Arthur Paek lança livro de culinária coreana e quer popularizar gastronomia do país

Só falta a oportunidade das pessoas provarem
Arthur Paek sobre por que acredita que a gastronomia coreana pode conquistar o público brasileiro agora.
Mark

Como um influenciador tão jovem consegue manter essa consistência de produção? Três dias por vídeo parece muito.

Mimi

É porque ele realmente se dedica. Testa a receita, grava separadamente, depois com o convidado, e depois passa horas editando. Cada detalhe importa — ele estuda o BPM da música antes de começar.

Luke

Mas quantos vídeos ele publica por semana? Se cada um leva três dias, isso limita bastante a frequência. O texto não deixa claro.

Mark

Ótimo ponto. E quanto ao livro — como ele se diferencia dos vídeos que ele já faz?

Mimi

O livro traz as histórias familiares, a perspectiva da mãe dele sobre preservar a cultura desde 1976. É mais contextual, mais profundo do que um vídeo de receita.

Luke

Mas o texto não diz quantas receitas estão no livro, nem dá exemplos específicas além do japchae. Sabemos que tem 104 páginas, mas não sabemos realmente o que esperar ao abrir.

Mark

Então o livro é mais sobre identidade do que sobre técnica culinária?

Mimi

Acho que é os dois. Ele cresceu misturando kimchi no arroz com feijão — isso é identidade. Mas também é técnica, porque a mãe dele criou processos próprios para fazer ingredientes que não existiam aqui.

Luke

Verdade. E isso é interessante porque mostra que a culinária coreana no Brasil não é pura — é adaptada, é híbrida. Mas o livro explora isso?

Mimi

Pelo que o texto diz, sim. A mãe fala sobre o esforço de manter tradições, e ele inclui essas histórias. Parece que sim.

Mark

E o timing do lançamento — ele acha que k-pop e k-drama criaram a oportunidade?

Mimi

Exatamente. Ele diz que as pessoas ouvem a música, absorvem a novela, e depois querem provar a comida. É um caminho natural.

Luke

Mas isso é especulação dele, não é dado. Não sabemos se as vendas do livro vão confirmar isso.

  • Com 6,6 milhões de seguidores no Instagram, Arthur Paek lança 'Arthur Paek: Comida Coreana', seu primeiro livro, pela Senac São Paulo — levando receitas familiares para além das telas.
  • Cada vídeo esconde uma operação invisível: três dias de produção, até oito horas de edição e um estudo minucioso do BPM da trilha antes de encaixar um único take.
  • O bordão 'vamos fazer um (...)' escapou das cozinhas e foi adotado por advogados e médicos, revelando o alcance cultural de um formato que parecia apenas gastronômico.
  • A mãe Regina, que chegou ao Brasil em 1976 e fabricava gochugaru com pimentão brasileiro por falta de ingredientes, é a raiz silenciosa de tudo — e foi ela quem filmou os primeiros vídeos do filho.
  • Paek enxerga no boom do k-pop e dos k-dramas uma janela estratégica: quem já ouviu a música e assistiu à novela está, segundo ele, a um passo de querer provar a comida.

Entre o kimchi no arroz com feijão e as páginas de um livro lançado na Bienal, Arthur Paek percorreu o caminho que muitos filhos de imigrantes conhecem bem: o de preservar uma identidade enquanto se constrói outra. Aos 25 anos, com milhões de seguidores e uma câmera que já foi um iPhone esquecido, ele transforma memórias culinárias de família em ponte entre a Coreia e o Brasil — apostando que o apetite global pelo k-pop pode abrir espaço também para o gochugaru nas cozinhas brasileiras.

Arthur Paek cresceu colocando kimchi no arroz com feijão sem ver nisso nenhum conflito — era apenas o jeito natural de sua casa. Aos 25 anos, com 6,6 milhões de seguidores no Instagram e 4,9 milhões no TikTok, ele reconhece naquele gesto infantil algo mais profundo: o esforço deliberado de seus pais para preservar uma identidade coreana dentro de uma vida brasileira. Esse esforço virou livro — 'Arthur Paek: Comida Coreana', lançado na Bienal do Livro pela Senac São Paulo, com 104 páginas e preço de 110 reais.

Sua mãe, Regina, chegou ao Brasil em 1976 com nove anos, instalando-se no Bom Retiro em um lar onde só se falava coreano. Encontrar ingredientes típicos era quase impossível, então a família adaptava: o gochugaru era feito com pimentão brasileiro. Para Regina, o esforço tinha um propósito claro — ser brasileira sem deixar de ser coreana. Ela também foi a primeira produtora do filho, comprando ingredientes e ajudando a filmar os vídeos iniciais.

Arthur começou a gravar durante a pandemia, em um iPhone antigo, frequentemente até a madrugada, enquanto cursava administração. Com o tempo, descobriu que sua paixão ia além da culinária: era pelo audiovisual, pela edição, pelo ritmo. Hoje trabalha com sua quinta câmera em um apartamento reformado como estúdio. Cada vídeo leva três dias — teste de receita, gravação solo, gravação com convidado e até oito horas de edição, com o BPM da trilha estudado antes de começar.

