Apenas 2 investimentos de renda fixa superam CDI no 1º semestre de 2026

Apenas dois investimentos conseguiram superar a taxa de referência
Debêntures atreladas ao CDI e Tesouro Selic foram as únicas aplicações que bateram o índice no primeiro semestre de 2026.

No primeiro semestre de 2026, o mercado brasileiro de renda fixa revelou uma verdade antiga: nem todo porto seguro resiste à tempestade. Apenas as debêntures atreladas ao CDI e o Tesouro Selic conseguiram superar o índice de referência, enquanto papéis corrigidos pela inflação — castigados por resgates em massa e pelo susto de duas grandes recuperações judiciais — entregaram retornos quase irrisórios. O episódio lembra que, mesmo em terreno conservador, o tempo e a qualidade do emissor importam tanto quanto a promessa de rendimento.

  • Entre março e abril, os pedidos de recuperação judicial da Raízen e do GPA sacudiram o mercado de crédito privado, elevando a aversão ao risco e derrubando os preços dos papéis marcados a mercado.
  • Os fundos sofreram resgates em cadeia, os spreads explodiram — especialmente nos títulos atrelados à inflação — e o Banco Central agravou a turbulência com uma comunicação considerada confusa pelo mercado.
  • O Tesouro Nacional chegou a cancelar um leilão de NTN-B porque as taxas haviam subido a patamares considerados insustentáveis, sinalizando o grau de desconforto que tomou conta do mercado.
  • Uma recuperação tímida começou em maio e ganhou força em junho, impulsionada pela queda do petróleo e por um IPCA-15 abaixo do esperado — mas tarde demais para salvar o semestre.
  • Analistas recomendam cautela para o segundo semestre, com foco em emissores de maior qualidade, reconhecendo que a reprecificação dos papéis ao menos tornou a relação risco-retorno mais honesta do que era em janeiro.

Os primeiros seis meses de 2026 foram um teste de resistência para os investidores de renda fixa. Ao final do período, apenas dois tipos de ativo conseguiram superar o CDI — a taxa de referência do mercado, que acumulou 6,90% no semestre. As debêntures atreladas ao CDI avançaram 7,09%, e o Tesouro Selic subiu 6,95%. Tudo o mais ficou abaixo dessa linha. No extremo oposto, as debêntures incentivadas corrigidas pela inflação entregaram apenas 1,43% — pouco mais de um quinto do que o CDI havia rendido.

A turbulência teve endereço e data. Entre março e abril, os processos de recuperação judicial da Raízen e do GPA assustaram o mercado, provocando resgates em fundos e uma abertura agressiva dos spreads de crédito, especialmente nos papéis indexados à inflação. O Banco Central contribuiu para o clima de incerteza com uma comunicação considerada confusa, e o Tesouro Nacional chegou a cancelar um leilão de NTN-B porque as taxas haviam subido a níveis considerados excessivos.

Uma recuperação começou a se esboçar em maio e ganhou tração em junho, quando a queda do petróleo — o Brent recuou de US$ 82 para cerca de US$ 73 após um memorando entre Estados Unidos e Irã — e um IPCA-15 abaixo das expectativas ajudaram a derrubar os juros futuros. O alívio, porém, chegou tarde demais para alterar o resultado do semestre.

Nos títulos prefixados e nos indexados à inflação, a lógica foi a mesma: quanto mais curto o prazo, melhor o desempenho. Para o segundo semestre, analistas recomendam seletividade no crédito privado, com preferência por emissores de maior qualidade. A reprecificação dos papéis ao longo do período ao menos tornou a relação entre risco e retorno mais equilibrada — mas a confiança do mercado ainda não voltou ao ponto de partida.

Os primeiros seis meses de 2026 foram particularmente desafiadores para quem apostava em renda fixa. Quando o semestre terminou, apenas dois tipos de investimento conseguiram superar o CDI, a taxa que funciona como referência do mercado. Tudo o mais ficou para trás — e alguns papéis entregaram resultados tão modestos que pareciam quase simbólicos.

