Após 'O Convite', confira 6 filmes e séries sobre sexo e relacionamentos

O desejo como espelho do que está acontecendo de verdade
Sobre como as seis obras exploram intimidade e relacionamentos além da superfície.
Mark

Por que "O Convite" funciona como ponto de partida para essa seleção?

Mimi

Porque o filme não é apenas sobre sexo — é sobre o que o desejo revela sobre um casamento que já estava rachado. Ele abre uma porta para histórias que exploram o mesmo território: a intimidade como espelho do que está acontecendo de verdade entre as pessoas.

Mark

Há um padrão nas seis obras escolhidas?

Mimi

Todas elas tratam relacionamentos como algo vivo, que muda, que decepciona, que surpreende. Não há finais fáceis. Até a comédia "Love" tem momentos de verdadeiro desconforto emocional.

Mark

"Morrendo por Sexo" parece ser a mais radical da lista.

Mimi

É porque coloca o desejo em primeiro plano sem culpa. Molly não está buscando amor ou validação — está buscando prazer, e a série trata isso como legítimo, mesmo diante da morte iminente.

Mark

E "Azul É a Cor Mais Quente"? Por que incluir um filme tão controverso?

Mimi

Porque a controvérsia não invalida a obra. O filme captura algo real sobre o despertar sexual e amoroso de uma adolescente. As críticas sobre a direção são justas, mas o filme merece ser visto com olhos abertos.

Mark

Qual é a diferença entre "História de um Casamento" e "Cenas de um Casamento"?

Mimi

Um é sobre o fim — o divórcio como processo de destruição. O outro é sobre a vida dentro do casamento, as pequenas mortes cotidianas. Complementam-se.

Mark

Por que terminar com "Love"?

Mimi

Porque depois de tanto peso, o espectador precisa respirar. Mas a série não é leviana — é apenas mais generosa com o riso.

  • A tensão entre desejo e convenção social atravessa todas as seis obras, criando um fio invisível que conecta personagens de culturas e épocas distintas.
  • Produções como 'História de um Casamento' e 'Cenas de um Casamento' expõem o desgaste conjugal sem anestesia, forçando o espectador a reconhecer dinâmicas que preferiria ignorar.
  • 'Morrendo por Sexo' radicaliza a urgência ao colocar o desejo como ato de sobrevivência — uma mulher com câncer terminal que escolhe o prazer como forma de existir plenamente até o fim.
  • 'Azul É a Cor Mais Quente' carrega o peso de uma Palma de Ouro e de polêmicas reais sobre os limites entre arte e objetificação, tornando sua exibição um ato de reflexão tanto quanto de fruição.
  • No outro extremo do espectro emocional, 'Love' e 'Os Anos Novos' oferecem leveza e melancolia suave como antídotos para a intensidade — provando que o humor e a nostalgia também são formas legítimas de falar sobre amor.

Nas telas do streaming contemporâneo, o amor e o desejo continuam sendo os territórios mais arriscados que a narrativa humana ousa explorar. Uma seleção de seis produções — entre dramas de divórcio, comédias de erros e histórias de autodescoberta — convida o espectador a encarar a intimidade em suas formas mais honestas e incômodas. De Cannes à televisão por assinatura, essas obras lembram que relacionamentos são, acima de tudo, experimentos existenciais sem manual.

Para quem saiu de um filme com aquele incômodo peculiar — tensão erótica misturada com desconforto existencial — há uma trilha de histórias esperando nas plataformas de streaming. A newsletter Maratonar da Folha reuniu seis obras que giram em torno do amor, do desejo e da intimidade, em diferentes registros e intensidades.

'Os Anos Novos', produção franco-espanhola na Mubi, acompanha um casal durante uma década através de um truque elegante: cada episódio se passa em um Réveillon, e o espectador reconstrói gradualmente o que aconteceu no intervalo. Com diálogos refinados e atuações naturais, a série captura com fidelidade a textura de muitos relacionamentos reais.

No campo dos dramas de casamento, 'História de um Casamento' (Netflix) é um retrato sem sentimentalismos, com Scarlett Johansson e Adam Driver navegando um divórcio descrito como um funeral sem morto. Laura Dern ganhou um Oscar pela atuação. Já 'Cenas de um Casamento' (HBO Max) é a releitura de Hagai Levi sobre Bergman, com Oscar Isaac e Jessica Chastain — sempre à sombra do original, mas com fotografia belíssima e roteiro atualizado.

'Morrendo por Sexo' (Disney+) segue Molly, vivida por Michelle Williams, que ao descobrir um câncer em estágio quatro decide realizar todos os seus desejos. O que ela busca é sexo — com estranhos, com fetiches, com brutalidade e delicadeza — até o corpo não permitir mais. Baseada em história real, a série é ao mesmo tempo excitante, engraçada e emocionante.

'Azul É a Cor Mais Quente', vencedor da Palma de Ouro em Cannes, retrata o despertar de uma adolescente para o amor e o desejo ao se apaixonar por uma mulher. O filme consagrou Adèle Exarchopoulos e tem momentos inesquecíveis, mas carrega também as polêmicas sobre a conduta do diretor Abdellatif Kechiche durante as filmagens. Vale ser visto, com um final de cortar o coração.