Entre seus convidados estão Alex Atala, Pabllo Vittar, Ivete Sangalo, Fábio Porchat, Cauã Reymond e Maisa. O vídeo com Rodrigo Hilbert preparando japchae acumulou mais de 2 milhões de likes. Seu bordão 'vamos fazer um (...)' foi tão replicado que profissionais de outras áreas passaram a usá-lo em seus próprios conteúdos.

Paek acredita ter chegado na hora certa: o k-pop e os k-dramas já abriram portas para a cultura coreana no Brasil. A comida, diz ele, é o próximo passo natural. 'Só falta a oportunidade das pessoas provarem.' O livro é sua aposta de que essa oportunidade pode chegar através das páginas.

Arthur Paek cresceu fazendo o que parecia natural: colocava kimchi no arroz com feijão, misturava a conserva coreana no estrogonofe, deixava a culinária de sua família conviver sem conflito com a língua portuguesa, o jeito brasileiro e os amigos da escola. Aos 25 anos, o influenciador com 6,6 milhões de seguidores no Instagram e 4,9 milhões no TikTok agora vê naquele gesto infantil algo mais deliberado — um esforço dos pais em preservar uma identidade que poderia ter se perdido. Algumas dessas histórias e receitas familiares, transmitidas entre gerações, viraram páginas de um livro que ele lançou na Bienal do Livro: "Arthur Paek: Comida Coreana", publicado pela Senac São Paulo, com 104 páginas e preço de 110 reais.

Sua mãe, Regina, chegou ao Brasil em 1976 com nove anos para viver no Bom Retiro, em um lar onde só se falava coreano conforme decidiram seus pais. Naquela época, encontrar ingredientes típicos em mercados brasileiros era praticamente impossível. A família criou seus próprios processos de produção — um caminho que muitas colônias de imigrantes também trilharam por necessidade. O gochugaru, a pimenta em flocos que forma a base do kimchi, passou a ser feito com variedades brasileiras ou pimentão. Para Regina, o empenho tinha um propósito claro: ser brasileira sem deixar de ser coreana. Ela se tornou também uma das grandes incentivadoras do filho quando ele decidiu seguir carreira como influenciador, comprando ingredientes na mercearia coreana e ajudando a filmar seus primeiros vídeos.

Arthur começou a gravar conteúdo durante a pandemia, tentando conciliar essa vida dupla com um curso de administração de jornada integral que iniciou em 2022. A produção, feita em um iPhone antigo cujas origens ele já não consegue lembrar, se estendia frequentemente até a madrugada. Com o tempo, percebeu que sua paixão ia além da culinária — havia descoberto uma vocação pelo audiovisual, pela edição, pelo roteiro. Hoje trabalha com sua quinta câmera e reformou o apartamento para transformá-lo em estúdio, com um carrinho equipado de telas e suportes estacionado permanentemente na cozinha.

Quem vê a pose de galã nas telas não imaginaria que Paek é centrado e quase tímido ao falar sobre seu trabalho. Cada vídeo leva aproximadamente três dias para ficar pronto, e ele é responsável por toda a edição. O processo começa com um teste da receita, depois grava o passo a passo isoladamente, filma novamente com o convidado da vez, e finalmente entra na fase de edição — que pode durar até oito horas. Ele estuda o BPM da trilha sonora antes de começar, encaixando os takes com efeitos sonoros para criar aquele estilo ritmado que marca sua assinatura. Com ajuda de duas assistentes, Paek mantém uma operação que parece simples na tela mas é rigorosamente construída nos bastidores.

Um dos primeiros convidados com bagagem gastronômica foi o apresentador Rodrigo Hilbert, com quem preparou japchae — macarrão de batata-doce — em um vídeo que acumulou mais de 2 milhões de likes no Instagram. A partir daí, começou a gravar com cantores, comediantes, atores e chefs. Seu bordão "vamos fazer um (...)" virou tão replicado na internet que profissionais como advogados e médicos passaram a usá-lo em seus próprios conteúdos. Entre seus convidados estão o chef Alex Atala, o humorista Fábio Porchat, as cantoras Pabllo Vittar e Ivete Sangalo, e os atores Cauã Reymond e Maisa.

Parek acredita que começou sua trajetória em um momento estratégico, depois do sucesso global de bandas de k-pop e produções de k-drama. A música as pessoas ouvem, a novela permite absorver como os coreanos vivem — e a partir disso desperta a curiosidade para experimentar a comida. "Porque ela é realmente muito boa. Só falta a oportunidade das pessoas provarem", diz ele. O livro é sua aposta de que essa oportunidade pode chegar através das páginas, levando receitas que cresceram em sua cozinha para as cozinhas de quem o segue.

Olhando agora em retrospecto, é interessante pensar que realmente foi essa a proposta, talvez até indireta, dos meus pais de quererem preservar nossa cultura
— Arthur Paek
A música você ouve, a novela você absorve a forma como os coreanos vivem. E, a partir disso, desperta a curiosidade para ter a experiência da comida
— Arthur Paek
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