As debêntures atreladas ao CDI, acompanhadas pelo índice IDA-DI, foram as vencedoras incontestes, avançando 7,09% no período. Logo atrás, os títulos públicos pós-fixados, como o Tesouro Selic, subiram 6,95%. O CDI em si acumulou 6,90% entre janeiro e junho. Tudo o mais ficou abaixo dessa linha. No extremo oposto, as debêntures incentivadas corrigidas pela inflação entregaram apenas 1,43% — um resultado tão fraco que representava apenas um quinto do que o CDI havia rendido.

A volatilidade que marcou o período começou cedo. O mercado de crédito privado iniciou o ano com prêmios de risco comprimidos, mas entre março e abril tudo mudou. Os processos de recuperação judicial de duas grandes empresas — Raízen e GPA — assustaram os investidores e elevaram significativamente a aversão ao risco. Os fundos começaram a sofrer resgates, os preços dos papéis caíram quando marcados a mercado, e os spreads, aquele prêmio que os emissores pagam acima dos títulos públicos para compensar o risco, abriram de forma particularmente agressiva justamente nos títulos atrelados à inflação. A recuperação só começou a aparecer em maio, ganhando força em junho.

O Banco Central também contribuiu para a turbulência. Sua comunicação foi considerada confusa pelo mercado, alimentando ainda mais a incerteza. O Tesouro Nacional chegou a cancelar um leilão de NTN-B — títulos públicos corrigidos pela inflação — porque as taxas estavam em patamares considerados muito elevados. Esses movimentos deixaram marcas profundas nos preços dos papéis.

Os últimos dias de junho trouxeram algum alívio, mas tarde demais para mudar o resultado do semestre. O preço do petróleo caiu cerca de 12%, com o Brent recuando de US$ 82 para próximo de US$ 73 por barril, depois que Estados Unidos e Irã assinaram um memorando de entendimento sobre o conflito no Oriente Médio. Simultaneamente, o IPCA-15 de junho subiu apenas 0,41%, abaixo do que o mercado esperava. Esses movimentos contribuíram para uma queda nos juros futuros. Mas o estrago já estava feito.

Entre os títulos públicos prefixados, o padrão foi claro: quanto mais curto o prazo, melhor o desempenho. Os papéis com vencimento de até um ano subiram 6,63%, enquanto aqueles com prazos mais longos avançaram apenas 4,47%. O mesmo aconteceu com os títulos indexados à inflação: os de até cinco anos renderam 6,48%, enquanto os de prazo mais longo ficaram em apenas 2,20%.

Os analistas que olham para frente recomendam cautela. O BB Investimentos sugere que os investidores sejam seletivos no crédito privado, priorizando emissores de maior qualidade e estruturas financeiras mais robustas. A boa notícia é que a reprecificação dos papéis ao longo do semestre tornou a relação entre risco e retorno mais equilibrada do que estava no início do ano. Mas a confiança ainda não voltou ao normal.

O BB Investimentos recomenda cautela na alocação em crédito privado, com preferência por emissores de maior qualidade e estruturas financeiras mais robustas
— BB Investimentos
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que apenas dois investimentos conseguiram bater o CDI? Parece um número muito baixo.

Model

A volatilidade foi extrema. Começou com spreads muito comprimidos em janeiro, depois dois processos de recuperação grandes assustaram o mercado em março e abril, e os investidores começaram a vender tudo que era mais arriscado.

Inventor

E por que as debêntures atreladas à inflação sofreram tanto?

Model

Porque os spreads abriram justamente nesses papéis. Quando o mercado fica assustado, ele foge para o mais seguro — e títulos públicos são mais seguros que debêntures de empresas alavancadas.

Inventor

O Banco Central teve culpa nisso?

Model

Sua comunicação foi confusa, o que alimentou a incerteza. E o Tesouro cancelou um leilão porque as taxas estavam muito altas. Tudo isso junto criou um clima de desconfiança.

Inventor

Então as coisas melhoraram no final de junho?

Model

Sim, mas tarde. O petróleo caiu, a inflação veio mais fraca que o esperado, os juros futuros caíram. Mas o semestre já tinha sido marcado pela queda de preços.

Inventor

E agora, o que esperar?

Model

Cautela. Os analistas recomendam ficar com emissores de melhor qualidade. A boa notícia é que os papéis ficaram mais baratos, então a relação entre risco e retorno melhorou.

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