Em setembro de 2026, a Anvisa autorizou o Aquipta, um comprimido desenvolvido pela AbbVie que bloqueia o receptor do CGRP para prevenir crises de enxaqueca — condição que afeta milhões de brasileiros e historicamente foi tratada com medicamentos concebidos para outras doenças. A aprovação representa um avanço terapêutico real, mas o caminho entre o registro sanitário e a chegada efetiva às farmácias e ao sistema público de saúde ainda percorre etapas que envolvem preço, acesso e avaliação de custo-benefício. É o momento em que a ciência abre uma porta, mas a sociedade ainda negocia quem poderá
Anvisa aprova Aquipta, novo medicamento oral para prevenção da enxaqueca
Bloqueando a molécula que causa a dor, não o sintoma
Por que essa aprovação importa agora, em 2026? Enxaqueca é uma condição tão comum que já deve haver muitas opções de tratamento.
Importa porque durante décadas os médicos prescreviam medicamentos que foram desenvolvidos para outras doenças — remédios para pressão alta, para epilepsia, para depressão. Funcionavam, mas tinham efeitos colaterais que não eram ideais. Os gepants são a primeira geração desenhada especificamente para bloquear o mecanismo que causa enxaqueca.
Mas espera — o Nurtec, outro gepant, já foi aprovado em maio. Então por que o Aquipta é notícia agora?
Porque amplia as opções. Cada paciente responde diferente. Alguns podem tolerar melhor um medicamento que outro, ou ter melhor resultado com uma dosagem específica. Ter duas alternativas orais muda o jogo.
Os estudos mostram que funciona melhor que placebo, mas como sabe se funciona melhor que os anticorpos monoclonais que já existem?
Exatamente. A fonte deixa claro: os estudos não foram desenhados para comparação direta. Então tecnicamente não sabemos se o Aquipta é superior aos tratamentos já disponíveis.
O que sabemos é que reduz dias de enxaqueca em comparação com placebo, e que é um comprimido — mais fácil de tomar que injeção.
Quando as pessoas vão poder comprar?
Aí está o problema. Primeiro precisa passar pela CMED, que define preço. Depois, se quiser estar no SUS, passa por outra comissão que avalia custo-benefício. Pode levar meses.
E a AbbVie não disse nada sobre preço ou data de lançamento?
Nada. Só que o medicamento foi aprovado. O resto fica em aberto.
O Pulso
- Milhões de brasileiros com enxaqueca frequente aguardam opções preventivas que não exijam injeções — e o Aquipta surge como a primeira pílula diária da classe dos gepants aprovada para esse fim no país.
- Os estudos clínicos mostram resultados expressivos: pacientes com enxaqueca episódica reduziram em média 4,2 dias de crise por mês, e mais de 60% atingiram ao menos metade das crises eliminadas.
- A aprovação pela Anvisa não significa disponibilidade imediata — o medicamento ainda precisa ter seu preço máximo definido pela CMED antes de chegar às prateleiras.
- A incorporação ao SUS depende de análise separada pela Conitec, que avaliará se o benefício clínico justifica o custo frente aos tratamentos já oferecidos pelo sistema público.
- O Aquipta entra num mercado em transformação: em maio de 2026, outro gepant oral — o Nurtec ODT, da Pfizer — já havia sido aprovado, sinalizando uma nova era no tratamento preventivo da enxaqueca no Brasil.
Em setembro de 2026, a Anvisa autorizou o Aquipta, um comprimido desenvolvido pela AbbVie que bloqueia o receptor do CGRP para prevenir crises de enxaqueca — condição que afeta milhões de brasileiros e historicamente foi tratada com medicamentos concebidos para outras doenças. A aprovação representa um avanço terapêutico real, mas o caminho entre o registro sanitário e a chegada efetiva às farmácias e ao sistema público de saúde ainda percorre etapas que envolvem preço, acesso e avaliação de custo-benefício. É o momento em que a ciência abre uma porta, mas a sociedade ainda negocia quem poderá atravessá-la.
A Anvisa aprovou em setembro de 2026 o Aquipta, medicamento oral da AbbVie à base de atogepanto hidratado, para a prevenção de crises de enxaqueca. O produto pertence à classe dos gepants — moléculas que bloqueiam o receptor do CGRP, proteína central nos mecanismos de dor da enxaqueca. Ao contrário dos anticorpos monoclonais que também atuam sobre o CGRP, o Aquipta é um comprimido, o que representa uma vantagem prática para pacientes que precisam de tratamento preventivo contínuo.
A aprovação contempla duas dosagens — 10 mg e 60 mg — em caixas com 28 comprimidos, com registro válido até 2036. Os dados clínicos que embasaram a decisão são robustos: no estudo ADVANCE, pacientes com enxaqueca episódica que tomaram 60 mg diários reduziram em média 4,2 dias de crise por mês, contra 2,5 dias no placebo, e 60,8% alcançaram redução de ao menos 50% nas crises. No estudo PROGRESS, voltado a pacientes com enxaqueca crônica, a redução foi de 6,9 dias mensais no grupo tratado, frente a 5,1 dias no placebo. Os efeitos adversos mais comuns foram náusea e constipação, cada um em cerca de 10% dos participantes.
Apesar da autorização sanitária, o Aquipta ainda não está disponível nas farmácias brasileiras. A AbbVie precisa submeter o produto à avaliação da CMED, responsável por fixar os preços máximos de medicamentos no país, e nenhuma data ou valor foi divulgado até o momento. A eventual incorporação ao SUS dependerá de análise específica da Conitec, que considera não apenas a eficácia clínica, mas também o benefício comparativo em relação a tratamentos já disponíveis e a relação custo-benefício para o sistema público.
