Apoio do MDB a Flávio fortalece Nunes como sucessor de Tarcísio

calou a boca com o trabalho
Flávio reconheceu publicamente que Nunes enfrentou críticas de bolsonaristas, mas se impôs pela competência.
Mark

Por que Nunes precisava costurar esse apoio agora? Ele já não era forte em São Paulo?

Mimi

Nunes é prefeito de São Paulo, mas quer ser governador. Para isso, precisa de uma base sólida no estado e no país. O apoio do MDB a Flávio o coloca como intermediário entre Tarcísio e o bolsonarismo — exatamente a posição que o viabiliza em 2030.

Luke

Mas a gente sabe que Nunes foi ignorado pelos bolsonaristas em 2024. Essa aproximação com Flávio agora é real ou é apenas tática de campanha?

Mimi

A reportagem mostra que os dois se aproximaram durante esta campanha. Flávio reconheceu publicamente que Nunes o socorreu nos momentos difíceis. Isso sugere uma relação que vai além do discurso.

Luke

Certo, mas Baleia Rossi nega ter pedido algo em troca. A gente não sabe se há um acordo de cargos ou se é só esperança do MDB.

Mark

E se Flávio não vencer? O que acontece com Nunes?

Mimi

Aí entra Tarcísio. Se o governador for reeleito, o MDB quer espaço no segundo mandato. Nunes já está próximo de Tarcísio, então sai ganhando de qualquer forma.

Luke

Verdade, mas a reportagem não deixa claro qual é o acordo específico. Sabemos que há expectativa de "ganho de espaço", mas não sabemos o que isso significa na prática.

Mark

Então Nunes está apostando em dois cavalos ao mesmo tempo?

Mimi

Exatamente. Ele fortalece Flávio agora, mas sua aposta real é em Tarcísio e na sucessão estadual em 2030. É um movimento de longo prazo.

  • O MDB, partido historicamente pragmático, oficializou apoio a Flávio Bolsonaro após 17 dos 27 diretórios estaduais se pronunciarem a favor — uma maioria que não surgiu espontaneamente.
  • Ricardo Nunes, que foi ignorado pelos bolsonaristas em sua reeleição de 2024, usou a articulação desse apoio para cicatrizar mágoas e se reposicionar como peça central da direita paulista.
  • Flávio Bolsonaro evocou o nome de Wagner Rosário — indicado pelo MDB e que serviu em governo Bolsonaro — como sinal velado de que o partido teria espaço em uma futura administração sua.
  • Baleia Rossi nega negociação de cargos, mas o vice-governador Felício Ramuth já migrou para o MDB em março, e a expectativa de influência política permeia toda a aliança.
  • O movimento aponta para 2030: Nunes como candidato ao governo de São Paulo, o MDB como sócio de poder — seja em Brasília, seja no Palácio dos Bandeirantes.

No xadrez da política brasileira, onde o presente é sempre ensaio para o futuro, o MDB formalizou nesta terça-feira seu apoio a Flávio Bolsonaro na corrida presidencial de 2026. Por trás do gesto eleitoral, Ricardo Nunes — prefeito de São Paulo e articulador da adesão — consolida sua posição como herdeiro político de Tarcísio de Freitas para o governo paulista em 2030. Alianças assim raramente falam apenas do momento em que nascem.

Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo pelo MDB, foi o arquiteto silencioso do apoio formal da legenda a Flávio Bolsonaro, anunciado nesta terça-feira. O gesto vai além de uma adesão eleitoral: é um investimento político de longo prazo que projeta Nunes como sucessor natural de Tarcísio de Freitas no governo paulista em 2030.

A relação entre Nunes e Flávio não nasceu fácil. Durante a reeleição do prefeito em 2024, o bolsonarismo o tratou com frieza. Foi o próprio Nunes, ao lado de Tarcísio, quem procurou Baleia Rossi para pressionar pela adesão do MDB ao senador fluminense. No evento desta terça, a reciprocidade era palpável: Nunes disse ter 'aprendido a gostar demais' de Flávio, que retribuiu lembrando que o prefeito 'calou a boca com o trabalho' diante das críticas internas ao bolsonarismo.

Flávio foi além da cortesia ao citar Wagner Rosário — indicado pelo MDB a Jair Bolsonaro, que chefiou a Controladoria-Geral da União por cinco anos. A mensagem era direta: o MDB cabe em governos Bolsonaro. A decisão partidária veio após 17 dos 27 diretórios estaduais se manifestarem a favor, e Baleia Rossi nega qualquer negociação de cargos. Mas a política tem sua própria linguagem: o vice-governador Felício Ramuth já havia se filiado ao MDB em março, antecipando o alinhamento.

O que está verdadeiramente em disputa é o mapa de poder dos próximos anos. Nunes fortalece sua candidatura a 2030. O MDB negocia presença em cenários ainda em construção. É a política brasileira em seu movimento mais característico: olhos no futuro enquanto as mãos trabalham o presente.

Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo pelo MDB, orquestrou nesta terça-feira o apoio formal da legenda a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. O movimento, anunciado publicamente, representa mais do que uma simples adesão eleitoral: é um cálculo político de longo prazo que posiciona Nunes como herdeiro natural do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na eleição estadual de 2030.

A aproximação entre Nunes e Flávio não é recente. Durante a reeleição de Nunes em 2024, bolsonaristas o ignoraram — um desconforto que a campanha presidencial de 2026 ajudou a cicatrizar. Foram o prefeito e o próprio Tarcísio quem procuraram Baleia Rossi, presidente do MDB, para pressionar pela adesão do partido ao senador fluminense. No evento de terça-feira, a química entre os dois era evidente. Nunes declarou que "aprendeu a gostar demais" de Flávio, enquanto o senador retribuiu os elogios, lembrando que o prefeito havia sido alvo de críticas dentro do próprio bolsonarismo, mas que "calou a boca com o trabalho".

Flávio foi além da cortesia. Reconheceu que Nunes o socorreu "nos momentos mais difíceis" desde o início da pré-campanha. Essa linguagem de reciprocidade e lealdade não é casual em política — ela prepara o terreno para futuras trocas. O senador também fez um aceno direto ao MDB, citando como exemplo Wagner Rosário, indicado por Michel Temer a Jair Bolsonaro, que serviu como ministro-chefe da Controladoria-Geral da União de 2017 a 2022 e hoje é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. A mensagem era clara: o MDB tem espaço em governos Bolsonaro.

A decisão do partido foi tomada após 17 dos 27 diretórios estaduais se manifestarem a favor de Flávio. Baleia Rossi nega ter negociado cargos ou favores em troca do apoio, mas a expectativa política é outra. Se Flávio vencer a presidência, o MDB espera ganhar espaço em sua administração. Se Tarcísio for reeleito em 2030, a legenda quer influência no segundo mandato do governador. O vice-governador Felício Ramuth já sinalizou essa direção ao se filiar ao MDB em março.

O que está em jogo, portanto, vai além da eleição de 2026. Nunes usou a costura do apoio presidencial para fortalecer suas bases e sua viabilidade como candidato ao governo de São Paulo daqui quatro anos. O MDB, por sua vez, negocia presença e poder em cenários que ainda estão sendo definidos. É o tipo de movimento que caracteriza a política brasileira: alianças que se formam no presente com olho fixo no futuro.

Nunes declarou que aprendeu a gostar demais de Flávio durante a campanha
— Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo
Flávio afirmou que Nunes o socorreu nos momentos mais difíceis desde a pré-campanha
— Flávio Bolsonaro, senador
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