Artemis II decola com sucesso: quatro astronautas rumo à Lua após 50 anos

Vista incrível. Estamos a ver um belo nascer da Lua.
Primeira transmissão do comandante Wiseman após uma hora de voo, após breve perda de comunicações com Houston.
Mark

Porque é que esta missão importa tanto? Não é apenas um voo de observação?

Mimi

É mais do que isso. É o primeiro teste real da Orion com seres humanos a bordo, e o escudo térmico que protege os astronautas foi danificado na última missão não tripulada. Se falhar desta vez, toda a estratégia de regresso à Lua colapsa.

Mark

Então o lançamento foi arriscado?

Mimi

Sempre é. Mas o risco é calculado. Os engenheiros passaram anos a estudar o que correu mal e a redesenhar a trajetória de regresso. Ainda assim, ninguém sabe realmente como vai comportar-se até estar lá em cima.

Mark

E quanto aos astronautas? Sabem que estão a fazer história?

Mimi

Claro que sabem. Mas no espaço, a história é secundária. O que importa é o próximo sistema, o próximo procedimento, a próxima comunicação com Houston. A história vem depois, quando regressam.

Mark

Porque é que o pólo sul da Lua é tão importante para futuras alunagens?

Mimi

Porque há água gelada lá. Água significa combustível, significa água potável, significa a possibilidade de permanecer na Lua durante mais tempo. É a diferença entre uma visita e uma base permanente.

Mark

E Marte? Isto é realmente sobre Marte?

Mimi

Tudo na Artemis é sobre Marte. A Lua é o laboratório onde aprendemos a viver e a trabalhar fora da Terra. Sem dominar a Lua, Marte permanece um sonho impossível.

  • O countdown foi suspenso nos minutos finais para resolver uma falha no sistema de ejeção de emergência, mantendo o mundo em suspenso antes do lançamento.
  • Quase uma hora após a descolagem, Houston perdeu o contacto com a nave, e o silêncio nas transmissões em direto evocou os momentos mais sombrios da exploração espacial.
  • O comandante Reid Wiseman restabeleceu as comunicações e transmitiu uma mensagem que desarmou a tensão: 'Vista incrível. Estamos a ver um belo nascer da Lua'.
  • A missão carrega consigo não apenas quatro astronautas, mas estudos biomédicos sobre os efeitos da radiação e da microgravidade — investigação essencial para futuras viagens de longa duração.
  • O sucesso da Artemis II abre caminho para a Artemis III em 2028, que deverá permitir o primeiro pouso humano no pólo sul lunar desde a era Apollo.

Pela primeira vez em mais de meio século, seres humanos partiram rumo à Lua — não para pousar, mas para reconhecer o caminho. Em 1 de Abril, quatro astronautas a bordo da cápsula Orion deixaram o Centro Espacial Kennedy numa missão de dez dias que contornará o satélite natural da Terra, incluindo a sua face oculta, numa viagem que é simultaneamente um ensaio técnico e um gesto simbólico de renovação da ambição humana. A Artemis II não é um destino, mas uma promessa: a de que, em 2028, a humanidade voltará a pisar a Lua.

No final da tarde de 1 de Abril, quatro astronautas — Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadiana — descolaram do Centro Espacial Kennedy a bordo da cápsula Orion, impulsionada pelo foguetão Space Launch System. Era a primeira vez em mais de cinco décadas que seres humanos partiam em direção à Lua.

O lançamento não decorreu sem tensão. O countdown foi interrompido para resolver um problema no sistema de ejeção de emergência, e quase uma hora após a descolagem, o Centro de Controlo em Houston perdeu as comunicações com a nave. Durante minutos angustiantes, milhões de pessoas acompanharam o silêncio nas transmissões em direto — até que a tripulação restabeleceu o contacto e Wiseman enviou uma mensagem serena: 'Vista incrível. Estamos a ver um belo nascer da Lua'.

A Artemis II é uma missão de dez dias sem alunagem — um ensaio geral para as missões tripuladas que virão. A 6 de Abril, os astronautas observarão a face oculta da Lua a cerca de 8 mil quilómetros de distância, recolhendo fotografias e dados científicos sobre potenciais locais de pouso futuro. A bordo, cada membro da tripulação participa também em estudos biomédicos sobre os efeitos da radiação e da microgravidade no organismo humano.

O caminho até este lançamento foi longo: a missão sofreu vários adiamentos desde 2024, motivados por fugas de hidrogénio e problemas no fluxo de hélio. A NASA aproveitou esse tempo para corrigir falhas identificadas na Artemis I, nomeadamente danos no escudo térmico da Orion durante a reentrada atmosférica. Agora, com a Artemis II em curso, a agência olha já para a Artemis III, prevista para 2028, que deverá levar humanos ao pólo sul lunar pela primeira vez na história.