O Aquipta chega num contexto de renovação terapêutica: durante décadas, a prevenção da enxaqueca dependeu de medicamentos criados para outras condições, como betabloqueadores e anticonvulsivantes. A chegada dos gepants orais — o Nurtec ODT, da Pfizer, foi aprovado em maio de 2026 — amplia as opções e inaugura uma nova fase no tratamento de uma das condições neurológicas mais prevalentes do Brasil.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária deu sinal verde, em setembro de 2026, para o Aquipta, um medicamento oral desenvolvido pela AbbVie destinado a prevenir crises de enxaqueca. A aprovação marca a chegada de mais uma opção terapêutica para os milhões de brasileiros que convivem com essa condição neurológica debilitante, mas também deixa em aberto uma série de questões práticas sobre quando e a que preço o remédio chegará efetivamente às prateleiras das farmácias do país.
O Aquipta contém atogepanto hidratado, uma molécula que pertence à classe dos gepants — medicamentos que funcionam bloqueando o receptor do CGRP, uma proteína envolvida nos mecanismos que desencadeiam as crises de enxaqueca. Quando uma pessoa sofre um episódio, o sistema nervoso trigeminal, responsável pela sensibilidade da cabeça e do rosto, é ativado e libera substâncias que transmitem sinais de dor. O CGRP está entre essas moléculas. Ao bloquear o receptor onde essa proteína se encaixa, o atogepanto interrompe a cascata de sinais que alimenta tanto a dor quanto a sensibilização das vias nervosas. O diferencial em relação a tratamentos anteriores é que se trata de um comprimido — diferentemente dos anticorpos monoclonais que também atuam sobre o CGRP, mas exigem injeção.
A Anvisa aprovou duas apresentações: comprimidos de 10 miligramas e 60 miligramas, comercializados em caixas com 28 unidades. O registro sanitário permanecerá válido até setembro de 2036. Apesar dessa autorização, o medicamento ainda não está disponível nas farmácias brasileiras. A AbbVie informou que o produto precisa passar pela avaliação da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, órgão responsável por estabelecer os preços máximos dos remédios no país. Até agora, a empresa não divulgou quanto o Aquipta custará nem quando começará a ser vendido.
Os dados que sustentam a aprovação vêm de estudos clínicos de fase 3 envolvendo centenas de pacientes. Um deles, chamado ADVANCE e publicado no New England Journal of Medicine, acompanhou 910 adultos que apresentavam entre quatro e 14 dias de enxaqueca por mês. Após 12 semanas recebendo 60 miligramas uma vez ao dia, esses pacientes tiveram redução média de 4,2 dias de enxaqueca mensalmente, comparado a 2,5 dias no grupo que recebeu placebo. Mais significativo ainda: 60,8% dos que tomaram a dose de 60 miligramas alcançaram pelo menos 50% de redução na frequência das crises, enquanto apenas 29% do grupo placebo atingiu esse patamar. Um segundo estudo, o PROGRESS, envolveu 778 adultos com enxaqueca crônica — aqueles que começaram a pesquisa com aproximadamente 19 dias de enxaqueca por mês. Entre os tratados com 60 miligramas diários, a redução média foi de 6,9 dias mensais, contra 5,1 dias no placebo. Cerca de 41% dos pacientes na dose de 60 miligramas tiveram redução de pelo menos metade dos dias de enxaqueca, comparado a 26% no grupo placebo.
Os efeitos adversos mais frequentemente observados foram náusea e constipação, cada um registrado em aproximadamente 10% dos participantes que receberam a dose de 60 miligramas diariamente. Vale notar que os estudos não foram desenhados para comparar o atogepanto diretamente com outros tratamentos preventivos disponíveis, portanto não permitem afirmar que o novo remédio seja superior às demais opções.
O Aquipta não é o primeiro gepant oral aprovado pela Anvisa. Em maio de 2026, a agência autorizou o Nurtec ODT, da Pfizer, que funciona tanto para tratar crises agudas quanto para prevenir enxaqueca episódica em pacientes com pelo menos quatro crises mensais. A chegada desses medicamentos amplia significativamente o arsenal terapêutico. Durante décadas, a prevenção de enxaqueca dependeu principalmente de medicamentos desenvolvidos originalmente para outras doenças — betabloqueadores, anticonvulsivantes e antidepressivos. Também existem a toxina botulínica, indicada em situações específicas, e os anticorpos monoclonais anti-CGRP. A escolha do tratamento depende das características individuais: frequência e intensidade das crises, outras condições de saúde, resposta a tratamentos anteriores, tolerância a efeitos colaterais e acesso ao medicamento.
Mas a aprovação pela Anvisa é apenas o primeiro passo de um caminho mais longo. A agência avalia qualidade, segurança e eficácia para autorizar a comercialização. A incorporação ao Sistema Único de Saúde, porém, passa por análise específica da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias, que examina evidências científicas, benefícios comparativos com tratamentos já oferecidos pelo sistema público e a relação entre custos e resultados. Assim, embora o Aquipta tenha recebido autorização sanitária, ainda são necessários outros processos até que haja uma eventual oferta pela rede pública.
Citações Notáveis
A escolha do tratamento depende das características de cada paciente: frequência e intensidade das crises, outras condições de saúde, resposta a tratamentos anteriores, possíveis efeitos colaterais e acesso ao medicamento— Profissionais de saúde citados na aprovação