Após Bradesco e Itaú, Santander também eleva juros do crédito imobiliário

Um salto de 3,3 pontos de uma só vez, fora do padrão
O Bradesco elevou a taxa de 11,7% para 15%, enquanto reajustes costumam ficar entre 0,1 e 1 ponto.
Mark

Três grandes bancos subiram juros do crédito imobiliário em poucos dias. O que aconteceu?

Mimi

Os juros futuros dispararam depois da reeleição de Lula. Como parte do dinheiro que financia imóveis vem de LCIs e CRIs, o custo de captação dos bancos esperado sobe junto.

Mark

E os aumentos foram parecidos?

Mimi

Não. O Santander foi de 11,69% para 12,49%, o Itaú de 11,99% para 12,95% e o Bradesco de 11,7% para 15%, sempre mais TR.

Luke

Vale separar o que está confirmado do que é interpretação. As taxas são fatos informados pelos bancos. A leitura de que o Bradesco quis frear novas contratações é avaliação de Paulo Prado, da MySide, não declaração do banco.

Mark

Então o Bradesco não explicou o salto?

Mimi

Pelo que a reportagem traz, não. O Santander deu só uma nota genérica sobre acompanhar o mercado.

Mark

Por que o prazo longo pesa tanto?

Mimi

Os financiamentos podem passar de 30 anos, mas boa parte da captação tem prazo muito menor. Quando as condições futuras mudam, os bancos reajustam.

Luke

E a explicação de mercado é predominante, não comprovada banco a banco. Ninguém aqui mediu quanto da alta vem do custo de captação.

Mark

E a Caixa?

Mimi

Tem quase 70% do crédito habitacional e carteira acima de R$ 1 trilhão. Não respondeu à reportagem.

Luke

Que a decisão dela dependa do governo federal também é opinião de Prado. Por ora, o que a Caixa fará é desconhecido.

  • O Bradesco disparou sua taxa de 11,7% para 15% ao ano mais TR, um salto de 3,3 pontos que assusta analistas pela ousadia.
  • Santander e Itaú ajustaram de forma mais contida, colocando o mercado em alerta sobre até onde a onda de alta vai.
  • Os bancos tentam se proteger de juros futuros que sobem e de captações cada vez mais caras, enquanto financiamentos de 30 anos seguem presos a taxas antigas.
  • A Caixa, que responde por quase 70% do crédito habitacional, ainda não se manifestou, e sua decisão definirá se a alta fica restrita aos privados ou atinge todo o setor.

Num fim de tarde de outubro de 2026, o Santander anunciou que passará a cobrar mais caro pelo crédito imobiliário, elevando sua taxa mínima de 11,69% para 12,49% ao ano mais TR a partir de 30 de outubro. Ele segue o caminho já aberto por Bradesco e Itaú, em um movimento que nasce da inquietação do mercado depois da reeleição de Lula e da disparada dos juros futuros. Como em tantos ciclos da economia, o custo de captar dinheiro hoje decide quanto custará sonhar com a casa própria amanhã. O desfecho ainda pende da Caixa, banco público que concentra quase 70% desse crédito e cuja decisão dependerá do governo federal.

Na tarde desta quinta-feira (29), o Santander confirmou que vai elevar as taxas do crédito imobiliário a partir de 30 de outubro. A taxa mínima sobe de 11,69% para 12,49% ao ano, mais a Taxa Referencial, hoje perto de 2% ao ano. O banco se junta a Bradesco e Itaú num movimento que ganhou força depois da reeleição de Lula e da disparada dos juros futuros. Em nota, o Santander disse apenas que acompanha os indicadores e avalia continuamente seus produtos de crédito.

O Bradesco foi o primeiro a mexer, dois dias antes, ao saltar de 11,7% para 15%. O Itaú subiu de 11,99% para 12,95%. Os três, porém, não andaram no mesmo passo: o Santander acrescentou 0,80 ponto, o Itaú 0,96 e o Bradesco 3,3 de uma só vez. Para Paulo Prado, da MySide, esse salto foge de qualquer padrão, já que reajustes habitacionais costumam ser graduais. Ele vê na atitude do Bradesco uma forma de tornar seu financiamento menos atrativo e frear novas contratações.

