Artista japonês transforma árvores danificadas por ursos em arte valiosa com resina natural

Ursos causaram 13 mortes e mais de 220 ferimentos entre abril de 2025 e março de 2026 no Japão.
Quanto mais irregular for o material, mais o trabalho artesanal poderá evidenciar sua individualidade.
Tsutsumi explica como o urushi transforma as cicatrizes deixadas pelos ursos em características únicas e belas.
Mark

Por que um artesão de resina natural se interessaria por árvores danificadas por ursos? Parece um nicho muito específico.

Mimi

Tsutsumi viu uma oportunidade onde outros viam apenas perda. A indústria madeireira estava sofrendo — árvores valiosas sendo destruídas, e a reação pública contra os ursos ficando cada vez mais hostil. Ele pensou: e se em vez de esconder essas cicatrizes, eu as realçasse?

Luke

Mas quantas árvores danificadas existem realmente? O artigo diz que a indústria madeireira foi "a mais afetada", mas não dá números sobre o volume total de madeira perdida ou quantas árvores são danificadas por ano.

Mimi

É um ponto justo. O que sabemos é que uma árvore de cedro perde 25% do valor mínimo, e muitas vezes o dano real é maior quando descoberto na serraria. Mas você está certo — não temos escala.

Mark

E quanto ao impacto do projeto? Ele está realmente mudando como as pessoas pensam sobre os ursos?

Mimi

Tsutsumi diz que as pessoas que compram os produtos se identificam com a ideia de coexistência. Mais de uma dezena de workshops foram realizados desde 2022. Mas é difícil medir mudança de atitude em larga escala.

Luke

Exatamente. O projeto é bonito e bem-intencionado, mas 13 mortes e 220 ferimentos em um ano é um número real. Não sabemos se vender uma prancha de surfe de madeira de urso realmente muda a política de abate ou a segurança pública.

Mimi

Verdade. Mas talvez não seja sobre resolver o conflito inteiro. Talvez seja sobre criar um espaço onde a conversa pode ser diferente — menos "morte ou abate", mais "como vivemos juntos".

Mark

O pesquisador mencionou que árvores danificadas podem desenvolver ocos que são valiosos para espécies ameaçadas. Isso significa que deixar as árvores danificadas em pé é melhor do que transformá-las em arte?

Luke

Ótima pergunta. O projeto salva árvores que seriam destruídas por trituradores de madeira — então não é uma escolha entre "deixar na floresta" e "fazer arte". É entre "destruir completamente" e "dar uma segunda vida".

Mimi

E há algo poético nisso. Uma árvore que foi danificada, que perderia todo o valor, agora é apreciada por sua singularidade. Pessoas tocam essas peças e pensam nos ursos de forma diferente.

  • Ursos causaram 13 mortes e mais de 220 ferimentos entre abril de 2025 e março de 2026 no Japão
  • Uma árvore de cedro japonês danificada por ursos perde no mínimo 25% de seu valor comercial
  • Takuya Tsutsumi lançou o 'Bears Wood Project' em 2022, transformando madeira danificada em arte com resina natural
  • Mais de uma dezena de workshops foram realizados desde o lançamento do projeto

Ursos danificam árvores valiosas no Japão, reduzindo seu valor comercial em até 75%, afetando severamente a indústria madeireira. O projeto 'Bears Wood Project' de Takuya Tsutsumi realça as marcas dos ursos com urushi, transformando 'imperfeições' em características únicas e belas.

Um artesão japonês usa resina natural para transformar cicatrizes deixadas por ursos em madeira em obras de arte valiosas, promovendo coexistência entre humanos e animais selvagens.

Nas florestas do Japão, quando um urso acorda da hibernação e descasca uma árvore em busca de seiva e nutrientes, deixa para trás cicatrizes que destroem o valor comercial da madeira. Uma árvore de cedro japonês danificada dessa forma — o que os florestais chamam de kumahagi, ou "descascamento por ursos" — perde no mínimo 25% de seu preço. Mas quando a madeira chega à serraria, os danos costumam ser piores do que pareciam: distorções internas, descolorações, veios irregulares que não se encaixam nas especificações de corte reto e padronizado. O resultado é que o fabricante fica com metade do que pagou, às vezes menos.

