Entre os dias 5 e 8 de outubro, Aracaju mobiliza agentes de endemias para percorrer vielas, terrenos baldios e quarteirões inacessíveis ao carro fumacê convencional, levando às costas o inseticida que interrompe o voo do Aedes aegypti em quatro bairros da cidade. A operação é sinal tanto de alerta quanto de avanço: o índice de infestação recuou de 1,5% para 0,9%, mas a vigilância sabe que números em queda não dispensam presença em campo. Na longa batalha contra a dengue, a zika e a chikungunya, cada beco alcançado por uma mochila de pulverização é um fragmento a menos do território cedido ao m
Aracaju intensifica combate ao Aedes aegypti com fumacê costal em quatro bairros
O fumacê costal chega onde o carro não entra
Por que a prefeitura escolheu justamente esses quatro bairros para o fumacê costal agora?
A decisão leva em conta a relação entre o índice de infestação do mosquito e o número de casos confirmados. Alguns bairros têm visto aumento na infestação coincidindo com mais notificações de dengue e chikungunya.
Mas o índice geral caiu para 0,9%. Como isso se encaixa com a intensificação?
Exatamente — a redução é real, mas não é uniforme. Há bairros com índices maiores que outros, e nesses lugares a transmissão está mais ativa.
O fumacê costal é realmente eficaz, ou é mais uma medida simbólica?
Não é simbólica. O supervisor explica que o equipamento costal chega a lugares onde o carro fumacê não consegue — vielas, terrenos baldios. É complementar, não substitui o trabalho diário.
Complementar a quê, exatamente? Qual é o trabalho diário que continua?
Agentes de endemias visitam imóveis todos os dias eliminando criadouros — água parada em recipientes, calhas entupidas. O fumacê ataca o mosquito adulto; o trabalho diário ataca as larvas.
E a comunidade? Qual é o papel dela nisso tudo?
Fundamental. A prefeitura deixa claro que sem a limpeza de quintais, sem eliminar recipientes que acumulam água, nenhuma ação do poder público funciona completamente.
Então se os casos continuarem subindo, a gente sabe que não é culpa só do fumacê?
Exatamente. É um indicador de que a participação comunitária não está acontecendo como deveria, ou que há fatores epidemiológicos mais complexos em jogo.
Le Pouls
- Quatro bairros — Aeroporto, Inácio Barbosa, Marivan e Atalaia — entram na mira de uma operação que visitará 57 quarteirões e 2.298 imóveis em apenas quatro dias.
- O fumacê costal existe justamente para os lugares onde o veículo não chega: vielas estreitas e terrenos baldios que funcionam como refúgio silencioso para mosquitos adultos.
- Apesar da queda no índice geral de infestação, alguns bairros concentram simultaneamente maior presença do Aedes e maior número de notificações de arboviroses, justificando o reforço cirúrgico.
- A prefeitura amplia a estratégia com mutirões de limpeza e Estações Disseminadoras de Larvicida em dez bairros, reconhecendo que matar o mosquito adulto não basta sem eliminar o criadouro.
- Autoridades de saúde alertam que o fumacê costal é medida de surto e bloqueio — não rotina — e que a participação da comunidade na eliminação de recipientes com água continua sendo a defesa mais duradoura.
Entre os dias 5 e 8 de outubro, Aracaju mobiliza agentes de endemias para percorrer vielas, terrenos baldios e quarteirões inacessíveis ao carro fumacê convencional, levando às costas o inseticida que interrompe o voo do Aedes aegypti em quatro bairros da cidade. A operação é sinal tanto de alerta quanto de avanço: o índice de infestação recuou de 1,5% para 0,9%, mas a vigilância sabe que números em queda não dispensam presença em campo. Na longa batalha contra a dengue, a zika e a chikungunya, cada beco alcançado por uma mochila de pulverização é um fragmento a menos do território cedido ao mosquito.
Aracaju prepara uma operação de fumacê costal entre 5 e 8 de outubro para intensificar o combate ao Aedes aegypti em quatro bairros: Aeroporto, Inácio Barbosa, Marivan e Atalaia. Oito agentes de endemias, organizados em duplas, percorrerão 57 quarteirões e alcançarão 2.298 imóveis entre 17h e 19h — janela em que o mosquito transmissor de dengue, zika e chikungunya é mais ativo.
A diferença desta ação está na mobilidade. Enquanto o carro fumacê convencional fica restrito às vias abertas, as mochilas de pulverização costal permitem que as equipes adentrem vielas e terrenos baldios. José Bonfim, supervisor de Endemias, destaca que essa capacidade de acesso é decisiva para cobrir os pontos cegos do controle rotineiro, que continua sendo realizado por outras equipes dentro dos imóveis.
