Em El Salvador, a ascensão de Nayib Bukele ao poder em 2019 foi celebrada como o triunfo de uma nova política sobre décadas de bipartidarismo e violência endêmica. Mas documentos penitenciários e sanções americanas sugerem que a dramática queda nos homicídios — apresentada como vitória da força estatal — teria sido precedida por negociações clandestinas com as próprias gangues que o governo afirmava combater. É um padrão antigo na história humana: a ordem conquistada às escondidas, exibida em público como conquista moral.
As negociações ocultas por trás do sucesso de Bukele contra a violência
Milhares de salvadorenhos foram encarcerados em massa a partir de 2022 sob regime de exceção, com prisões utilizadas como espaços de recrutamento e organização de gangues.