Em um tempo em que a promessa de corpos transformados se tornou um dos maiores mercados da medicina moderna, a Anvisa se vê diante de uma questão que equilibra esperança e cautela: treze brasileiros relataram perda súbita de visão enquanto usavam canetas emagrecedoras como Ozempic e Wegovy. A condição investigada — uma espécie de infarto silencioso no nervo óptico — ainda não foi comprovadamente ligada aos medicamentos, mas o órgão regulador age com a prudência que a incerteza exige. É o momento em que a ciência precisa ser mais rápida do que o medo, e mais honesta do que o mercado.
Anvisa investiga 13 casos de cegueira súbita ligados a canetas emagrecedoras
A relação causal ainda não ficou confirmada
Por que a Anvisa está investigando esses casos se a relação causal ainda não foi comprovada?
Porque treze notificações de cegueira súbita em usuários de medicamentos emagrecedores é um sinal que merece atenção, mesmo que raro. A agência tem o dever de investigar qualquer padrão potencial de efeito adverso.
Mas é importante notar que treze casos em uma população de milhões de usuários é um número muito pequeno. E a Novo Nordisk aponta que em seus ensaios clínicos com 83 mil pacientes-ano, havia mais casos de NOIA no grupo placebo do que no grupo que recebeu semaglutida.
Então os medicamentos podem estar protegendo contra a cegueira?
Não é bem assim. O que os dados sugerem é que a NOIA ocorre naturalmente em certas populações, e não há evidência clara de que esses medicamentos aumentem o risco.
Exatamente. E é crucial lembrar que esses são casos notificados, não casos confirmados como causados pelos medicamentos. A notificação é o primeiro passo de uma investigação, não uma conclusão.
Qual é o risco real para alguém que está usando Ozempic ou Wegovy agora?
A Anvisa está orientando as pessoas a procurar atendimento médico imediatamente se experimentarem perda súbita de visão. Mas a incidência é muito baixa, e a maioria dos usuários não terá esse problema.
O que não sabemos ainda é se esses treze casos têm algo em comum além do uso do medicamento. Poderiam ser coincidências, ou poderiam haver fatores de risco subjacentes que não foram identificados. A investigação vai tentar responder isso.
El Pulso
- Treze casos de cegueira súbita associados a medicamentos emagrecedores injetáveis acendem um alerta que nenhum paciente em tratamento pode ignorar.
- A condição investigada, a neuropatia óptica isquêmica anterior, age como um infarto no nervo que leva imagens ao cérebro — irreversível se não tratada a tempo.
- A Novo Nordisk contra-argumenta com dados de mais de 83 mil pacientes-ano, nos quais usuários de semaglutida apresentaram menos casos da doença do que quem tomou placebo.
- A Anvisa ainda não estabeleceu relação causal, mas orienta pacientes a buscar atendimento médico imediato diante de qualquer alteração súbita na visão.
- O fabricante do Mounjaro permanece em silêncio, e a investigação segue aberta — deixando milhões de usuários desses medicamentos em uma zona de incerteza monitorada.
Em um tempo em que a promessa de corpos transformados se tornou um dos maiores mercados da medicina moderna, a Anvisa se vê diante de uma questão que equilibra esperança e cautela: treze brasileiros relataram perda súbita de visão enquanto usavam canetas emagrecedoras como Ozempic e Wegovy. A condição investigada — uma espécie de infarto silencioso no nervo óptico — ainda não foi comprovadamente ligada aos medicamentos, mas o órgão regulador age com a prudência que a incerteza exige. É o momento em que a ciência precisa ser mais rápida do que o medo, e mais honesta do que o mercado.
A Anvisa anunciou que investiga treze casos de perda súbita de visão potencialmente associados a medicamentos emagrecedores injetáveis. Os relatos envolvem nomes amplamente conhecidos: cinco notificações referem-se ao Ozempic, três ao Wegovy, duas ao Wegovy FlexTouch, uma ao Mounjaro e duas ao Rybelsus, versão oral da semaglutida. Até agora, nenhuma relação causal foi comprovada.
A condição investigada tem nome técnico preciso: neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica, ou NOIA. Trata-se de uma lesão semelhante a um infarto na artéria que nutre o nervo óptico — a estrutura responsável por transmitir imagens ao cérebro. Diante disso, a agência orienta que qualquer paciente em uso desses medicamentos que experimente perda ou piora súbita da visão procure atendimento médico imediatamente.
A Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, respondeu com dados de seus próprios ensaios clínicos: em estudos que reuniram mais de 83 mil pacientes-ano de observação, apenas três casos confirmados de NOIA foram identificados entre usuários de semaglutida ou liraglutida — contra cinco casos no grupo placebo. A empresa sustenta que o perfil de segurança da semaglutida é robusto, com mais de 58 milhões de pacientes-ano de exposição pós-comercialização, e que os benefícios cardiovasculares e renais documentados mantêm favorável a relação risco-benefício do medicamento.
A Lilly do Brasil, responsável pelo Mounjaro, não respondeu aos pedidos de comentário da imprensa. A investigação da Anvisa segue em curso, e a recomendação às pessoas em tratamento é clara: manter contato próximo com profissionais de saúde e não interromper nem alterar o uso dos medicamentos sem orientação médica.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária anunciou na segunda-feira que está investigando treze casos de perda súbita de visão potencialmente ligados ao uso de medicamentos emagrecedores injetáveis. A condição em questão é rara, e até agora nenhuma relação causal comprovada foi estabelecida entre os fármacos e a cegueira.
Os casos notificados envolvem medicamentos populares para perda de peso e controle de diabetes. Cinco notificações referem-se ao Ozempic, três ao Wegovy, duas ao Wegovy FlexTouch e uma ao Mounjaro. Além disso, duas notificações mencionam o Rybelsus, um medicamento oral que contém semaglutida. O levantamento foi realizado a pedido de uma emissora de televisão e posteriormente compartilhado com a imprensa.
O diagnóstico técnico dos casos é neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica, conhecida pela sigla NOIA. A condição envolve uma lesão semelhante a um infarto na artéria responsável por alimentar o nervo óptico, a estrutura que transmite as imagens ao cérebro. A Anvisa orientou pacientes a procurar atendimento médico imediatamente caso experimentem perda súbita ou piora rápida da visão durante o uso desses medicamentos.
A Novo Nordisk, fabricante do Wegovy e do Ozempic, respondeu por nota que a segurança dos pacientes é sua prioridade máxima. A empresa afirmou que seus próprios estudos clínicos determinaram que muito poucos casos de NOIA poderiam estar associados ao consumo de semaglutida. Segundo a fabricante, análises agrupadas de ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo envolveram mais de 83 mil pacientes-ano de observação no braço da semaglutida. Nesses estudos, foram identificados apenas três casos confirmados de NOIA entre pessoas que receberam semaglutida ou liraglutida, em comparação com cinco casos entre pessoas que receberam placebo, sugerindo que a ocorrência foi independente do medicamento.
A Novo Nordisk enfatizou que a semaglutida possui um perfil de segurança bem estabelecido, apoiado por robustos programas de desenvolvimento clínico com exposição pós-comercialização superior a 58 milhões de pacientes-ano em formulações orais e injetáveis. A empresa destacou que a semaglutida tem a maior exposição pós-comercialização entre as terapias baseadas em GLP-1, proporcionando experiência substancial em diversas populações de pacientes. A fabricante também ressaltou que dados de ensaios cardiovasculares e renais demonstraram redução no risco de morte em participantes tratados com semaglutida em comparação ao placebo.
A Novo Nordisk concluiu que, considerando a totalidade das evidências de ensaios clínicos, relatos pós-comercialização e estudos observacionais, somados à incidência geralmente baixa de NOIA, o perfil de benefício-risco da semaglutida permanece favorável. A empresa afirmou estar comprometida com a segurança dos pacientes e monitorar continuamente o perfil de segurança de seus medicamentos da classe GLP-1, implementando medidas apropriadas caso dados emergentes de segurança exijam novas ações.
A fabricante do Mounjaro, a Lilly do Brasil, foi procurada pela imprensa mas ainda não respondeu. A empresa havia declarado a uma emissora que avalia constantemente, em conjunto com as autoridades, os dados sobre eventuais efeitos colaterais de seus produtos. A investigação da Anvisa continua em andamento, e pacientes que usam esses medicamentos devem manter contato próximo com seus profissionais de saúde para diagnósticos corretos, tratamento adequado e monitoramento cuidadoso.
Citas Notables
A segurança dos pacientes é prioridade máxima para a Novo, e levamos muito a sério todos os relatos de eventos adversos— Novo Nordisk
A orientação é que pacientes procurem atendimento médico imediatamente em caso de perda súbita ou piora rápida da visão— Anvisa