Entre abril de 2025 e março de 2026, os ursos foram responsáveis por 13 mortes e mais de 220 ferimentos no Japão, levando o governo a classificá-los como "uma séria ameaça à segurança pública e à paz". A indústria madeireira, já fragilizada pela falta de mão de obra, foi a mais atingida. Os ursos tendem a atacar árvores grandes, saudáveis e de alta qualidade — cedros cultivados com cuidado durante 60 a 80 anos. Para os florestais que cuidaram dessas árvores, às vezes por gerações, a perda transcende o prejuízo econômico. Ela é emocional. Essa pressão acumulada alimentou uma reação negativa contra os animais, com discussões públicas focadas em "perigo" e "abate".

Takuya Tsutsumi, proprietário da quarta geração da Tsutsumi Asakichi Urushi Inc., uma fabricante familiar sediada em Kyoto dedicada à arte milenar do urushi — a resina natural que dá acabamento brilhante às peças — viu nesse problema uma oportunidade diferente. Em 2022, ele lançou o "Bears Wood Project", uma iniciativa que salva árvores antigas e danificadas da destruição por trituradores de madeira e as transforma em artefatos preciosos usando as propriedades luminosas do urushi. O conceito é direto: em vez de esconder as imperfeições deixadas pelo kumahagi, as camadas de resina as realçam. Quanto mais irregular for o material, mais o trabalho artesanal pode evidenciar sua individualidade.

O projeto faz mais do que criar arte. Ele muda a narrativa. "Quando os ursos aparecem na televisão ou nas redes sociais japonesas, a discussão costuma ser negativa", disse Tsutsumi à CNN. "Na nossa escala, queremos promover uma perspectiva diferente: em vez de pensar se os ursos devem ser mortos, perguntamos como podemos reconstruir um ambiente em que pessoas e ursos coexistam." As peças finalizadas — pranchas de surfe, skates, agarras de escalada, cadeiras, materiais de reforma residencial — são vendidas na loja de Tsutsumi em Kyoto. Desde o lançamento, foram organizadas mais de uma dezena de workshops onde participantes de todas as idades aprendem sobre ursos asiáticos japoneses e como a conservação pode começar com um único pedaço de madeira.

Há também uma dimensão ecológica que o projeto ilumina. Liam Adcock, pesquisador do Centro de Pesquisa da Vida Selvagem de Picchio no Japão, explicou que árvores mortas e em decomposição são parte importante dos ecossistemas florestais, fornecendo habitat e alimento para insetos, fungos e outros organismos. Árvores danificadas podem desenvolver ocos ao longo do tempo, e essas cavidades são particularmente valiosas para algumas espécies. A coruja-pescadora-de-Blakiston, uma espécie ameaçada de extinção que depende de grandes árvores maduras com cavidades para nidificação, tem apenas 150 exemplares restantes no Japão.

Tsutsumi observa que as pessoas que compram produtos feitos de "madeira de urso" são atraídas não apenas pela história do dano animal, mas porque se identificam com a ideia por trás do projeto — a noção de que tanto os ursos quanto os humanos que trabalham nas florestas saem ganhando. "Com este projeto, queremos que as pessoas vivenciem a floresta e a mata por si mesmas e reflitam sobre como os ursos, as pessoas, as florestas e nosso cotidiano estão todos interligados", disse ele. Essa conexão, acredita, é o que faz as pessoas se importarem. E quando as pessoas se importam, a conversa muda.

Os ursos tendem a atacar árvores grandes, saudáveis e de alta qualidade, que foram cultivadas com cuidado por 60 a 80 anos. A perda também se torna emocional, já que as pessoas cuidaram dessas árvores, às vezes por gerações.
— Takuya Tsutsumi
Em vez de pensar se os ursos devem ser mortos, perguntamos como podemos reconstruir um ambiente em que pessoas e ursos coexistam.
— Takuya Tsutsumi
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