No Brasil, onde o câncer de pulmão ceifa mais de trinta mil vidas por ano, a Anvisa autorizou o Emrelis — uma terapia-alvo desenvolvida pela AbbVie que direciona sua ação às células tumorais portadoras da proteína c-Met elevada. O país torna-se o segundo no mundo a reconhecer oficialmente esse caminho terapêutico, atrás apenas dos Estados Unidos, sinalizando que a medicina de precisão avança também em solo brasileiro. A aprovação, porém, é um passo em uma jornada mais longa: o medicamento ainda aguarda regulação de preços antes de alcançar os pacientes.
Anvisa aprova Emrelis para câncer de pulmão avançado
Um anticorpo que reconhece o tumor e libera veneno dentro dele
Por que essa aprovação importa se o medicamento só funciona para um subgrupo de pacientes?
Porque para aqueles pacientes específicos — com alta expressão de c-Met — pode ser uma opção real quando outros tratamentos já falharam. Estamos falando de pessoas em situação avançada, com poucas alternativas.
Mas 34,5% de resposta significa que dois terços dos pacientes não tiveram redução mensurável do tumor. E a duração mediana de 7,2 meses é curta. Precisamos saber como isso se compara aos tratamentos atuais.
Como se identifica quem tem essa proteína elevada?
Por um exame específico do tecido tumoral. Não é automático — precisa ser feito antes de prescrever o medicamento.
E quanto custa esse teste? Quem tem acesso? Se for caro ou difícil de fazer, a aprovação fica mais teórica.
O medicamento já está à venda no Brasil?
Não. A Anvisa aprovou, mas ainda precisa passar pela CMED, que regula preço e comercialização. Sem previsão.
Então há um gap entre aprovação regulatória e disponibilidade real. Pode levar meses ou anos.
Quais são os riscos?
Neuropatia periférica, que afeta sensibilidade, fadiga, inchaço. E inflamação pulmonar, que exige monitoramento constante durante o tratamento.
A inflamação pulmonar em um paciente com câncer de pulmão é particularmente delicada. Precisa de acompanhamento rigoroso.
The Pulse
- Com mais de 35 mil novos casos de câncer de pulmão previstos por ano no Brasil entre 2026 e 2028, a urgência por novas opções terapêuticas é concreta e crescente.
- O Emrelis não é uma solução universal — apenas pacientes com alta expressão da proteína c-Met e histórico de tratamentos anteriores são elegíveis, exigindo um exame específico antes do início da terapia.
- Em estudo clínico de fase 2, cerca de um terço dos pacientes elegíveis apresentou redução mensurável do tumor, com resposta sustentada por uma mediana de 7,2 meses — resultado promissor, mas ainda sem comparação direta com outras opções.
- Efeitos adversos como neuropatia periférica e inflamação pulmonar impõem vigilância contínua, lembrando que todo avanço terapêutico carrega seus próprios riscos.
- A aprovação regulatória pela Anvisa é apenas o primeiro portão: a CMED ainda precisa definir preço e condições de comercialização, sem prazo estabelecido para isso acontecer.
No Brasil, onde o câncer de pulmão ceifa mais de trinta mil vidas por ano, a Anvisa autorizou o Emrelis — uma terapia-alvo desenvolvida pela AbbVie que direciona sua ação às células tumorais portadoras da proteína c-Met elevada. O país torna-se o segundo no mundo a reconhecer oficialmente esse caminho terapêutico, atrás apenas dos Estados Unidos, sinalizando que a medicina de precisão avança também em solo brasileiro. A aprovação, porém, é um passo em uma jornada mais longa: o medicamento ainda aguarda regulação de preços antes de alcançar os pacientes.
A Anvisa aprovou, em 19 de outubro, o registro do Emrelis, medicamento da farmacêutica AbbVie voltado a um grupo específico de pacientes com câncer de pulmão avançado. Com a decisão publicada no Diário Oficial da União, o Brasil se torna o segundo país do mundo a autorizar a terapia, logo após os Estados Unidos.