A coordenadora Duanne Marcele esclarece que o fumacê costal é uma medida específica para surtos e bloqueios de transmissão de arboviroses, não um substituto do controle habitual nem uma solução contra pernilongos comuns. A operação ocorre em momento de recuo da infestação: o índice geral caiu de 1,5% em julho para 0,9%, com 32 dos 48 bairros avaliados classificados como baixo risco e nenhum em alto risco.
Ainda assim, a vigilância não relaxa. Entre julho e agosto, o município registrou 480 notificações de dengue, 113 de chikungunya e três de zika. Em certos bairros, o aumento do índice de infestação coincide com maior concentração de casos, o que orienta a escolha das áreas prioritárias. Além do fumacê costal, a prefeitura ampliará mutirões de limpeza e instalará Estações Disseminadoras de Larvicida em dez bairros.
As autoridades reforçam que o controle das arboviroses é tarefa coletiva. Eliminar recipientes com água parada, limpar calhas e quintais e manter ambientes sem criadouros são ações que interrompem o ciclo reprodutivo do mosquito na origem — e continuam sendo, segundo Marcele, a medida mais eficaz de todas.
Aracaju vai intensificar o combate ao Aedes aegypti entre os dias 5 e 8 de outubro com uma operação de fumacê costal que alcançará quatro bairros da cidade. A Secretaria Municipal da Saúde mobilizará equipes de agentes de endemias para aplicar inseticida em áreas externas, visitando 57 quarteirões e atingindo 2.298 imóveis nos bairros Aeroporto, Inácio Barbosa, Marivan e Atalaia. O trabalho será realizado entre 17h e 19h, horário em que o mosquito transmissor de dengue, zika e chikungunya apresenta maior incidência.
Oito profissionais, organizados em duplas, operarão com equipamentos costais — mochilas de pulverização que permitem acesso a locais onde o carro fumacê convencional não consegue chegar. Segundo José Bonfim, supervisor de Endemias da Unidade de Vigilância de Zoonoses, essa mobilidade é crucial. Quando uma equipe encontra vielas ou terrenos baldios durante o trabalho em um quarteirão, o equipamento costal permite a borrifação que o veículo não realizaria. Cada dupla atenderá entre 10 e 18 quarteirões por dia.
A aplicação do inseticida é uma ação complementar, não substitutiva. O trabalho de controle interno — dentro dos imóveis — continua sendo executado diariamente por outras equipes de agentes de endemias. Bonfim ressalta que o fumacê costal atua especificamente nas áreas onde há circulação de mosquitos adultos, enquanto o controle rotineiro segue seu curso. Duanne Marcele, coordenadora da Vigilância em Saúde da SMS, reforça que essa medida é indicada exclusivamente para situações de surtos ou bloqueios de transmissão de arboviroses, não sendo eficaz nem recomendada para o combate rotineiro a pernilongos comuns.
A operação ocorre em um contexto de redução da infestação. O quinto Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti de 2026 registrou índice geral de 0,9%, queda em relação aos 1,5% encontrados em julho. Dos 48 bairros avaliados, 32 foram classificados como de baixo risco e 16 como de médio risco. Nenhum bairro apresenta situação de alto risco. Entre julho e agosto, o município notificou 480 casos de dengue, dos quais 79 foram confirmados. Para chikungunya, foram 113 notificações com 74 confirmações. A zika registrou três notificações com uma confirmação.
Apesar da redução geral do índice de infestação, a Vigilância em Saúde mantém monitoramento constante. Marcele explica que a intensificação das ações considera a relação entre os indicadores de infestação e a ocorrência de casos. Em alguns bairros, o aumento do índice de infestação coincide com áreas que concentram maior número de notificações, justificando a estratégia de reforço. Além do fumacê costal, a prefeitura ampliará os mutirões de limpeza e implementará Estações Disseminadoras de Larvicida em dez bairros da capital.
A prefeitura reforça que o controle das arboviroses é responsabilidade compartilhada. A eliminação de recipientes que acumulam água, a limpeza de quintais e calhas e a manutenção de ambientes livres de possíveis criadouros são medidas que interrompem o ciclo de reprodução do Aedes aegypti. Marcele orienta que a participação da comunidade é necessária, pois impedir o nascimento das larvas continua sendo a medida mais eficaz contra qualquer tipo de mosquito. A programação do fumacê costal será definida conforme o acompanhamento dos indicadores, de modo que outros bairros também poderão receber a ação conforme a necessidade identificada pelas equipes de Vigilância em Saúde.
Citations marquantes
Se a equipe vier circulando no quarteirão e tiver uma viela, o carro não entra, mas nós entramos— José Bonfim, supervisor de Endemias da UVZ
O fumacê serve exclusivamente para o controle de mosquitos adultos em situações específicas de surtos ou bloqueios de transmissão— Duanne Marcele, coordenadora da Vigilância em Saúde