Aposentado ganha US$ 247 milhões na loteria e doa fortuna para pesquisa de câncer raro

Ed Lojewski faleceu em dezembro de 2023, aos 90 anos, oito meses após sua doação, sem conhecer os resultados finais da pesquisa que apoiou.
A fortuna não o transformou em alguém diferente; apenas lhe deu a oportunidade de fazer algo que importava.
Lojewski manteve sua vida simples após ganhar na loteria, priorizando doação para pesquisa médica.
Mark

Por que um homem que acabava de ganhar uma fortuna decidiu doá-la em vez de usá-la para si mesmo?

Mimi

Porque ele já tinha o que precisava. Lojewski não era alguém que sonhava em ser rico; ele era alguém que havia visto de perto o sofrimento causado por uma doença que poucos conhecem e ainda menos financiam. A loteria não o mudou. Apenas lhe deu o poder de fazer algo que já desejava.

Mark

Qual é a diferença entre um câncer comum e um raro como o que Lojewski tinha?

Mimi

Não é apenas o número de pessoas afetadas. É que cânceres raros ficam invisíveis para o sistema de financiamento. Se três mil pessoas por ano desenvolvem a doença, os investidores veem isso como um mercado pequeno. Mas para essas três mil pessoas, é tudo. Lojewski entendeu isso porque vivia isso.

Mark

A pesquisa que ele financiou funcionou?

Mimi

Ele não viveu para saber. Mas o trabalho continua. A vacina que estavam desenvolvendo ainda está em ensaios clínicos. O que importa é que sua doação acelerou algo que de outra forma teria levado muito mais tempo ou talvez nunca tivesse saído do papel.

Mark

E sua filha? Por que ela decidiu continuar?

Mimi

Porque ela viu seu pai fazer a coisa certa. Viu que ele confiava nos pesquisadores, que acreditava que havia esperança. Quando ele morreu, ela não quis que esse investimento morresse com ele. Ela quis honrar o que ele começou.

Mark

Há algo trágico em ganhar uma fortuna e não poder desfrutá-la?

Mimi

Talvez para quem mede a vida pelo que possui. Mas Lojewski mediu pela diferença que fez. Ele ganhou 247 milhões e usou isso para dar a outras pessoas a chance que ele não teve: a chance de uma cura real.

  • Cânceres raros como o linfoma cutâneo de células T são sistematicamente subfinanciados, deixando milhares de pacientes sem opções terapêuticas adequadas.
  • Lojewski viveu anos de tratamento ao lado de outros pacientes e viu de perto o ciclo cruel entre raridade da doença e escassez de recursos para pesquisa.
  • Sua doação em abril de 2023 acelerou o desenvolvimento de uma vacina de imunoterapia em Stanford, abrindo caminho para um ensaio clínico que pode transformar o tratamento da doença.
  • Ele morreu oito meses depois, antes de conhecer os resultados — mas um medicamento desenvolvido com participação da equipe que ele apoiou já havia melhorado sua qualidade de vida nos meses finais.
  • Sua filha Susan assumiu o compromisso de continuar o financiamento, transformando um gesto individual em um legado familiar que atravessa gerações.

Em outubro de 2022, um aposentado californiano chamado Ed Lojewski comprou dois bilhetes de loteria e ganhou US$ 247 milhões — uma fortuna que não mudou sua casa, seu carro nem seus hábitos, mas que encontrou propósito na forma de uma doação à pesquisa sobre o câncer raro que ele mesmo carregava. Há algo de profundamente humano nessa escolha: diante da própria finitude, ele investiu no futuro de desconhecidos. Lojewski faleceu em dezembro de 2023, aos 90 anos, sem ver os frutos da pesquisa que financiou — mas sua filha continua o legado, lembrando-nos de que a generosidade, quando verdadeira, não precisa de testemunhas.

Ed Lojewski comprou dois bilhetes de loteria perto de casa, na Califórnia, em outubro de 2022. Dias depois, ao conferir os números no jornal, descobriu que havia ganhado US$ 247 milhões. Guardou a notícia em segredo por uma semana. Quando finalmente assumiu a condição de milionário, não mudou nada em sua vida cotidiana — mesma casa pequena, mesmo carro de sempre. A fortuna, para ele, era uma oportunidade de fazer algo que importasse.

Três anos antes, em 2019, Lojewski havia recebido o diagnóstico de linfoma cutâneo de células T, um câncer raro que ataca as células do sistema imunológico. A doença é diagnosticada em cerca de três mil americanos por ano — número pequeno o suficiente para ser ignorado pelo sistema de financiamento de pesquisas médicas. Durante o tratamento, ele acompanhou de perto o trabalho da médica Youn Kim e de sua equipe em Stanford, e compreendeu o quanto a falta de recursos atrasava o avanço das terapias disponíveis.

Em abril de 2023, seis meses após ganhar na loteria, Lojewski fez uma doação significativa à Stanford Medicine. O dinheiro financiaria uma pesquisa de imunoterapia conduzida por Kim e pelo pesquisador Michael Khodadoust, centrada em uma vacina capaz de ensinar o sistema imunológico a identificar e combater as células cancerígenas de forma mais seletiva — uma alternativa potencialmente mais segura do que o transplante de células-tronco, até então a única opção com potencial curativo.

