Após homologação, venda da SAF do Vasco ainda enfrenta Conselho, sócios e investigação

A homologação judicial valida o leilão, mas não encerra a negociação
A venda da SAF do Vasco ainda enfrenta aprovações internas e investigação regulatória antes de se concretizar.
Mark

A Justiça já homologou o resultado do leilão. Por que isso não é o fim da história?

Mimi

Porque a homologação judicial valida apenas que o leilão foi conduzido corretamente. A venda de uma SAF ainda precisa de aprovação interna do clube — Conselho Deliberativo e Assembleia Geral — e, neste caso, também de aprovação regulatória da Anresf.

Luke

Mas essas aprovações internas são formais ou podem realmente bloquear o negócio?

Mimi

Teoricamente podem bloquear, mas o cenário mais provável é que passem. O risco real está na Anresf.

Mark

Qual é exatamente o problema com a Anresf?

Mimi

Marcos Lamacchia é enteado de Leila Pereira, que comanda o Palmeiras. A família dele também controla a Crefisa. O regulamento proíbe que a mesma pessoa ou família controle dois clubes da mesma divisão.

Luke

E a Anresf já tem poder para bloquear a operação?

Mimi

Ela já está investigando há um mês e já proibiu negociações de atletas entre os clubes e bloqueou empréstimos da Crefisa ao Vasco. Isso mostra que a agência leva a questão a sério.

Mark

Existe alguma saída para esse conflito?

Mimi

Sim. Uma alternativa é Marcos sair do contrato social da empresa até Leila deixar o Palmeiras, o que só aconteceria em 2028.

Luke

Mas isso é especulação ou já foi oficialmente proposto?

Mimi

É uma alternativa que está sendo avaliada, conforme relatado. Não é uma decisão tomada.

Mark

Quando esperamos saber o resultado?

Mimi

As votações internas estão marcadas para outubro. A investigação da Anresf não tem prazo público definido, mas é o fator crítico.

  • A Almirante Participações venceu o leilão judicial com uma proposta de R$ 500 milhões em aportes e a assunção de dívida superior a R$ 1 bilhão, mas a vitória no cartório não garante vitória no clube.
  • A Anresf investiga se Marcos Lamacchia — enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras — viola a proibição regulatória de controle familiar sobre dois clubes da mesma divisão.
  • Como medida preventiva, a agência já bloqueou empréstimos da Crefisa ao Vasco e proibiu negociações de atletas entre os dois clubes, sinalizando que a preocupação não é apenas formal.
  • Uma saída estudada é a retirada temporária de Lamacchia do contrato social da Almirante até que Leila Pereira deixe a presidência do Palmeiras, o que não ocorrerá antes de 2028.
  • O Conselho Deliberativo do Vasco deve se reunir em 6 de outubro, e a diretoria espera concluir todo o processo até o final do mês — mas o ritmo real depende do que a Anresf decidir.

No Rio de Janeiro, o futuro do Vasco da Gama como Sociedade Anônima do Futebol encontra-se num momento de transição delicada: um leilão foi vencido e homologado pela Justiça, mas a operação permanece suspensa entre aprovações internas e uma investigação regulatória que questiona os laços familiares do investidor com o Palmeiras. É o instante em que o dinheiro já foi prometido, mas o poder ainda não foi transferido — e onde as regras do jogo, tanto dentro quanto fora de campo, precisam ser respeitadas antes que qualquer taça seja erguida.

A venda da SAF do Vasco superou uma etapa relevante quando a Almirante Participações S/A, ligada a Marcos Lamacchia, venceu o leilão conduzido pela 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio. A homologação veio no dia seguinte, mas longe de encerrar o processo, ela apenas abriu o próximo capítulo.

Para que o negócio se concretize, o clube precisa de duas aprovações internas: primeiro do Conselho Deliberativo, convocado para 6 de outubro, e depois da Assembleia Geral dos sócios. A diretoria quer transparência sem demora, e o presidente do clube espera que tudo esteja resolvido antes do fim de outubro.