O Emrelis é indicado para adultos com câncer de pulmão de não pequenas células — a forma mais comum da doença — que já passaram por tratamentos anteriores e cujos tumores apresentam alta expressão da proteína c-Met. O mecanismo é o de uma terapia-alvo: um anticorpo identifica a proteína na superfície das células cancerígenas e libera uma substância citotóxica diretamente nelas, tornando o ataque mais preciso. A administração é feita por infusão intravenosa a cada duas semanas, e um exame prévio é obrigatório para confirmar a elegibilidade do paciente.
Os dados que embasaram a aprovação vêm de um estudo clínico de fase 2: entre os pacientes com alta expressão de c-Met, 34,5% apresentaram redução mensurável do tumor, com duração mediana de resposta de 7,2 meses. A Anvisa estabeleceu um termo de compromisso com a fabricante para apresentação de dados complementares. Entre os efeitos adversos registrados estão neuropatia periférica, fadiga, inchaço e casos de inflamação pulmonar — riscos que precisam ser avaliados individualmente.
O contexto é de peso: o câncer de pulmão deve registrar 35.380 novos casos por ano no Brasil no triênio 2026-2028 e foi responsável por 32.555 mortes em 2024. Antes de chegar aos pacientes, o Emrelis ainda precisa passar pela CMED, que definirá preço e condições de comercialização — sem prazo previsto para isso ocorrer.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou na segunda-feira, 19 de outubro, o registro do Emrelis, um medicamento destinado a um grupo específico de pacientes com câncer de pulmão avançado. A autorização, publicada no Diário Oficial da União, marca o Brasil como o segundo país a autorizar a terapia, atrás apenas dos Estados Unidos.
O Emrelis é indicado para adultos com câncer de pulmão de não pequenas células — a forma mais comum da doença — que já receberam tratamentos anteriores e cujos tumores apresentam alta expressão da proteína c-Met. Desenvolvido pela farmacêutica AbbVie, o medicamento funciona como uma terapia-alvo: um anticorpo reconhece a proteína c-Met na superfície das células cancerígenas e libera uma substância citotóxica diretamente no interior dessas células, direcionando o ataque ao tumor de forma mais precisa. O tratamento é administrado por infusão intravenosa a cada duas semanas.
A aprovação não abrange todos os pacientes com câncer de pulmão. É necessário um exame específico para identificar se o tumor apresenta alta expressão de c-Met antes de iniciar o tratamento. Essa restrição reflete a natureza da terapia-alvo: ela funciona apenas para quem tem a característica genética que o medicamento foi desenhado para combater.
Os dados que sustentaram a aprovação vieram de um estudo clínico de fase 2, que avaliou eficácia e segurança em pacientes que já haviam passado por outros tratamentos. Entre aqueles com alta expressão de c-Met, 34,5% apresentaram redução mensurável do tumor. A duração mediana da resposta foi de 7,2 meses, conforme uma atualização dos resultados divulgada este ano. Estudos de fase 2 servem para investigar sinais de eficácia e aprofundar a compreensão de segurança, mas não demonstram que um medicamento seja superior às opções existentes ou que funcione para todos os pacientes. A Anvisa também estabeleceu um termo de compromisso com a fabricante para apresentação de dados complementares.
Os efeitos adversos observados incluem neuropatia periférica — que pode provocar alterações de sensibilidade — fadiga e inchaço. Também foram registrados casos de inflamação pulmonar, uma complicação que exige acompanhamento durante o tratamento. Esses riscos precisam ser pesados contra os benefícios potenciais para cada paciente.
Antes de chegar às prateleiras das farmácias, o Emrelis ainda precisa passar pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), que define o preço e as condições de comercialização no país. Não há previsão para quando isso ocorrerá. O contexto em que essa aprovação acontece é significativo: o câncer de pulmão deve registrar 35.380 novos casos por ano no Brasil no triênio de 2026 a 2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer. Desse total, 18.730 casos anuais devem ocorrer entre homens e 16.650 entre mulheres. Em 2024, a doença provocou 32.555 mortes no país. O tabagismo permanece como o principal fator de risco, embora a exposição à poluição do ar e a determinadas substâncias no ambiente de trabalho também estejam associadas ao desenvolvimento do tumor.
Notable Quotes
O medicamento é uma terapia-alvo que combina um anticorpo a uma substância capaz de destruir células tumorais, direcionando a ação especificamente para células com proteína c-Met elevada— Descrição do mecanismo do Emrelis conforme a aprovação da Anvisa