Lojewski não viveria para ver os resultados. Faleceu em dezembro de 2023, aos 90 anos, oito meses após a doação. Kim explicou que ele morreu com o linfoma, não por causa dele — um medicamento desenvolvido com participação da equipe havia alterado o curso da doença e lhe garantido meses de qualidade de vida.

Sua filha Susan decidiu continuar o que o pai havia começado. Ela disse que ele confiava plenamente em Kim como a pessoa certa para encontrar uma solução, e que saber que poderia contribuir para salvar vidas foi o que a motivou a manter o apoio. A pesquisa segue em Stanford, sustentada agora por duas gerações de uma família que entendeu que a verdadeira riqueza está em investir no futuro de quem ainda sofre.

Ed Lojewski comprou dois bilhetes de loteria em uma loja perto de sua casa na Califórnia em outubro de 2022, um gesto tão corriqueiro que poderia ter passado despercebido. Dias depois, ao verificar os números no jornal local, descobriu que havia ganhado US$ 247 milhões. Ele guardou a notícia em segredo por uma semana antes de contar a alguém. Quando finalmente se tornou milionário, continuou vivendo na mesma casa pequena e dirigindo o mesmo carro que o acompanhava há anos. A fortuna não o transformou em alguém diferente; apenas lhe deu a oportunidade de fazer algo que importava.

Três anos antes de ganhar na loteria, em 2019, Lojewski havia recebido um diagnóstico que mudaria sua perspectiva sobre o dinheiro e a vida. A médica Youn Kim, pesquisadora da Stanford Medicine, identificou nele um linfoma cutâneo de células T, um câncer raro que ataca as células T do sistema imunológico. A doença pode começar como lesões na pele, mas em casos mais graves progride para o sangue, gânglios linfáticos e órgãos internos. Aproximadamente um terço dos pacientes desenvolve uma forma avançada. Cerca de três mil novos casos são diagnosticados anualmente nos Estados Unidos, o que torna a condição rara o suficiente para ser negligenciada pelo sistema de financiamento de pesquisas médicas.

Durante seus anos de tratamento, Lojewski testemunhou de perto as dificuldades enfrentadas por outros pacientes com a mesma doença e o trabalho dedicado que Kim e sua equipe realizavam em busca de novas terapias. Cânceres raros recebem menos recursos financeiros simplesmente porque afetam menos pessoas, criando um ciclo onde a pesquisa avança mais lentamente e as opções de tratamento permanecem limitadas. Na época, o único tratamento com potencial curativo era o transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas, um procedimento que substitui o sistema imunológico do paciente por células de um doador compatível. Embora pudesse oferecer cura, trazia riscos graves, incluindo a possibilidade de as células transplantadas atacarem o tecido saudável do próprio paciente.

Em abril de 2023, seis meses após ganhar na loteria, Lojewski fez uma doação significativa para a Stanford Medicine. O dinheiro financiaria o trabalho de Kim e do pesquisador Michael Khodadoust, que estavam desenvolvendo uma estratégia de imunoterapia direcionada. A pesquisa concentrava-se em uma vacina contra um receptor específico de células T cancerígenas, uma abordagem que buscava ensinar o sistema imunológico a reconhecer e atacar as células malignas de forma mais seletiva e segura. O objetivo era avançar para um ensaio clínico, etapa essencial para avaliar se a vacina poderia se tornar uma alternativa terapêutica real para os pacientes.

Lojewski não viveria para ver os resultados finais de sua generosidade. Ele faleceu em dezembro de 2023, aos 90 anos, apenas oito meses após fazer sua doação. Embora sua doença estivesse avançada, Kim explicou que ele morreu com o linfoma, não por causa dele. Um dos medicamentos que Lojewski usava, desenvolvido com participação da equipe médica, havia alterado o curso da doença e permitido que ele desfrutasse de tempo de qualidade nos meses finais.

O legado de Lojewski não terminou com sua morte. Sua filha, Susan, decidiu continuar apoiando a pesquisa que seu pai havia iniciado. Ela explicou que seu pai confiava que Kim era a pessoa certa para encontrar uma solução, e saber que poderia contribuir para salvar vidas foi o que a inspirou a manter esse apoio. A pesquisa continua em Stanford, financiada agora por duas gerações de uma família que compreendeu que a verdadeira riqueza não está em possuir mais, mas em investir no futuro de quem ainda sofre com a mesma doença que os tocou.

Ele morreu com linfoma cutâneo de células T, não por causa dele. Um dos medicamentos que ele usava permitiu que ele desfrutasse de tempo de qualidade.
— Dra. Youn Kim, pesquisadora da Stanford Medicine
Seu pai confiava que Kim era a pessoa certa para encontrar uma solução, e saber que poderia contribuir para salvar vidas foi o que a inspirou a manter esse apoio.
— Susan, filha de Ed Lojewski
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