No xadrez da política brasileira, onde o presente é sempre ensaio para o futuro, o MDB formalizou nesta terça-feira seu apoio a Flávio Bolsonaro na corrida presidencial de 2026. Por trás do gesto eleitoral, Ricardo Nunes — prefeito de São Paulo e articulador da adesão — consolida sua posição como herdeiro político de Tarcísio de Freitas para o governo paulista em 2030. Alianças assim raramente falam apenas do momento em que nascem.
Apoio do MDB a Flávio fortalece Nunes como sucessor de Tarcísio
calou a boca com o trabalho
Por que Nunes precisava costurar esse apoio agora? Ele já não era forte em São Paulo?
Nunes é prefeito de São Paulo, mas quer ser governador. Para isso, precisa de uma base sólida no estado e no país. O apoio do MDB a Flávio o coloca como intermediário entre Tarcísio e o bolsonarismo — exatamente a posição que o viabiliza em 2030.
Mas a gente sabe que Nunes foi ignorado pelos bolsonaristas em 2024. Essa aproximação com Flávio agora é real ou é apenas tática de campanha?
A reportagem mostra que os dois se aproximaram durante esta campanha. Flávio reconheceu publicamente que Nunes o socorreu nos momentos difíceis. Isso sugere uma relação que vai além do discurso.
Certo, mas Baleia Rossi nega ter pedido algo em troca. A gente não sabe se há um acordo de cargos ou se é só esperança do MDB.
E se Flávio não vencer? O que acontece com Nunes?
Aí entra Tarcísio. Se o governador for reeleito, o MDB quer espaço no segundo mandato. Nunes já está próximo de Tarcísio, então sai ganhando de qualquer forma.
Verdade, mas a reportagem não deixa claro qual é o acordo específico. Sabemos que há expectativa de "ganho de espaço", mas não sabemos o que isso significa na prática.
Então Nunes está apostando em dois cavalos ao mesmo tempo?
Exatamente. Ele fortalece Flávio agora, mas sua aposta real é em Tarcísio e na sucessão estadual em 2030. É um movimento de longo prazo.
Der Puls
- O MDB, partido historicamente pragmático, oficializou apoio a Flávio Bolsonaro após 17 dos 27 diretórios estaduais se pronunciarem a favor — uma maioria que não surgiu espontaneamente.
- Ricardo Nunes, que foi ignorado pelos bolsonaristas em sua reeleição de 2024, usou a articulação desse apoio para cicatrizar mágoas e se reposicionar como peça central da direita paulista.
- Flávio Bolsonaro evocou o nome de Wagner Rosário — indicado pelo MDB e que serviu em governo Bolsonaro — como sinal velado de que o partido teria espaço em uma futura administração sua.
- Baleia Rossi nega negociação de cargos, mas o vice-governador Felício Ramuth já migrou para o MDB em março, e a expectativa de influência política permeia toda a aliança.
- O movimento aponta para 2030: Nunes como candidato ao governo de São Paulo, o MDB como sócio de poder — seja em Brasília, seja no Palácio dos Bandeirantes.
No xadrez da política brasileira, onde o presente é sempre ensaio para o futuro, o MDB formalizou nesta terça-feira seu apoio a Flávio Bolsonaro na corrida presidencial de 2026. Por trás do gesto eleitoral, Ricardo Nunes — prefeito de São Paulo e articulador da adesão — consolida sua posição como herdeiro político de Tarcísio de Freitas para o governo paulista em 2030. Alianças assim raramente falam apenas do momento em que nascem.
Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo pelo MDB, foi o arquiteto silencioso do apoio formal da legenda a Flávio Bolsonaro, anunciado nesta terça-feira. O gesto vai além de uma adesão eleitoral: é um investimento político de longo prazo que projeta Nunes como sucessor natural de Tarcísio de Freitas no governo paulista em 2030.
