Anvisa autoriza estudo clínico com terceira dose da AstraZeneca

A imunidade cai de 95% para 86% em seis meses
Dados da Pfizer mostram redução de proteção ao longo do tempo, justificando pesquisa sobre doses de reforço.
Mark

Por que a Anvisa autorizou justamente agora um estudo com terceira dose da AstraZeneca?

Mimi

Porque há sinais de que a imunidade pode cair com o tempo. Os dados da Pfizer mostram queda de 95-100% para 86-90% após seis meses. É natural que os fabricantes queiram entender se um reforço restaura essa proteção.

Luke

Mas esses números da Pfizer — são de qual população? Quanto tempo levou para cair? Porque "seis meses" é vago se não sabemos em que contexto.

Mimi

Cristiano Zerbini falou isso em entrevista, então é o que temos. O ponto é que a queda existe e precisa ser investigada.

Mark

E por que profissionais de saúde? Por que esse grupo específico?

Mimi

Porque estão altamente expostos ao vírus. Se alguém vai receber uma terceira dose primeiro, faz sentido ser quem tem mais risco de reinfecção.

Luke

Dez mil voluntários é um número grande. Mas o estudo é só no Brasil — isso limita o que pode ser generalizado depois?

Mimi

Sim, mas é um começo. Outros países provavelmente farão seus próprios testes. A Pfizer já disse que vai fazer.

Mark

E essa nova versão AZD2816 — ela substitui a antiga ou é um caminho paralelo?

Mimi

Parece ser paralelo por enquanto. Está sendo testada em oitocentos voluntários, bem menos que o estudo de terceira dose. É mais experimental.

Luke

A AZD2816 foi modificada para proteger contra a variante beta. Mas quantas variantes existem agora? Essa abordagem de modificar a vacina para cada variante é sustentável?

Mimi

Ótima pergunta. A reportagem não responde isso. Sabemos que foi modificada, mas não sabemos qual é a estratégia de longo prazo da AstraZeneca.

Mark

E as pessoas que receberem placebo no estudo de terceira dose — elas ficam sem proteção?

Mimi

Não. Depois que o cegamento é quebrado, todos são convidados a receber a vacina de verdade. Ninguém fica de fora permanentemente.

  • A queda gradual da efetividade vacinal — de até 100% para cerca de 86-90% após seis meses — acende o alerta sobre a necessidade de doses de reforço.
  • Dez mil brasileiros de cinco estados serão recrutados para um ensaio controlado e randomizado que testará a terceira dose da AstraZeneca entre 11 e 13 meses após a segunda aplicação.
  • Paralelamente, a Anvisa autorizou testes com a AZD2816, versão reformulada da AstraZeneca projetada para enfrentar a variante beta, que resistia à formulação original.
  • A Pfizer também se prepara para conduzir seus próprios estudos sobre reforço, sinalizando que a questão da dose adicional deixou de ser hipótese e se tornou prioridade científica global.
  • O cenário aponta para um futuro em que a vacinação contra a Covid-19 pode seguir o modelo de imunizações periódicas, exigindo planejamento contínuo de saúde pública.

Em meio à corrida global para compreender a durabilidade da imunidade contra a Covid-19, o Brasil deu um passo científico significativo: a Anvisa autorizou, em 19 de julho de 2021, um estudo clínico com dez mil voluntários para avaliar se uma terceira dose da vacina AstraZeneca oferece proteção segura e eficaz. A iniciativa reflete uma inquietação compartilhada por cientistas e governos ao redor do mundo — a de que a proteção conquistada pode não ser permanente, e que a vigilância científica é, ela própria, uma forma de cuidado coletivo.

A Anvisa autorizou, na segunda-feira 19 de julho, um estudo clínico para investigar a segurança e a eficácia de uma terceira dose da vacina AstraZeneca. O ensaio reunirá dez mil voluntários já imunizados com duas doses, que receberão a aplicação adicional entre onze e treze meses após a segunda dose.

Os participantes serão recrutados em cinco estados — Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e São Paulo — com foco em profissionais de saúde entre 18 e 55 anos em situação de alto risco de exposição ao coronavírus. Gestantes e pessoas com comorbidades não serão incluídas. O estudo seguirá modelo controlado, randomizado e simples-cego: cada voluntário não saberá se recebeu a vacina ou um placebo, sendo que os do grupo placebo serão convidados a se imunizar ao fim da fase cega.

