Argentina prepara 'festa de agradecimento' para despedida histórica de Messi

Vai ser um dia inesquecível para todos
O técnico Lionel Scaloni sobre a despedida histórica de Messi no estádio Monumental.
Mark

Por que essa partida contra o Benin é tão importante se o resultado não importa?

Mimi

Porque não é sobre futebol, é sobre encerramento. Messi jogou 207 vezes pela Argentina em 21 anos. Esse jogo é a chance de Buenos Aires dizer obrigado.

Luke

Mas por que escolher o Benin especificamente? Eles são a 89ª seleção do mundo. Isso não parece um pouco... vazio?

Mimi

Talvez. Mas a AFA quis um adversário que não desviasse a atenção. O foco é Messi, não a competição.

Mark

E quanto aos números que ele deixa para trás? 125 gols em 207 jogos — alguém vai quebrar esses recordes?

Luke

Ninguém quebrou ainda em 21 anos. A próxima geração tem Romero, Enzo Fernández, Lautaro Martínez. Mas eles começam do zero.

Mimi

O que torna Messi único não é só os gols. É a persistência. Ele quase saiu em 2016, depois de uma derrota na Copa América.

Mark

E voltou. Por quê?

Mimi

Porque acreditava que havia mais a fazer. E estava certo — ganhou duas Copas América e a Copa do Mundo em 2022.

Luke

Mas há algo que não sabemos ainda: ele vai realmente pendurar as chuteiras antes de 2028? Depois da morte do pai, ele disse que pode. Isso é especulação.

Mark

Então essa despedida pode não ser definitiva?

Luke

Não. Mas o que sabemos é que ele anunciou aposentadoria em agosto. O resto é incerteza.

  • 207 jogos e 125 gols pela Argentina em 21 anos — recordes que ninguém mais alcançou
  • Ingressos para o amistoso no estádio Monumental se esgotaram em menos de duas horas
  • Messi recebeu título de doutor Honoris Causa da Universidade de Buenos Aires antes do jogo
  • Buenos Aires iluminará monumentos em azul-celeste, incluindo o Obelisco
  • Geração liderada por Cristian Romero, Enzo Fernández e Lautaro Martínez assume o bastão

Messi encerra ciclo de 207 jogos e 125 gols pela Argentina, recordes que ninguém mais alcançou na história da seleção. Ingressos para o amistoso no estádio Monumental se esgotaram em menos de duas horas; Buenos Aires iluminará monumentos em azul-celeste.

Lionel Messi faz seu último jogo pela seleção argentina nesta terça-feira contra o Benin em Buenos Aires, em evento celebrativo que marca o encerramento de 21 anos de carreira na Albiceleste.

Lionel Messi entra em campo nesta terça-feira, 6 de outubro, no estádio Monumental de Buenos Aires para jogar pela última vez pela seleção argentina. O adversário é o Benin, time que ocupa a 89ª posição no ranking da Fifa e nunca disputou uma Copa do Mundo. O placar importa pouco. O que importa é que 85 mil pessoas — os ingressos se esgotaram em menos de duas horas — vão testemunhar o encerramento de um ciclo que começou em agosto de 2005 e atravessou duas décadas inteiras da história do futebol argentino.

Messi, aos 39 anos, acumula números que ninguém mais alcançou na camisa albiceleste: 207 jogos e 125 gols. Antes de pisar no gramado, recebeu da Universidade de Buenos Aires o título de doutor Honoris Causa — uma homenagem que o tocou profundamente, já que o jogador sempre lamentou não ter podido estudar. "Posso dizer que sou médico honorário", brincou, aos risos. Nos arredores da sede da Associação do Futebol Argentino, torcedores estenderam uma enorme bandeira argentina com sua imagem e a frase "a alegria da minha vida", esperando vê-lo partir rumo ao estádio.

O evento foi pensado como uma festa de agradecimento, conforme explicou o escritor Ezequiel Fernández Moores à AFP. "O adversário é o que menos importa, tudo isso será uma festa para agradecer a Messi." A cerimônia reunirá nomes que acompanharam o craque em sua trajetória — campeões mundiais do Catar 2022, entre eles Ángel Di María, já aposentado da seleção. Um ex-combatente da Guerra das Malvinas, Fabio Santana, foi convocado para cantar o hino nacional, escolha que não é casual: a Argentina disputa a soberania das ilhas com a Inglaterra, e após a vitória por 2 a 1 na semifinal da Copa do Mundo de 2026 contra os ingleses, alguns jogadores estenderam uma bandeira reivindicando essa causa identitária. Messi vestirá uma camisa comemorativa com uma faixa branca no centro e os raios de sol da bandeira nacional.

Buenos Aires se prepara para iluminar seus principais monumentos de azul-celeste, entre eles o emblemático Obelisco. O técnico Lionel Scaloni afirmou que "vai ser um dia inesquecível para todos". Messi, porém, reconheceu a dificuldade emocional do momento. "É um dia muito especial para mim, sei que vai ser difícil. Vou tentar desfrutar, estou tranquilo, mas à medida que o momento do jogo se aproxima, vai ficando mais complicado", disse.

O adeus chega num momento em que Messi está no auge de sua popularidade — longe dos tempos em que parte do público argentino criticava seu desempenho e o comparava a Diego Maradona. Cecilia Adriano, torcedora de 52 anos, expressou o sentimento de muitos: "Como considero que Messi deu tudo, absolutamente tudo, não sinto nada com a sua saída. Ele merece muito, que aproveite, que descanse". Fernández Moores atribui essa mudança à persistência do jogador. "Quando te dizem que tudo é breve, tudo é efêmero, que as coisas não duram nem cinco minutos, aí está o exemplo na contramão de Messi, dizendo que é preciso persistir."

A trajetória de Messi na seleção foi marcada por altos e baixos. Foi vice-campeão mundial na Copa de 2014 e na de 2026, perdeu três finais de Copa América e, após uma dessas derrotas, anunciou em 2016 que deixaria a seleção — afastamento que durou apenas dois meses. Depois disso, desfrutou-se daquela que é considerada a melhor seleção albiceleste de todos os tempos. Ganhou duas Copas América (2021 e 2024), a Finalíssima e a Copa do Mundo em 2022, a primeira da Argentina desde a conquista de Maradona em 1986.

Messi anunciou sua aposentadoria da seleção no final de agosto, pouco depois do falecimento de seu pai, Jorge, que também era seu empresário. O craque tem contrato com o Inter Miami até 2028, embora tenha revelado que pode pendurar as chuteiras antes do previsto. Fernández Moores resumiu o legado: "Messi esteve quase 20 anos no pódio do futebol mundial. E quem faz isso? Quem consegue isso nos dias de hoje? Isso é o mais notável".

O amistoso contra o Benin também marcará a despedida do veterano zagueiro Nicolás Otamendi. A geração liderada por Cristian Romero, Enzo Fernández, Julián Álvarez e Lautaro Martínez assumirá o bastão da seleção argentina.

É um dia muito especial para mim, sei que vai ser difícil. Vou tentar desfrutar, estou tranquilo, mas à medida que o momento do jogo se aproxima, vai ficando mais complicado
— Lionel Messi
Messi esteve quase 20 anos no pódio do futebol mundial. E quem faz isso? Quem consegue isso nos dias de hoje? Isso é o mais notável
— Ezequiel Fernández Moores, escritor
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