Apple e UE em impasse: 250 reuniões sem acordo sobre Siri AI na Europa

250 reuniões sem que nenhuma das partes ceda
Apple e Comissão Europeia continuam presos num impasse sobre a disponibilidade da Siri AI na União Europeia.
Mark

Porque é que a Apple não consegue simplesmente lançar a Siri AI na Europa como fez noutros sítios?

Mimi

A Apple diz que o DMA, a regulação europeia, cria um conflito entre permitir que concorrentes acedam ao sistema e proteger os dados pessoais dos utilizadores. Ela argumenta que não consegue fazer ambas as coisas em simultâneo.

Luke

Mas a Comissão Europeia diz que o DMA não impede novos produtos. Portanto, a questão é: quem está certo? A Apple tem razão técnica, ou está apenas a recusar-se a cumprir?

Mimi

É difícil dizer sem ver os detalhes das negociações. O que sabemos é que já tiveram 250 reuniões. Isso sugere que não é uma questão simples de sim ou não.

Mark

E quanto aos utilizadores? O que é que isto significa para quem tem um iPhone em Portugal?

Mimi

Significa que não têm acesso à nova Siri. Têm de esperar enquanto a Apple e Bruxelas tentam chegar a acordo.

Luke

Mas a Apple já fez concessões noutras áreas, como a App Store. Porque é que não consegue fazer o mesmo com a Siri?

Mimi

Porque a Siri é diferente. A App Store é sobre distribuição. A Siri é sobre acesso aos dados e ao controlo do sistema operativo. A Apple diz que é mais complicado proteger a privacidade nesse contexto.

Mark

Então, qual é o resultado mais provável?

Mimi

Provavelmente uma solução de compromisso que ninguém gosta completamente. Mas ninguém sabe quando isso vai acontecer.

Luke

E se a Apple simplesmente recusar? Se disser que não consegue cumprir o DMA e a Siri não chega à Europa?

Mimi

Então a Comissão pode aplicar multas ou outras sanções. Mas isso seria uma escalada significativa.

  • Após 250 reuniões sem acordo, a Apple recusa lançar a nova Siri na Europa, invocando um conflito irresolvido entre as exigências de interoperabilidade do DMA e a proteção de dados dos utilizadores.
  • Bruxelas rejeita ser responsável pelo bloqueio, afirmando que o regulamento não impede novos produtos e que a decisão de não lançar a Siri AI é exclusivamente da Apple.
  • A tensão agrava-se porque a Apple já cedeu noutras frentes — lojas alternativas, novos canais de pagamento, substituição da taxa por instalação —, mas essas concessões não desbloquearam o impasse em torno da inteligência artificial.
  • Utilizadores europeus, incluindo em Portugal, ficam sem acesso a funcionalidades disponíveis noutras regiões, enquanto o debate entre abertura de mercado e privacidade continua sem resolução à vista.

Num tempo em que a tecnologia e a soberania regulatória se encontram em tensão crescente, a Apple e a Comissão Europeia acumulam 250 reuniões sem conseguir conciliar duas visões do que significa proteger o utilizador: uma que parte da privacidade como limite, outra que parte da concorrência como garantia. A Siri AI, redesenhada para ser mais capaz e mais integrada, permanece fora do alcance dos europeus — não por razões técnicas, mas por uma disputa filosófica sobre onde termina a regulação e começa a responsabilidade empresarial. Este impasse é, no fundo, um espelho das contradições que surgem quando o impulso de abrir mercados colide com o impulso de proteger dados, e nenhuma das partes está disposta a ceder primeiro.

A Apple e a Comissão Europeia estão presas num impasse que já durou 250 reuniões. O motivo é a nova Siri AI — uma versão redesenhada do assistente de voz com interações mais naturais e integração mais profunda com as aplicações da Apple —, que não estará disponível para utilizadores europeus no lançamento do iOS 27 e do iPadOS 27. A razão invocada pela empresa não é técnica: é regulatória.

A Apple argumenta que as exigências do Regulamento dos Mercados Digitais, o DMA, criam um conflito direto com a proteção de dados pessoais. Na sua leitura, permitir o acesso de assistentes concorrentes às funcionalidades do sistema comprometeria a segurança e a privacidade dos utilizadores. A empresa diz procurar uma solução que preserve ambas as prioridades, mas ainda não a encontrou.