No final da tarde de 1 de Abril, sob um céu limpo e com brisa suave, quatro astronautas deixaram a Terra rumo à Lua pela primeira vez em mais de cinco décadas. Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, todos da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadiana, ergueram-se do Centro Espacial Kennedy na Florida a bordo da cápsula Orion, impulsionada pelo foguetão Space Launch System. Eram 23h35 em Portugal quando os motores rugiam e a nave desaparecia no céu, rodeada de chamas, levando consigo uma geração de esperança que não via seres humanos partir para o satélite natural desde a era Apollo.

O lançamento não foi sem sobressaltos. O countdown foi interrompido nos minutos finais para resolver um problema no sistema de ejeção de emergência — o mecanismo que protegeria os astronautas caso algo corresse mal durante a descolagem. Mas os responsáveis de cada sistema confirmaram sucessivamente o estado nominal de todos os equipamentos, e a contagem regressiva prosseguiu até ao momento decisivo. Poucos minutos após o lançamento, os dois propulsores laterais de combustível sólido separaram-se, e a Orion cruzou a linha de Kármán, o limite invisível que marca o fim da atmosfera terrestre e o início do espaço.

Quase uma hora depois da descolagem, porém, o Centro de Controlo em Houston perdeu as comunicações com a nave. Durante alguns minutos tensos, os responsáveis repetiram a frase que ninguém queria ouvir: "Houston is not receiving communications from the spacecraft". A transmissão em direto, acompanhada por milhões de pessoas, foi invadida por um silêncio angustiante que evocava os piores momentos da história da exploração espacial. Mas a tripulação conseguiu restabelecer o contacto, e Wiseman, o comandante da missão, transmitiu uma mensagem que acalmou os corações: "Vista incrível. Estamos a ver um belo nascer da Lua".

A Artemis II é uma missão de dez dias durante a qual a Orion contornará a Lua sem pousar na sua superfície — um ensaio geral para as alunagens tripuladas que virão. A 6 de Abril, os astronautas observarão a face oculta do satélite a uma distância de cerca de 8 mil quilómetros, uma perspetiva que nenhum ser humano vivo jamais contemplou com os seus próprios olhos. Nessa proximidade, a Lua parecerá ter o tamanho de uma bola de basquetebol segurada com o braço estendido. Durante essas horas cruciais, a tripulação recolherá fotografias e dados científicos sobre crateras de impacto, antigos fluxos de lava e, crucialmente, potenciais locais de alunagem para futuras missões.

Mas esta viagem é mais do que um voo de observação. Os quatro astronautas participam em vários estudos sobre o impacto do espaço na saúde humana — investigação que será essencial para preparar futuras missões de longa duração. Amostras de tecido de cada membro da tripulação foram colocadas em chips do tamanho de uma pen USB para ajudar os investigadores a compreender como a radiação aumentada e a microgravidade afetam os órgãos humanos. Cada astronauta usa também um monitor no pulso para registar padrões de sono, níveis de atividade e bem-estar, e terá de recolher amostras de saliva para estudos sobre a resposta do sistema imunitário no espaço.

O caminho até este lançamento foi longo e repleto de obstáculos. A Artemis II estava inicialmente prevista para 2024, mas foi adiada várias vezes. Em Fevereiro, fugas de hidrogénio líquido detetadas durante testes de abastecimento forçaram um adiamento para Março. Depois, problemas no fluxo de hélio empurraram a missão novamente para Abril. Estes atrasos refletem o trabalho meticuloso dos engenheiros para resolver problemas identificados durante a Artemis I, a missão de teste não tripulada de 25 dias lançada em Novembro de 2022. Nessa primeira missão, o escudo térmico da Orion sofreu danos inesperados durante a reentrada na atmosfera, exposto a temperaturas de cerca de 2.760 graus Celsius. Para a Artemis II, a NASA alterou a trajetória de regresso à Terra para reduzir o tempo passado em temperaturas extremas e evitar o mesmo problema.

O administrador da NASA, Jared Isaacman, descreveu a Artemis II como "o primeiro ato" de um programa muito mais ambicioso. Se tudo correr conforme previsto, a Artemis III, agendada para 2028, deverá permitir o primeiro pouso humano na Lua desde 1972, previsivelmente no enigmático pólo sul lunar. A agência espera realizar até duas alunagens tripuladas nesse ano, estabelecendo as bases para uma presença humana sustentada no satélite e, eventualmente, para futuras missões a Marte. Por enquanto, a Orion segue a sua trajetória em torno da Lua, e a humanidade observa, esperançosa, enquanto os seus representantes viajam para além do horizonte que nos tem definido durante gerações.

A Artemis II é o primeiro ato do resto do programa. Nunca nenhum ser humano voou antes na Orion, e vamos pô-la verdadeiramente à prova.
— Jared Isaacman, administrador da NASA
Möchten Sie die ganze Geschichte? Das Original lesen bei ZAP ↗
Kontakt FAQ