Stefanni recebeu diagnóstico de câncer de mama com metástase nos ossos em fevereiro de 2021, interrompendo sua carreira bancária e transformando sua vida completamente. Durante tratamento, ela aprendeu a observar respostas do corpo, negociar com médicos e retomar atividades simples como ir à praia e festas, reconstruindo autoestima.
Aos 32 anos, Stefanni Gonçalves ressignifica a vida durante tratamento de câncer metastático
Eu vou usufruir da minha vida
Como ela conseguiu passar de um diagnóstico que parecia uma sentença de morte para essa relação tão diferente com o tratamento?
Acho que foi quando ela percebeu que podia ser ativa no próprio tratamento, não só passiva. Ela começou a observar o corpo, a conversar com os médicos sobre o que ainda era possível fazer. Isso muda tudo.
Mas é importante notar que ela teve sorte em encontrar um médico que a ouvisse. Nem toda mulher em tratamento tem esse acesso ou essa abertura.
E a questão do corpo? Ela fala sobre se sentir mutilada depois da mastectomia.
Sim, e ela é honesta sobre isso. Não romantiza. Mas ao mesmo tempo, encontrou outras formas de se reconhecer — o cabelo cacheado que cresceu depois da quimioterapia virou parte importante de como ela se vê.
Isso é real, mas também é um processo em andamento. Ela mesma diz que ainda tem dificuldades ao olhar para o corpo sem roupa. Não é uma resolução completa.
Ela perdeu o trabalho, a renda diminuiu. Como ela está financeiramente agora?
Ela se aposentou por motivos de saúde e começou a produzir conteúdo para internet e dar palestras. Diz que é mais feliz agora, mas dentro de uma realidade diferente.
Ela diz que é mais feliz, e pode ser verdade. Mas a gente não sabe os detalhes da situação financeira dela agora. Produzir conteúdo e palestras pode gerar renda, mas não sabemos se é suficiente ou estável.
Qual é a mensagem dela para outras mulheres?
Que parem de cuidar de todo mundo e cuidem de si mesmas. Que aproveitem esse momento em que o corpo está pedindo ajuda para realmente focar em si.
É um conselho poderoso, mas também é um privilégio poder fazer isso. Nem toda mulher em tratamento tem a flexibilidade ou o apoio para priorizar a si mesma dessa forma.
Der Puls
- Diagnóstico de câncer de mama com metástase nos ossos em fevereiro de 2021, aos 27 anos
- Mastectomia bilateral, quimioterapia, radioterapia e cirurgia como parte do tratamento
- Aposentadoria por motivos de saúde e mudança de carreira para produção de conteúdo e palestras
- Atualmente aos 32 anos, em tratamento paliativo contínuo
Stefanni recebeu diagnóstico de câncer de mama com metástase nos ossos em fevereiro de 2021, interrompendo sua carreira bancária e transformando sua vida completamente. Durante tratamento, ela aprendeu a observar respostas do corpo, negociar com médicos e retomar atividades simples como ir à praia e festas, reconstruindo autoestima.
Aos 32 anos, Stefanni Gonçalves relata sua jornada após diagnóstico de câncer de mama metastático aos 27, aprendendo a viver com qualidade durante tratamento paliativo contínuo.
Stefanni Gonçalves estava no intervalo de almoço quando a vida parou. Era 24 de fevereiro de 2021. Ela havia saído da agência bancária onde trabalhava para levar alguns exames a uma consulta. O médico examinou os resultados, fechou a porta e perguntou se ela estava sozinha. Ela respondeu que sim, mas que precisava voltar ao trabalho em breve. Ele lhe disse que não voltaria naquele dia. Na verdade, nunca mais voltaria.
Aos 27 anos, Stefanni recebeu o diagnóstico de câncer de mama com metástase nos ossos. Os sinais estavam ali há meses — dores no ombro direito, na coluna, na perna — mas ela havia aprendido a contorná-los. Se levantar com a mão direita doía, usava a esquerda. Se uma perna incomodava para subir um degrau, apoiava-se na outra. Ela trabalhava muito e não reclamava. Em dezembro de 2020, um espirro fez seu corpo travar completamente. Passou pela emergência, recebeu relaxantes musculares e voltou para casa. Semanas depois, viajou para a Chapada Diamantina e fez trilhas mesmo sentindo dores. Quando procurou um ortopedista, os exames começaram a revelar o que estava acontecendo. Nenhuma rotina a preparou para aquele consultório fechado e aquela notícia.