Bruxelas discorda em absoluto. A Comissão Europeia afirma que o DMA não impede o lançamento de novos serviços e atribui à Apple a responsabilidade exclusiva pela decisão. Para a Comissão, o essencial é garantir que outros fornecedores possam competir, o que exige acesso às funcionalidades relevantes do sistema operativo e cumprimento das obrigações de interoperabilidade.

O conflito não é inédito. A Apple já fez concessões significativas noutras áreas: passou a permitir lojas alternativas, distribuição por websites e novas opções de pagamento na União Europeia. A partir de outubro de 2026, substituiu a taxa por instalação por uma comissão de 5% sobre transações digitais fora da App Store. Estas adaptações mostram que o ecossistema da Apple continua a ajustar-se ao DMA — mas abrir canais de distribuição não resolve automaticamente as divergências em torno da inteligência artificial.

Enquanto o impasse persiste, os utilizadores europeus aguardam sem saber quando — nem em que condições — poderão aceder à nova Siri. O debate mantém no seu centro duas prioridades que, por enquanto, ninguém conseguiu reconciliar: a proteção dos dados e a abertura do mercado.

A Apple e a Comissão Europeia estão presos num impasse que já consumiu 250 reuniões sem que nenhuma das partes ceda. No centro da disputa está a Siri AI, a versão redesenhada do assistente de voz que promete interações mais naturais e integração mais profunda com as aplicações do iPhone e iPad. A empresa anunciou que não tornaria esta nova Siri disponível para utilizadores europeus no lançamento do iOS 27 e do iPadOS 27, e a razão que invoca é regulatória, não técnica.

Segundo a Apple, o problema reside na interpretação do Regulamento dos Mercados Digitais, o DMA, que entrou em vigor para disciplinar o comportamento das grandes plataformas tecnológicas. A empresa argumenta que as exigências de acesso para assistentes concorrentes criam um conflito direto com a proteção de dados pessoais e com o controlo sobre as ações realizadas dentro das aplicações. Na leitura da Apple, cumprir o DMA tal como Bruxelas o interpreta significaria comprometer a segurança e a privacidade dos seus utilizadores. A empresa diz estar à procura de uma solução que preserve ambas as coisas, mas até agora não a encontrou.

Bruxelas vê a questão de forma radicalmente diferente. A Comissão Europeia rejeita a ideia de que o DMA seja um obstáculo ao lançamento de novos produtos e serviços. Na sua posição oficial, esclarece que a regulação não impede a introdução da Siri AI na União Europeia, atribuindo à Apple a responsabilidade exclusiva pela decisão de não a disponibilizar. Para a Comissão, o cerne do assunto é garantir que outros fornecedores conseguem competir com os serviços da própria Apple. Isso exige permitir o acesso às funcionalidades relevantes do sistema operativo e cumprir as obrigações de interoperabilidade. Bruxelas diz continuar a discutir com a empresa uma solução segura e compatível com as regras europeias, mas o impasse persiste.

O conflito não é novo nem se limita à inteligência artificial. A Apple já fez concessões significativas noutras áreas do seu ecossistema. Na distribuição de aplicações, a empresa passou a permitir lojas alternativas, distribuição através de websites e outras opções de pagamento para conteúdos e serviços digitais na União Europeia. A partir de 1 de outubro de 2026, a Apple substituiu a taxa por instalação, conhecida como Core Technology Fee, por uma comissão de 5% sobre transações digitais em aplicações distribuídas fora da App Store. Estas mudanças mostram que a adaptação do ecossistema da Apple ao DMA continua a avançar, mas abrir novos canais de distribuição não resolve automaticamente as divergências em torno da inteligência artificial.

O impasse tem consequências práticas para os utilizadores europeus. Em Portugal, a disponibilidade de determinadas novidades depende da região. Enquanto a abertura a serviços concorrentes pode trazer mais escolha, e a proteção dos dados permanece uma exigência essencial, o desafio para a Apple e para a Comissão Europeia é transformar essas prioridades numa solução que funcione no dia a dia. Os utilizadores continuam à espera de saber quando poderão aceder à nova Siri e em que condições. Até lá, o impasse mantém as duas prioridades no centro do debate: a proteção dos utilizadores e a abertura do mercado a alternativas.

A Apple considera que as exigências de acesso para assistentes concorrentes levantam dificuldades na proteção dos dados pessoais e no controlo das ações realizadas nas aplicações
— Posição da Apple
O DMA não impede a introdução de novos produtos e serviços na União Europeia, atribuindo à Apple a decisão de não disponibilizar a Siri AI
— Comissão Europeia
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