No Rio de Janeiro, o futuro do Vasco da Gama como Sociedade Anônima do Futebol encontra-se num momento de transição delicada: um leilão foi vencido e homologado pela Justiça, mas a operação permanece suspensa entre aprovações internas e uma investigação regulatória que questiona os laços familiares do investidor com o Palmeiras. É o instante em que o dinheiro já foi prometido, mas o poder ainda não foi transferido — e onde as regras do jogo, tanto dentro quanto fora de campo, precisam ser respeitadas antes que qualquer taça seja erguida.
Após homologação, venda da SAF do Vasco ainda enfrenta Conselho, sócios e investigação
A homologação judicial valida o leilão, mas não encerra a negociação
A Justiça já homologou o resultado do leilão. Por que isso não é o fim da história?
Porque a homologação judicial valida apenas que o leilão foi conduzido corretamente. A venda de uma SAF ainda precisa de aprovação interna do clube — Conselho Deliberativo e Assembleia Geral — e, neste caso, também de aprovação regulatória da Anresf.
Mas essas aprovações internas são formais ou podem realmente bloquear o negócio?
Teoricamente podem bloquear, mas o cenário mais provável é que passem. O risco real está na Anresf.
Qual é exatamente o problema com a Anresf?
Marcos Lamacchia é enteado de Leila Pereira, que comanda o Palmeiras. A família dele também controla a Crefisa. O regulamento proíbe que a mesma pessoa ou família controle dois clubes da mesma divisão.
E a Anresf já tem poder para bloquear a operação?
Ela já está investigando há um mês e já proibiu negociações de atletas entre os clubes e bloqueou empréstimos da Crefisa ao Vasco. Isso mostra que a agência leva a questão a sério.
Existe alguma saída para esse conflito?
Sim. Uma alternativa é Marcos sair do contrato social da empresa até Leila deixar o Palmeiras, o que só aconteceria em 2028.
Mas isso é especulação ou já foi oficialmente proposto?
É uma alternativa que está sendo avaliada, conforme relatado. Não é uma decisão tomada.
Quando esperamos saber o resultado?
As votações internas estão marcadas para outubro. A investigação da Anresf não tem prazo público definido, mas é o fator crítico.
O Pulso
- A Almirante Participações venceu o leilão judicial com uma proposta de R$ 500 milhões em aportes e a assunção de dívida superior a R$ 1 bilhão, mas a vitória no cartório não garante vitória no clube.
- A Anresf investiga se Marcos Lamacchia — enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras — viola a proibição regulatória de controle familiar sobre dois clubes da mesma divisão.
- Como medida preventiva, a agência já bloqueou empréstimos da Crefisa ao Vasco e proibiu negociações de atletas entre os dois clubes, sinalizando que a preocupação não é apenas formal.
- Uma saída estudada é a retirada temporária de Lamacchia do contrato social da Almirante até que Leila Pereira deixe a presidência do Palmeiras, o que não ocorrerá antes de 2028.
- O Conselho Deliberativo do Vasco deve se reunir em 6 de outubro, e a diretoria espera concluir todo o processo até o final do mês — mas o ritmo real depende do que a Anresf decidir.
No Rio de Janeiro, o futuro do Vasco da Gama como Sociedade Anônima do Futebol encontra-se num momento de transição delicada: um leilão foi vencido e homologado pela Justiça, mas a operação permanece suspensa entre aprovações internas e uma investigação regulatória que questiona os laços familiares do investidor com o Palmeiras. É o instante em que o dinheiro já foi prometido, mas o poder ainda não foi transferido — e onde as regras do jogo, tanto dentro quanto fora de campo, precisam ser respeitadas antes que qualquer taça seja erguida.
A venda da SAF do Vasco superou uma etapa relevante quando a Almirante Participações S/A, ligada a Marcos Lamacchia, venceu o leilão conduzido pela 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio. A homologação veio no dia seguinte, mas longe de encerrar o processo, ela apenas abriu o próximo capítulo.
Para que o negócio se concretize, o clube precisa de duas aprovações internas: primeiro do Conselho Deliberativo, convocado para 6 de outubro, e depois da Assembleia Geral dos sócios. A diretoria quer transparência sem demora, e o presidente do clube espera que tudo esteja resolvido antes do fim de outubro.