No primeiro atendimento após o diagnóstico, um médico lhe deu uma estimativa: dois anos de vida. Stefanni pegou seus exames da mesa, agradeceu e nunca mais voltou. Encontrou depois o mastologista Técio Arcanjo. Nervosa e ainda tentando compreender, pediu permissão para gravar a consulta. Ele concordou. Colocou o celular entre os dois e explicou os próximos passos com calma. A biópsia confirmou que o tumor primário estava na mama e que havia doença metastática. O tratamento seria individualizado, com objetivos claros: controlar a doença, prolongar a sobrevida e preservar a qualidade de vida.
Vieram radioterapia, quimioterapia, cirurgia, terapias-alvo. Treze terças-feiras consecutivas de tratamento, enquanto outra medicação era administrada a cada 21 dias. Na primeira sessão de quimioterapia, teve uma reação alérgica. Mas foi durante esse período que algo mudou em sua forma de enxergar o tratamento. Stefanni começou a observar as respostas do seu próprio corpo. Sabia que tomava quimio na terça e passava mal depois. Então começou a se questionar: se eu sei que vou passar mal, o que posso fazer para passar menos mal? Voltou a fazer perguntas simples que pareciam ter desaparecido. Podia ir à praia? Podia sair? Podia ocupar espaços que não fossem hospitais? Seu médico disse que não podia tomar sol, então ela ia toda coberta, mas se sentava na areia. Começou a entender que existiam meios de viver uma vida mais leve, com consciência e responsabilidade.
Quando recebeu autorização médica para retomar atividades, ligou para o médico e disse que iria a uma festa. Ele respondeu que sua imunidade estava boa. Ela colocou um body decotado, estava com o cabelo curtinho, e foi. "Eu falei: 'Eu vou usufruir da minha vida'", lembra. Passou por mastectomia bilateral e reconstrução mamária. Apesar de se sentir confortável quando vestida, ainda enfrenta dificuldades ao olhar para o corpo sem roupa. A insegurança aparece em situações simples: trocar de roupa perto das amigas, escolher um biquini. Mas outra mudança física se tornou importante para sua autoestima. Antes do câncer, alisava os cabelos. Depois da quimioterapia, quando os fios cresceram novamente, vieram mais cacheados e com mais cabelos brancos. Ela decidiu deixar crescer naturalmente. "Hoje, chego nos lugares com meu cabelo armado e me acho linda."
Antes do diagnóstico, Stefanni era bancária e tinha na carreira uma parte importante de sua identidade. Depois do afastamento, precisou se aposentar por motivos de saúde. A renda diminuiu de forma significativa. Passou então a produzir conteúdo para internet e falar sobre sua história com o câncer. "Perdi um trabalho que era meu sonho. Amava minha vida financeira de antigamente. Mas, hoje, dentro da minha realidade, sou muito mais feliz." Com o tempo, começou a dar palestras e a compartilhar sua experiência com outras mulheres em tratamento.
A doença também mudou suas prioridades. Antes, grande parte de sua energia estava voltada ao trabalho e às conquistas materiais. Depois do diagnóstico, começou a prestar atenção nos relacionamentos, nos desejos que adiava, no tempo dedicado a si mesma. Hoje, faz das primeiras horas do dia um momento sagrado dedicado ao próprio cuidado. Abre os olhos todos os dias e sua prioridade é ela mesma. Toma seu remédio, faz seu café da manhã, bebe sua água, vai para a academia. Aos 32 anos, Stefanni segue convivendo com o câncer metastático e com um tratamento contínuo. Ela pensa: "Fica quietinho aí. Está tudo certo aqui fora. Não precisa se desenvolver mais, não. Fica aí que eu vou viver por aqui." Sua mensagem para mulheres que acabaram de receber um diagnóstico é direta: pare de cuidar de todo mundo ao seu redor. Aproveite esse momento em que o corpo está pedindo ajuda e foque em você. Cuide de você. Tire um tempo para você.
Bemerkenswerte Zitate
O câncer é uma doença muito difícil, eu não vou romantizar. Mas existe qualidade de vida.— Stefanni Gonçalves
Pare de cuidar de todo mundo ao seu redor, porque nós, mulheres, fazemos muito isso. Aproveite esse momento em que o corpo está pedindo ajuda e foque em você.— Stefanni Gonçalves