Apenas um ligado aos presos do 8 de janeiro consegue se eleger

Cleriston Cunha (Clezão), pai de Luíza do Clezão, morreu enquanto estava detido na Papuda.
Quem se aproximava dos presos não conseguia votos
Apenas um advogado ligado aos detidos do 8 de janeiro conseguiu se eleger, enquanto outros candidatos com a mesma conexão fracassaram nas urnas.
Mark

Por que apenas Chiquini conseguiu se eleger? O que o diferencia dos outros?

Mimi

Chiquini recebeu 425 mil votos — foi o mais votado do Paraná. Os outros tiveram votações muito menores. Talvez ele tenha construído uma carreira política mais sólida além dessa conexão.

Luke

Mas o material não explica por quê. Sabemos que Chiquini venceu e os outros não, mas não sabemos se foi por competência política, por rejeição específica aos outros candidatos, ou se o Paraná simplesmente votou diferente de São Paulo e Brasília.

Mimi

É verdade. O que vemos é o resultado, não a causa. Sabemos que Cláudia Rodrigues teve menos de 3 mil votos e Chiquini teve 425 mil, mas não sabemos se a rejeição era ao 8 de janeiro ou a ela especificamente.

Mark

E quanto a Mariana Naime? Ela teve 67 mil votos, o que não é pouco.

Luke

Exato. Ela ficou como suplente por causa do coeficiente eleitoral. Isso significa que a votação dela foi significativa, mas o sistema não a elegeu. É diferente de rejeição pura.

Mimi

Então o padrão não é tão simples quanto parece. Alguns foram rejeitados nas urnas, outros tiveram votos mas não conseguiram se eleger por questões técnicas.

Mark

E Cleriston Cunha, o pai de Luíza, morreu na prisão?

Luke

Sim, morreu na Papuda enquanto estava detido. Isso é um fato importante que dá peso à história de Luíza, mas o material não diz se isso influenciou ou não a votação dela.

Mimi

O que fica claro é que nenhuma dessas pessoas conseguiu transformar sua conexão com o 8 de janeiro em capital político, exceto Chiquini. E ainda assim, não sabemos exatamente por quê.

  • A tentativa coletiva de transformar a defesa dos presos do 8 de janeiro em capital eleitoral revelou-se, nas urnas, uma aposta perdida para quase todos os envolvidos.
  • Cláudia Rodrigues, irmã de Débora do Batom, recebeu menos de três mil votos em São Paulo — o apelido que a tornara conhecida na mídia não gerou apoio político.
  • Mariana Naime, esposa de coronel condenado por omissão nos ataques, obteve mais de 67 mil votos no Distrito Federal, mas o coeficiente eleitoral a deixou como suplente, fora da Câmara.
  • Luíza do Clezão carregou o peso mais grave: candidatou-se à Câmara Distrital enquanto seu pai, Cleriston Cunha, morria detido na Papuda — e também não se elegeu.
  • Jeffrey Chiquini permanece como a única exceção, com mais de 425 mil votos pelo Paraná, provando que a regra da rejeição tinha, ao menos, uma fratura.

Nas eleições de outubro de 2026, o eleitorado brasileiro respondeu com silêncio às candidaturas erguidas à sombra do 8 de janeiro: advogados e parentes dos presos nos ataques de 2023 buscaram mandatos e, quase sem exceção, foram rejeitados. A associação com aquele dia não abriu portas — as fechou. Apenas Jeffrey Chiquini, advogado pelo Novo e o mais votado do Paraná, converteu essa proximidade em cadeira na Câmara Federal, tornando-se uma anomalia num padrão de derrota.

As urnas de outubro de 2026 desenharam um padrão difícil de ignorar: candidatos que se apresentavam como defensores ou familiares dos presos do 8 de janeiro encontraram rejeição generalizada. Advogados que atuaram nos casos, parentes que carregavam o sobrenome ou o apelido dos detidos — quase todos tentaram se eleger, e quase todos fracassaram.