A explicação mais aceita liga as altas à abertura da curva de juros após as eleições. Parte do dinheiro para financiar imóveis vem de LCIs e CRIs, cujo custo sobe junto com os juros futuros. Há ainda um descompasso: financiamentos podem durar mais de 30 anos, enquanto boa parte da captação tem prazo bem menor.

A grande incógnita é a Caixa, que detém quase 70% do crédito habitacional, com carteira acima de R$ 1 trilhão. Sua decisão depende do governo federal, e até o momento o banco não respondeu à reportagem. O que ela fizer dirá se a alta ficará restrita aos privados ou chegará ao núcleo do financiamento imobiliário brasileiro.

Na tarde desta quinta-feira (29), o Santander confirmou que vai elevar as taxas do crédito imobiliário a partir de 30 de outubro. A taxa mínima passa de 11,69% para 12,49% ao ano, mais a Taxa Referencial (TR), hoje próxima de 2% ao ano. Com isso, o banco se junta a Bradesco e Itaú num movimento de alta que ganhou força depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da disparada dos juros futuros.

O Bradesco foi o primeiro a mexer. Dois dias antes do anúncio do Santander, elevou sua taxa de 11,7% para 15% ao ano mais TR. O Itaú veio em seguida, também nesta quinta-feira, e subiu a taxa mínima de 11,99% para 12,95% ao ano mais TR. Em nota, o Santander disse apenas que acompanha regularmente os indicadores econômicos e as condições do mercado imobiliário e avalia de forma contínua as condições de seus produtos de crédito.

Os números mostram que os três bancos não andaram no mesmo passo. O Santander acrescentou 0,80 ponto percentual à sua taxa mínima, e o Itaú, 0,96 ponto. O Bradesco acrescentou 3,3 pontos de uma só vez. Para Paulo Prado, cofundador da MySide e especialista em crédito imobiliário, esse salto está fora de qualquer padrão. Segundo ele, os reajustes em financiamentos habitacionais costumam ser graduais, entre 0,1 e 1 ponto percentual.

Prado interpreta a decisão do Bradesco como uma forma de tornar o financiamento do banco menos atrativo frente à concorrência e dar uma "travada" em novas contratações. Já o movimento do Itaú, na avaliação dele, está mais dentro do que se considera normal diante da expectativa para os juros futuros.

A explicação predominante no mercado liga os reajustes à forte abertura da curva de juros observada depois das eleições. Parte relevante do funding imobiliário vem de instrumentos de mercado, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). Quando os juros futuros sobem, aumenta o custo esperado de captação dos bancos.

Há ainda um descompasso de prazos. Os financiamentos imobiliários podem durar mais de 30 anos, enquanto boa parte das fontes de recursos usadas para bancá-los tem prazo bem menor. Por isso, as instituições tendem a ajustar as taxas quando percebem uma mudança relevante nas condições futuras de mercado.

A grande incógnita, segundo Prado, é a Caixa, responsável por quase 70% do crédito habitacional do país, com carteira superior a R$ 1 trilhão. Ele afirma que a dúvida é o que o banco fará, já que a decisão depende da diretriz do governo federal. Até o momento, a Caixa não respondeu aos questionamentos da reportagem. O que ela decidir deve indicar se a alta ficará restrita aos bancos privados ou se alcançará o núcleo do financiamento habitacional brasileiro.

A dúvida realmente é o que a Caixa vai fazer, já que isso depende da diretriz do governo federal.
— Paulo Prado, cofundador da MySide
O banco acompanha regularmente os indicadores econômicos e as condições do mercado imobiliário e avalia continuamente as condições de seus produtos de crédito.
— Santander, em nota
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