Numa madrugada qualquer, em algum canto silencioso, aranhas seguem um ritmo que a ciência só agora começou a enxergar com clareza. Pesquisadores, usando câmeras de luz infravermelha que não as perturbam, registraram períodos de descanso que chegam a 10 ou 11 horas seguidas, e nesses intervalos surge um estágio de sono semelhante ao REM humano. Mais do que uma curiosidade sobre aracnídeos, o achado nos lembra que a necessidade de dormir e de sonhar talvez seja uma herança mais antiga e mais ampla do que supúnhamos, e que ainda não sabemos plenamente o que esse sono faz por quem o vive.
Aranhas passam por sono REM e compensam noites perdidas, aponta estudo
Compensaram na noite seguinte, com quase 80% mais sono REM
Numa madrugada qualquer, em algum canto silencioso, aranhas seguem um ritmo que a ciência só agora começou a enxergar com clareza. Pesquisadores, usando câmeras de luz infravermelha que não as perturbam, registraram períodos de descanso que chegam a 10 ou 11 horas seguidas, e nesses intervalos surge um estágio de sono semelhante ao REM humano. Mais do que uma curiosidade sobre aracnídeos, o achado nos lembra que a necessidade de dormir e de sonhar talvez seja uma herança mais antiga e mais ampla do que supúnhamos, e que ainda não sabemos plenamente o que esse sono faz por quem o vive.
Durante a madrugada, pesquisadores acompanharam aranhas com câmeras de luz infravermelha, uma forma de observar sem incomodar os animais em sua rotina noturna. As imagens mostraram janelas de descanso contínuo de 10 a 11 horas, longas o bastante para chamar atenção.
O ponto central do estudo é a presença de um estágio de sono REM parecido com o dos humanos. Foi essa semelhança que levou os cientistas a dizer que as aranhas podem sonhar, embora o que foi medido diretamente seja o estágio de sono, e não o sonho em si. Para não confundir sono com simples imobilidade, a equipe testou a reação dos animais a sons. Durante o REM, as aranhas demoraram bem mais para responder ou deixaram os estímulos passar, sinal de sono profundo.
Um segundo experimento perguntou se esse sono é necessário. Ao interromper o descanso com moscas-da-fruta, os pesquisadores viram as aranhas compensarem na noite seguinte, com aumento de quase 80% no tempo de sono REM. Esse comportamento de recuperação sugere uma necessidade biológica real, como em outros animais, inclusive humanos. O próximo passo da pesquisa, ainda pouco detalhado, deve buscar entender o que esse sono faz por esses aracnídeos.
Durante a madrugada, câmeras de luz infravermelha acompanharam aranhas sem que os animais fossem incomodados. Os pesquisadores escolheram esse método para filmar a noite inteira sem interferir na rotina noturna das aranhas. As imagens mostraram uma janela principal de descanso que se estende por 10 a 11 horas contínuas.
O achado central é que esses animais passam por um estágio de sono REM semelhante ao dos humanos. Por isso, os cientistas afirmam que as aranhas podem sonhar. A formulação importa: o que o estudo registrou foi o estágio de sono, e a ideia de sonho decorre dessa semelhança com o sono REM humano.
Filmar um bicho parado não prova que ele dorme. Para separar o sono do simples repouso, a equipe fez testes de reação sonora. Durante os episódios de sono REM, as aranhas demoraram bem mais para responder aos barulhos ou ignoraram os estímulos por completo. Essa menor reatividade é o que sustenta a conclusão de que se trata de sono profundo, e não de imobilidade.
Um segundo experimento tratou de uma pergunta diferente: o animal precisa desse sono? Os pesquisadores aplicaram um teste de privação, usando moscas-da-fruta para interromper o descanso noturno dos aracnídeos. Com a noite perturbada pelos insetos, as aranhas compensaram na noite seguinte, aumentando o tempo total de sono REM em quase 80%.
Essa compensação sugere uma necessidade biológica. Um animal que recupera o sono perdido se comporta como quem tem uma dívida a pagar, padrão conhecido em outros bichos, humanos incluídos. O resultado reforça que o estágio observado cumpre uma função, e não é um detalhe acidental do comportamento.
O texto original deixa em aberto o que a ciência quer descobrir a partir de agora, sem detalhar as próximas etapas. Fica a observação de que o sono REM, antes associado a animais mais familiares, aparece também em aracnídeos, e que as perguntas seguintes dizem respeito ao que ele faz por eles.