A aprovação veio uma semana após a Anvisa liberar testes com a AZD2816, versão modificada da AstraZeneca desenvolvida para oferecer proteção contra a variante beta — contra a qual a fórmula original mostrou eficácia limitada. Esse segundo estudo contará com 800 voluntários e aceitará tanto pessoas já vacinadas quanto não vacinadas.

No mesmo dia, a agência também autorizou um ensaio de fase 3 com a proxalutamida, medicamento testado contra a inflamação causada pelo coronavírus, com 50 voluntários do sexo masculino no Brasil e participação de outros seis países.

O debate sobre doses de reforço ganhou voz concreta com Cristiano Zerbini, coordenador de estudos da Pfizer no Brasil, que afirmou haver grande probabilidade de uma terceira dose ser necessária. Dados da empresa indicam que a efetividade, que chega a quase 100% após a segunda dose, recua para cerca de 86-90% seis meses depois — um declínio que transforma a pergunta sobre o reforço em urgência científica.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária deu sinal verde, na segunda-feira 19 de julho, para um estudo clínico que vai testar se uma terceira dose da vacina AstraZeneca é segura, eficaz e capaz de gerar resposta imunológica adequada. O trabalho envolverá dez mil voluntários — pessoas que já completaram o esquema de duas doses do imunizante com intervalo de quatro semanas entre elas. A terceira aplicação ocorrerá entre onze e treze meses após a segunda dose.

Os participantes virão de cinco estados: Bahia (1.500), Rio de Janeiro (1.500), Rio Grande do Sul (3.000), Rio Grande do Norte (1.500) e São Paulo (2.500). O recrutamento focará em homens e mulheres entre dezoito e cinquenta e cinco anos que enfrentem alto risco de exposição ao coronavírus — profissionais de saúde, principalmente. Gestantes e pessoas com comorbidades ficarão de fora. O desenho do estudo será controlado, randomizado e simples-cego, o que significa que cada voluntário não saberá se recebeu a vacina de verdade ou um placebo. Todos os participantes do grupo placebo receberão convite para se imunizar após o término da fase cega da pesquisa.

Esta aprovação chega uma semana depois que a Anvisa autorizou testes clínicos com a AZD2816, uma versão modificada da vacina AstraZeneca. Essa nova formulação mantém a mesma tecnologia de vetor viral da versão anterior, mas foi redesenhada para oferecer proteção também contra a variante beta — contra a qual a vacina original mostrou apenas eficácia limitada. Oitocentos voluntários participarão desse segundo estudo, que será conduzido na Bahia, Distrito Federal, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo. Diferentemente do teste de terceira dose, este aceitará tanto pessoas já vacinadas quanto aquelas que ainda não receberam nenhuma vacina contra a Covid-19.

No mesmo dia, a Anvisa também autorizou um estudo clínico de fase 3 com a proxalutamida, um medicamento que será testado para reduzir a infecção viral e o processo inflamatório causado pelo coronavírus. Será um ensaio randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, com cinquenta voluntários do sexo masculino — doze de Roraima e trinta e oito de São Paulo — que apresentem Covid-19 leve a moderada. A pesquisa também será realizada em seis outros países: Alemanha, Argentina, África do Sul, Ucrânia, México e Estados Unidos.

O movimento em torno de doses de reforço ganha momentum. Cristiano Zerbini, coordenador de estudos da Pfizer no Brasil, afirmou à GloboNews naquela segunda-feira que existe grande probabilidade de que uma terceira dose seja necessária e que a Pfizer também conduzirá seus próprios estudos sobre o tema. Segundo Zerbini, onze dias após a primeira dose, a proteção alcança cerca de noventa e dois por cento. Sete dias depois da segunda dose, a efetividade sobe para praticamente entre noventa e cinco e cem por cento. Mas seis meses após as primeiras vacinações, essa proteção cai para aproximadamente oitenta e seis a noventa por cento. Diante desse cenário, a pergunta que move a pesquisa é direta: será necessário um reforço? Deve-se aplicar mais uma dose?

Há uma grande probabilidade de necessidade de terceira dose e a Pfizer também fará estudos
— Cristiano Zerbini, coordenador de estudos da Pfizer no Brasil
Seis meses após as primeiras vacinações, a efetividade cai para cerca de 86% a 90%
— Cristiano Zerbini, coordenador de estudos da Pfizer no Brasil
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