Para encerrar com leveza, 'Love' (Netflix, três temporadas), criada por Judd Apatow, entrega uma comédia afiada sobre uma garota linda e um cara nerd que se encontram — com momentos tão absurdos que é preciso estar sentado para não cair de rir. O episódio da viagem com cogumelos na segunda temporada é, segundo a recomendação, item obrigatório para os dias em que tudo dá errado.

Se você saiu de "O Convite" com aquele incômodo peculiar que fica — aquela mistura de tensão erótica com desconforto existencial — há uma trilha de histórias esperando por você nas plataformas de streaming. O filme de Olivia Wilde, estrelado por Seth Rogen, Penélope Cruz e Edward Norton, começa como um jantar comum entre vizinhos e termina quando os anfitriões descobrem que o outro casal tem interesse em orgias. Mas o que torna a coisa interessante não é apenas a sacanagem: é o retrato de um casamento que vai se desgastando por dentro, lentamente, enquanto a vida segue.

Para quem quer continuar nesse território de tensão quase erótica misturada com questões existenciais, a newsletter Maratonar da Folha separou seis obras que giram em torno do amor, do desejo e da intimidade. "Os Anos Novos", produção franco-espanhola disponível na Mubi, acompanha Ana e Óscar durante dez anos, mas com um truque narrativo: cada episódio se passa em um Réveillon, e o espectador vai entendendo gradualmente o que aconteceu com o casal no ano anterior. Com diálogos refinados e atuações naturais, a série captura com fidelidade aquela experiência de muitos relacionamentos — tanto que é difícil não sentir saudades dos personagens depois de terminar.

Se o interesse é explorar o lado mais árido dos relacionamentos, "História de um Casamento" (Netflix, 136 minutos) oferece um retrato sem sentimentalismos baratos. Noah Baumbach dirige Scarlett Johansson e Adam Driver em um divórcio que um personagem descreve como um funeral sem morto. O filme não economiza nas brigas jurídicas e até físicas, mas também revela os motivos pelos quais as pessoas um dia escolheram ficar juntas. Laura Dern entrega uma atuação que lhe rendeu um Oscar. Na mesma linha temática, mas com uma abordagem diferente, "Cenas de um Casamento" (HBO Max, cinco episódios) é uma releitura de Hagai Levi sobre o clássico de Ingmar Bergman, com Oscar Isaac e Jessica Chastain em um casal que se perde em uma verborragia sem fim sobre as dificuldades da vida conjugal. A série sempre será vista como algo menor comparada à obra original, mas a fotografia é belíssima e o roteiro atualiza o que significa viver junto.

"Morrendo por Sexo" (Disney+, oito episódios) segue Molly, interpretada por Michelle Williams, uma mulher que descobre ter câncer metastático em estágio quatro e decide realizar todos os seus desejos antes da morte. O que ela procura é simples: sexo. Com estranhos, vizinhos, homens e mulheres, com fetiches, com vibradores, com palavras, com brutalidade e delicadeza, até o corpo não permitir mais. A série é excitante, divertida, engraçada e emocionante, baseada em uma história real, e retrata a busca por satisfazer verdadeiramente o desejo depois de viver uma relação tóxica.

"Azul É a Cor Mais Quente" (disponível para aluguel em YouTube, Google Play e Apple TV, 180 minutos) é o vencedor da Palma de Ouro de Cannes que exibe o despertar de uma adolescente para o amor e o sexo depois de se apaixonar por uma mulher. O filme consagrou a força de Adèle Exarchopoulos e tem uma trilha sonora marcante — a cena em que a protagonista dança ao som de "I Follow Rivers", de Lykke Li, é inesquecível. Há cenas de sexo entre mulheres, e o diretor tunisiano Abdellatif Kechiche foi criticado, inclusive pelas atrizes, pela maneira como conduziu a direção e por apontamentos de objetificação das personagens. Qualquer que seja a sua posição, o filme deve ser visto, com um final de cortar o coração.

Para quem quer algo mais leve depois de tanta intensidade, "Love" (Netflix, três temporadas) é a série perfeita para os dias em que o trabalhador só quer chegar em casa e derreter o cérebro. Criada por Judd Apatow, a série tem um roteiro que parece o começo de uma piada — uma garota linda e um cara nerd entram em um bar — mas o texto é afiado e os momentos são tão bobos que é necessário ficar ligado para não derrubar algo por perto ao morrer de rir. O episódio quatro da segunda temporada, em que os personagens entram em uma viagem com cogumelos, é crucial tê-lo à mão para o dia em que tudo dá errado.

O divórcio é uma espécie de funeral sem morto
— Personagem em "História de um Casamento"
A busca por satisfazer verdadeiramente o desejo depois de viver uma relação tóxica é excitante, divertida, engraçada e também emocionante
— Descrição de "Morrendo por Sexo"
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