O obstáculo mais incerto, porém, é regulatório. A Anresf investiga um possível conflito de interesses: Lamacchia é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, e seu pai, José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa, avaliza a operação. Como Vasco e Palmeiras disputam a mesma divisão, a regra que proíbe controle familiar sobre dois clubes pode ser acionada. A agência já tomou medidas concretas — bloqueou empréstimos da Crefisa ao Vasco e vedou transferências de atletas entre os clubes.

Uma solução cogitada é afastar Marcos do contrato social da Almirante enquanto Leila permanecer no Palmeiras — o que se estende pelo menos até o fim de 2027. Não por acaso, ele sequer compareceu ao leilão, representado por seu sócio e por um advogado. A Almirante promete R$ 500 milhões em aportes, quitação de dívida acima de R$ 1 bilhão e R$ 150 milhões ao clube social em dez anos. São números expressivos — mas que só se tornam reais se os próximos passos, dentro e fora do clube, forem dados com sucesso.

A venda da Sociedade Anônima do Futebol do Vasco ultrapassou uma barreira importante na sexta-feira passada, quando a Almirante Participações S/A, empresa ligada a Marcos Lamacchia, venceu o leilão conduzido pela 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A Justiça homologou o resultado na tarde seguinte, validando formalmente a vitória. Mas essa homologação, embora significativa, não encerra a negociação — na verdade, marca apenas o fim de um ato em um processo que ainda tem vários capítulos pela frente.

Para que o negócio se concretize, ele precisa passar por duas aprovações internas do clube: primeiro pelo Conselho Deliberativo do Vasco, depois pela Assembleia Geral, onde os sócios votarão. A diretoria administrativa já solicitou a convocação de uma sessão extraordinária do Conselho para 6 de outubro. O presidente do clube sinalizou que espera acelerar os trâmites — dando aos conselheiros tempo para ler o contrato com transparência, mas sem demoras desnecessárias. Sua expectativa é que tudo esteja concretizado até o final de outubro.

Mas há um obstáculo regulatório que pode ser mais espinhoso do que as votações internas. A Anresf, Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol, está investigando um possível conflito de interesses na operação. Marcos Lamacchia é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. A operação é avalizada pelo pai de Marcos, José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa e marido de Leila. O regulamento da Anresf proíbe que a mesma pessoa, família ou empresa controle dois ou mais clubes da mesma divisão — e Vasco e Palmeiras estão ambos na Série A.

A investigação começou há um mês e já recebeu respostas das diligências enviadas a Marcos Lamacchia, aos dois clubes e às instituições financeiras da família, incluindo a Crefipar Participações e Empreendimentos S/A e o Banco Crefisa S/A. A agência já tomou medidas preventivas: proibiu negociações de atletas entre Vasco e Palmeiras e bloqueou empréstimos da Crefisa ao clube carioca. Essas restrições sinalizam que a preocupação regulatória é séria.

Uma solução que está sendo avaliada, caso a Anresf imponha restrições, é a saída de Marcos Lamacchia do contrato social da Almirante até que Leila Pereira deixe a presidência do Palmeiras — o que não acontecerá antes do final de 2027. É notável que Marcos não compareceu ao leilão; a empresa foi representada por seu sócio Mário Junqueira e pelo advogado André Sica. Junqueira explicou que essa divisão de papéis foi combinada, com ele assumindo uma posição mais visível enquanto Marcos atua como grande investidor nos bastidores.

A Almirante prevê um aporte de R$ 500 milhões e se compromete a pagar a dívida do clube, que ultrapassa R$ 1 bilhão, por meio de um processo de recuperação judicial. Além disso, promete R$ 150 milhões ao clube social ao longo de dez anos. Esses números são substanciais, mas sua concretização depende de que todos os obstáculos — votações internas e aprovação regulatória — sejam superados. Por enquanto, a operação segue em suspenso, aguardando as próximas movimentações.

Agora vamos para os outros passos, que é dar para os Conselheiros um prazo para leitura do contrato. Depois disso, sugiro ao presidente do Conselho Deliberativo que acelere os processos — e acelerar não é atropelar, é dar velocidade.
— Presidente do Vasco
Nós combinamos que, como eu sou presidente da Almirante, eu vou estar mais à frente. E ele é um grande investidor.
— Mário Junqueira, sócio da Almirante Participações
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