A Apex Partners, que assessora 7.620 investidores, acumula dívidas de R$ 1 bilhão e teve parceria com BTG Pactual encerrada. A crise foi provocada por queda de receitas em investimentos alternativos, expansão acelerada e produtos com cashback e retorno garantido de 120% do CDI.
Apex entra em recuperação judicial e deixa Carbyne de fora
Crescimento acelerado e promessas que não conseguia sustentar
Como uma empresa que administrava R$ 17 bilhões chegou a esse ponto de colapso?
A Apex cresceu muito rápido enquanto oferecia produtos que eram insustentáveis — retorno garantido de 120% do CDI, cashback acionável. Quando os juros subiram e os investimentos alternativos desabaram, ela não conseguiu honrar essas promessas com as receitas que tinha.
Mas espera — ela oferecia retorno garantido de 120% do CDI? Quem aprovou esses produtos? Há regulação que permita isso?
Boa pergunta. O que sabemos é que a Apex afastou o fundador e o diretor financeiro para apurar irregularidades em controles internos e registros. Sugere que havia problemas de governança.
E a Carbyne, a gestora que ficou de fora da recuperação?
Tem outro sócio, Filipe Caldas, e está tentando se vender separadamente. O BTG, que administra alguns de seus fundos, deu prazo até 14 de setembro para interessados assumirem carteiras de R$ 1,1 bilhão.
Então a Carbyne não está em recuperação judicial, mas seus fundos estão congelados. Qual é exatamente a situação dela?
Ela está fora do pedido de recuperação, mas seus fundos estão fechados para resgate — exceto o Carbyne Travel. É uma situação ambígua.
E os 7.620 investidores que confiaram dinheiro à Apex?
Estão presos em um processo de recuperação judicial. Seus ativos estão em carteiras com iliquidez e precificação incerta, muitas delas expostas a empresas relacionadas ao próprio grupo Apex.
Isso é grave. Há alguma indicação de quanto tempo levará para resolver isso ou qual será o retorno para os investidores?
Não. A Apex apenas disse que segue operando para garantir continuidade. Mas com R$ 450 milhões em debêntures vencendo e sem caixa disponível, o cenário é incerto.
Der Puls
- Apex Partners acumula R$ 1 bilhão em dívidas e administra R$ 17 bilhões em ativos
- Assessora 7.620 investidores e emitiu R$ 450 milhões em debêntures
- Oferecia retorno garantido de 120% do CDI e produtos com cashback acionável
- Fundador Fernando Cinelli e diretor financeiro Eduardo Siqueira foram afastados para apuração de irregularidades
A Apex Partners, que assessora 7.620 investidores, acumula dívidas de R$ 1 bilhão e teve parceria com BTG Pactual encerrada. A crise foi provocada por queda de receitas em investimentos alternativos, expansão acelerada e produtos com cashback e retorno garantido de 120% do CDI.
Grupo capixaba Apex Partners, com quase R$ 1 bilhão em dívidas e R$ 17 bilhões sob gestão, entrou com pedido de recuperação judicial em Vitória, excluindo a gestora Carbyne que busca venda separada.
Na noite de 14 de setembro, o grupo capixaba Apex Partners bateu à porta da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória com um pedido que carregava quase R$ 1 bilhão em dívidas. A empresa, fundada em 2013, havia crescido para administrar R$ 17 bilhões em ativos, prestar assessoria financeira a 7.620 investidores e operar em frentes que iam desde gestão de ativos até private equity, venture capital e corretagem de seguros. Mas o pedido de recuperação judicial deixou de fora a Carbyne Investimentos, gestora que tem outro sócio e tenta negociar sua própria saída do processo — incluindo apenas a Apex Gestão de Recursos.
O colapso não foi repentino. Em agosto, o grupo já havia entrado com um pedido de proteção contra a execução de dívidas, sinalizando que algo se movia nos bastidores. A parceria com o BTG Pactual para distribuição de investimentos havia sido encerrada. O fundo Apex detinha 15% da agência de viagens CVC, um ativo que se tornaria central na crise que se desenrolava. O que começou como um problema de liquidez se transformou em uma questão estrutural: o grupo havia feito apostas que não conseguia honrar.
Os números revelam a armadilha em que a Apex se meteu. O grupo emitiu R$ 450 milhões em debêntures pela Rhino Securitizadora, garantidas por ações da própria BRM Apex Investimentos e da Apex Partners — uma estrutura que se desmoronava conforme os ativos perdiam valor. Desses R$ 450 milhões, R$ 83,3 milhões em resgates estavam vencendo e a empresa não tinha caixa para pagá-los. Para entender como se chegou ali, é preciso voltar aos produtos que a Apex vendia: fundos com retorno garantido de 120% do CDI e investimentos que ofereciam cashback acionável. Quando os juros subiram e os investimentos alternativos desabaram em rentabilidade, a Apex precisou usar capital próprio para honrar essas promessas. Depois veio a dívida.
A expansão acelerada do grupo agravou tudo. Enquanto receitas caíam, a Apex continuava crescendo, criando um descompasso entre o que entrava e o que saía. Internamente, havia sinais de alerta que não foram contidos: deficiências em registros, controles internos frágeis e relatórios gerenciais consolidados que não refletiam a realidade. O fundador e então presidente Fernando Cinelli e o diretor financeiro Eduardo Siqueira foram afastados para apuração de irregularidades.
A Carbyne, que é 80% controlada pela Apex e 20% por Filipe Caldas, virou um nó separado. O BTG Pactual, que administra alguns de seus fundos, fechou para resgate os fundos Fidc BRM Carbyne Crédito Estruturado, Carbyne Travel FIF e Carbyne Mercados Privados FIM Crédito Privado — somando R$ 1,1 bilhão sob gestão. Apenas o Carbyne Travel, que investe na CVC, foi reaberto. Outra carteira, a BRM Apex Carbyne Investimento Ações VI Voyage, também com exposição à CVC, foi incluída no pedido de recuperação da Apex. O BTG estabeleceu prazo até 14 de setembro para que interessados se manifestassem sobre assumir essas carteiras, enquanto os controladores da Carbyne buscavam um comprador separado para a operação.
A Apex alegou que análises indicavam iliquidez dos ativos em carteira e incerteza relevante sobre sua precificação. Havia também exposição a sociedades relacionadas ao próprio grupo — um sinal de que o dinheiro dos investidores havia sido canalizado para dentro da estrutura Apex de formas que agora se mostravam problemáticas. Sete mil e seiscentos e vinte investidores, que confiaram seu dinheiro à empresa, agora enfrentam a incerteza de um processo de recuperação judicial.
Quando procurada, a Apex limitou-se a dizer que seguia operando para garantir a continuidade das atividades e preservar os projetos dos quais participava. Era uma resposta que não respondia muito. O que estava claro era que um grupo que havia crescido rapidamente demais, com produtos que prometiam retornos que não conseguia sustentar, havia chegado ao ponto de ruptura. A recuperação judicial era agora o caminho — ou a última chance — para tentar reorganizar uma estrutura que havia desabado sob o peso de suas próprias promessas.
Bemerkenswerte Zitate
As análises indicaram a existência de condições de iliquidez dos ativos da carteira, bem como de incerteza relevante quanto à sua precificação— Apex Partners