O obstáculo mais incerto, porém, é regulatório. A Anresf investiga um possível conflito de interesses: Lamacchia é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, e seu pai, José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa, avaliza a operação. Como Vasco e Palmeiras disputam a mesma divisão, a regra que proíbe controle familiar sobre dois clubes pode ser acionada. A agência já tomou medidas concretas — bloqueou empréstimos da Crefisa ao Vasco e vedou transferências de atletas entre os clubes.
Uma solução cogitada é afastar Marcos do contrato social da Almirante enquanto Leila permanecer no Palmeiras — o que se estende pelo menos até o fim de 2027. Não por acaso, ele sequer compareceu ao leilão, representado por seu sócio e por um advogado. A Almirante promete R$ 500 milhões em aportes, quitação de dívida acima de R$ 1 bilhão e R$ 150 milhões ao clube social em dez anos. São números expressivos — mas que só se tornam reais se os próximos passos, dentro e fora do clube, forem dados com sucesso.
A venda da Sociedade Anônima do Futebol do Vasco ultrapassou uma barreira importante na sexta-feira passada, quando a Almirante Participações S/A, empresa ligada a Marcos Lamacchia, venceu o leilão conduzido pela 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A Justiça homologou o resultado na tarde seguinte, validando formalmente a vitória. Mas essa homologação, embora significativa, não encerra a negociação — na verdade, marca apenas o fim de um ato em um processo que ainda tem vários capítulos pela frente.
Para que o negócio se concretize, ele precisa passar por duas aprovações internas do clube: primeiro pelo Conselho Deliberativo do Vasco, depois pela Assembleia Geral, onde os sócios votarão. A diretoria administrativa já solicitou a convocação de uma sessão extraordinária do Conselho para 6 de outubro. O presidente do clube sinalizou que espera acelerar os trâmites — dando aos conselheiros tempo para ler o contrato com transparência, mas sem demoras desnecessárias. Sua expectativa é que tudo esteja concretizado até o final de outubro.
Mas há um obstáculo regulatório que pode ser mais espinhoso do que as votações internas. A Anresf, Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol, está investigando um possível conflito de interesses na operação. Marcos Lamacchia é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. A operação é avalizada pelo pai de Marcos, José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa e marido de Leila. O regulamento da Anresf proíbe que a mesma pessoa, família ou empresa controle dois ou mais clubes da mesma divisão — e Vasco e Palmeiras estão ambos na Série A.
A investigação começou há um mês e já recebeu respostas das diligências enviadas a Marcos Lamacchia, aos dois clubes e às instituições financeiras da família, incluindo a Crefipar Participações e Empreendimentos S/A e o Banco Crefisa S/A. A agência já tomou medidas preventivas: proibiu negociações de atletas entre Vasco e Palmeiras e bloqueou empréstimos da Crefisa ao clube carioca. Essas restrições sinalizam que a preocupação regulatória é séria.
Uma solução que está sendo avaliada, caso a Anresf imponha restrições, é a saída de Marcos Lamacchia do contrato social da Almirante até que Leila Pereira deixe a presidência do Palmeiras — o que não acontecerá antes do final de 2027. É notável que Marcos não compareceu ao leilão; a empresa foi representada por seu sócio Mário Junqueira e pelo advogado André Sica. Junqueira explicou que essa divisão de papéis foi combinada, com ele assumindo uma posição mais visível enquanto Marcos atua como grande investidor nos bastidores.
A Almirante prevê um aporte de R$ 500 milhões e se compromete a pagar a dívida do clube, que ultrapassa R$ 1 bilhão, por meio de um processo de recuperação judicial. Além disso, promete R$ 150 milhões ao clube social ao longo de dez anos. Esses números são substanciais, mas sua concretização depende de que todos os obstáculos — votações internas e aprovação regulatória — sejam superados. Por enquanto, a operação segue em suspenso, aguardando as próximas movimentações.
Citações Notáveis
Agora vamos para os outros passos, que é dar para os Conselheiros um prazo para leitura do contrato. Depois disso, sugiro ao presidente do Conselho Deliberativo que acelere os processos — e acelerar não é atropelar, é dar velocidade.— Presidente do Vasco
Nós combinamos que, como eu sou presidente da Almirante, eu vou estar mais à frente. E ele é um grande investidor.— Mário Junqueira, sócio da Almirante Participações