A relação entre Nunes e Flávio não nasceu fácil. Durante a reeleição do prefeito em 2024, o bolsonarismo o tratou com frieza. Foi o próprio Nunes, ao lado de Tarcísio, quem procurou Baleia Rossi para pressionar pela adesão do MDB ao senador fluminense. No evento desta terça, a reciprocidade era palpável: Nunes disse ter 'aprendido a gostar demais' de Flávio, que retribuiu lembrando que o prefeito 'calou a boca com o trabalho' diante das críticas internas ao bolsonarismo.
Flávio foi além da cortesia ao citar Wagner Rosário — indicado pelo MDB a Jair Bolsonaro, que chefiou a Controladoria-Geral da União por cinco anos. A mensagem era direta: o MDB cabe em governos Bolsonaro. A decisão partidária veio após 17 dos 27 diretórios estaduais se manifestarem a favor, e Baleia Rossi nega qualquer negociação de cargos. Mas a política tem sua própria linguagem: o vice-governador Felício Ramuth já havia se filiado ao MDB em março, antecipando o alinhamento.
O que está verdadeiramente em disputa é o mapa de poder dos próximos anos. Nunes fortalece sua candidatura a 2030. O MDB negocia presença em cenários ainda em construção. É a política brasileira em seu movimento mais característico: olhos no futuro enquanto as mãos trabalham o presente.
Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo pelo MDB, orquestrou nesta terça-feira o apoio formal da legenda a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. O movimento, anunciado publicamente, representa mais do que uma simples adesão eleitoral: é um cálculo político de longo prazo que posiciona Nunes como herdeiro natural do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na eleição estadual de 2030.
A aproximação entre Nunes e Flávio não é recente. Durante a reeleição de Nunes em 2024, bolsonaristas o ignoraram — um desconforto que a campanha presidencial de 2026 ajudou a cicatrizar. Foram o prefeito e o próprio Tarcísio quem procuraram Baleia Rossi, presidente do MDB, para pressionar pela adesão do partido ao senador fluminense. No evento de terça-feira, a química entre os dois era evidente. Nunes declarou que "aprendeu a gostar demais" de Flávio, enquanto o senador retribuiu os elogios, lembrando que o prefeito havia sido alvo de críticas dentro do próprio bolsonarismo, mas que "calou a boca com o trabalho".
Flávio foi além da cortesia. Reconheceu que Nunes o socorreu "nos momentos mais difíceis" desde o início da pré-campanha. Essa linguagem de reciprocidade e lealdade não é casual em política — ela prepara o terreno para futuras trocas. O senador também fez um aceno direto ao MDB, citando como exemplo Wagner Rosário, indicado por Michel Temer a Jair Bolsonaro, que serviu como ministro-chefe da Controladoria-Geral da União de 2017 a 2022 e hoje é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. A mensagem era clara: o MDB tem espaço em governos Bolsonaro.
A decisão do partido foi tomada após 17 dos 27 diretórios estaduais se manifestarem a favor de Flávio. Baleia Rossi nega ter negociado cargos ou favores em troca do apoio, mas a expectativa política é outra. Se Flávio vencer a presidência, o MDB espera ganhar espaço em sua administração. Se Tarcísio for reeleito em 2030, a legenda quer influência no segundo mandato do governador. O vice-governador Felício Ramuth já sinalizou essa direção ao se filiar ao MDB em março.
O que está em jogo, portanto, vai além da eleição de 2026. Nunes usou a costura do apoio presidencial para fortalecer suas bases e sua viabilidade como candidato ao governo de São Paulo daqui quatro anos. O MDB, por sua vez, negocia presença e poder em cenários que ainda estão sendo definidos. É o tipo de movimento que caracteriza a política brasileira: alianças que se formam no presente com olho fixo no futuro.
Bemerkenswerte Zitate
Nunes declarou que aprendeu a gostar demais de Flávio durante a campanha— Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo
Flávio afirmou que Nunes o socorreu nos momentos mais difíceis desde a pré-campanha— Flávio Bolsonaro, senador