A exceção foi Jeffrey Chiquini, do Novo, que havia representado Filipe Martins, assessor especial de Bolsonaro preso por descumprir medidas cautelares. Com mais de 425 mil votos, Chiquini tornou-se o candidato mais votado do Paraná e garantiu uma cadeira na Câmara Federal. Seus colegas de causa não tiveram a mesma sorte: Sebastião Coelho, desembargador e também advogado de Martins, tentou o Senado e não se elegeu.

Em São Paulo, Cláudia Rodrigues — irmã de Débora do Batom, a mulher que pichava a estátua da Justiça durante os ataques — candidatou-se a deputada federal e recebeu menos de três mil votos. No Distrito Federal, Mariana Naime, esposa do coronel Jorge Eduardo Naime condenado por omissão nos eventos, obteve votação expressiva, acima de 67 mil votos, mas ficou como suplente por não atingir o coeficiente eleitoral.

A história mais pesada foi a de Luíza do Clezão. Filha de Cleriston Cunha, um dos presos do 8 de janeiro que morreu enquanto estava detido na Papuda, Luíza disputou uma vaga na Câmara Distrital de Brasília e não se elegeu. Carolina Siebra, da Associação de Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro, também ficou fora da Câmara dos Deputados, com menos de dois mil votos.

O resultado consolidou uma leitura: a ligação com os ataques de janeiro de 2023 funcionou, para a grande maioria, não como plataforma política, mas como barreira. Chiquini permanece como anomalia — o único que conseguiu transformar essa proximidade em mandato.

As urnas fecharam e o resultado foi claro: quem se aproximava dos presos do 8 de janeiro não conseguia votos. De um lado da chapa havia advogados que defenderam os detidos, do outro, parentes diretos daqueles que foram presos nos ataques de 2023. Todos tentaram se eleger. Quase todos fracassaram.

A exceção foi Jeffrey Chiquini, advogado pela legenda Novo, que conquistou uma cadeira na Câmara Federal pelo Paraná. Chiquini havia representado Filipe Martins, assessor especial de Jair Bolsonaro que foi preso por descumprir medidas cautelares. O resultado foi expressivo: mais de 425 mil votos o tornaram o candidato mais votado do estado. Enquanto isso, seus colegas de causa enfrentavam rejeição nas urnas.

Cláudia Rodrigues, também filiada ao Novo, carregava uma história que a perseguia. Irmã de Débora do Batom — a mulher que pichava a estátua da Justiça durante os ataques — Cláudia se candidatou a deputada federal por São Paulo. Recebeu menos de três mil votos. O apelido que a identificava na mídia não se converteu em apoio eleitoral.

No Distrito Federal, Mariana Naime tentou uma vaga na Câmara dos Deputados. Ela é esposa do coronel da Polícia Militar Jorge Eduardo Naime, condenado por omissão nos eventos de 8 de janeiro. Mariana obteve votação considerável, acima de 67 mil votos, mas o coeficiente eleitoral não a favoreceu. Ficou como suplente. Sebastião Coelho, desembargador também pelo Novo e outro advogado de Filipe Martins, tentou uma vaga no Senado e não conseguiu se eleger.

A história mais pesada pertence a Luíza do Clezão. Filha de Cleriston Cunha, conhecido como Clezão e um dos presos do 8 de janeiro, ela se candidatou à Câmara Distrital de Brasília. Seu pai morreu enquanto estava detido na penitenciária da Papuda. Luíza não conquistou uma cadeira. Carolina Siebra, representante da Associação de Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro, também não se elegeu à Câmara dos Deputados, com menos de dois mil votos.

O padrão era inescapável. Aqueles que se apresentavam como defensores ou familiares dos presos encontravam rejeição nas urnas. A ligação com os eventos de janeiro de 2023 não funcionava como ponte para o poder político — funcionava como barreira. Chiquini permanecia como anomalia, o único que conseguiu transformar a proximidade com os presos em mandato.

Chiquini foi advogado de Filipe Martins, assessor especial de Jair Bolsonaro que foi preso após descumprir medidas cautelares
— Contexto da candidatura de Jeffrey Chiquini
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