cada, totalizando US$ 100 milhões. Um deles é classificado como financiamento dip, modalidade específica para empresas em recuperação judicial — situação em que o Botafogo se encontra. A ata publicada por Textor, contudo, não traz a assinatura de Enrique Iglesias, atual diretor geral da SAF.

O conflito que agora se desenrola publicamente tem raízes em abril, quando um tribunal arbitral da Fundação Getúlio Vargas afastou Textor do controle operacional da SAF. Desde então, o americano vem buscando reverter a decisão pela via judicial, sem sucesso até o momento. O afastamento do Conselho de Administração representa um passo adicional no processo de isolamento de Textor da estrutura de poder do clube.

A sobreposição de duas assembleias — uma convocada pela Eagle e pela associação, outra pelo próprio Textor — ilustra o grau de fragmentação que a governança do Botafogo atingiu. Não está claro qual das duas reuniões possui legitimidade legal ou estatutária, questão que provavelmente será decidida nos tribunais. O que é certo é que o clube segue dividido entre quem o controla formalmente e quem ainda disputa o poder nos bastidores.

Decidiram pela deliberação em questão para afastar definitivamente quaisquer dúvidas existentes sobre os membros que compõem a gestão da companhia
— Comunicado oficial do Botafogo
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Como um empresário consegue convocar uma assembleia paralela se já foi afastado do controle?

Model

Textor argumenta que ainda é membro do Conselho de Administração, mesmo que afastado do comando operacional. A distinção é técnica, mas crucial — ele pode estar fora da gestão diária e ainda ter direitos sobre decisões estratégicas como empréstimos.

Inventor

E a ata dele, sem assinatura do diretor geral, tem peso legal?

Model

Provavelmente não. Sem a validação do diretor geral, fica fácil contestar se aquela reunião realmente aconteceu ou se as decisões ali tomadas são vinculantes. É um documento que prova intenção, não autoridade.

Inventor

Por que a Eagle e o clube associativo decidiram agora, em julho, formalizar algo que já tinha sido decidido em abril?

Model

Porque em abril Textor foi afastado do comando, mas não do Conselho. Essa brecha permitiu que ele continuasse tentando influenciar decisões financeiras. A assembleia de agora fecha essa porta de uma vez.

Inventor

Os empréstimos de US$ 100 milhões que Textor aprovou — o clube consegue captar esse dinheiro sem ele?

Model

Essa é a questão real. Se Textor tinha acesso a fontes de financiamento que ninguém mais tem, sua remoção pode prejudicar a saúde financeira do Botafogo. Ou, inversamente, pode ser que esses empréstimos nunca fossem reais.

Inventor

Isso vai para a Justiça?

Model

Já está. Textor vem tentando reverter o afastamento de abril nos tribunais. Essa nova formalização do Conselho vai gerar mais uma ação, com certeza.

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