Em sociedades onde a lei prolifera sem que a moral a preceda, o excesso normativo torna-se sintoma, não remédio. O Brasil debate um código de conduta para ministros das Cortes Superiores como se palavras em papel oficial pudessem substituir aquilo que nenhuma norma é capaz de criar: a integridade. Tácito já advertia que a corrupção do Estado se mede pela quantidade de leis que ele produz — e o Brasil, fiel a essa ironia histórica, acumula legislação enquanto a crise moral institucional se aprofunda, protegendo os poderosos e recaindo sobre os desprotegidos.