Entre 2001 e 2007, o 'Sítio do Picapau Amarelo' teceu na memória coletiva brasileira um fio que o tempo não desfez. Baseada nas obras de Monteiro Lobato, a série reuniu atores que, como toda geração, seguiram caminhos distintos — alguns permanecendo nas artes, outros reinventando-se em novas profissões, e dois deles levados pela pandemia antes que pudessem ver o quanto ainda eram lembrados. Revisitar esses rostos é, antes de tudo, um exercício de reconhecer como a infância de um povo se encarna em pessoas reais, sujeitas às mesmas alegrias e perdas de qualquer vida.
Antes e depois: onde estão os atores de 'Sítio do Picapau Amarelo'
Já sonhei que era a Emília várias vezes. É muito emocionante
Por que essa série continua tão presente na memória das pessoas, mesmo depois de tanto tempo?
Porque ela chegou em um momento em que a televisão infantil tinha qualidade de produção e respeito pelo público jovem. Monteiro Lobato já era uma referência, e a série fez justiça àquele universo.
Você acha que o elenco sabia que estava criando algo que duraria tanto na memória coletiva?
Provavelmente não. Ninguém sabe quando está fazendo história. Mas a dedicação deles em dar vida àqueles personagens — a forma como Isabelle fala sobre a Emília, por exemplo — mostra que eles sentiam a importância daquilo.
É difícil ver que alguns atores faleceram, especialmente por covid?
Muito. Nicette e João Acaiabé eram atores respeitados com carreiras longas. Perder pessoas que marcaram gerações dessa forma deixa um vazio. A série fica ainda mais preciosa porque ela é um registro deles vivos, trabalhando.
E os que continuam trabalhando — eles ainda falam sobre o papel?
Alguns sim. Isabelle deixa claro que aquele papel foi especial. Outros seguiram adiante, como Lara, que mudou completamente de profissão. Cada um processou a experiência de forma diferente.
Qual é o legado real dessa série, além da nostalgia?
Mostrou que era possível fazer televisão infantil com inteligência e qualidade. E criou um vínculo entre gerações — pais que assistiram agora mostram para os filhos. Isso é raro.
El Pulso
- A nostalgia tem peso: quase vinte anos após o fim da série, o público ainda busca saber o que foi feito dos atores que habitaram o imaginário de toda uma geração.
- A pandemia de covid-19 cobrou um preço doloroso do elenco — Nicette Bruno, a querida Dona Benta, morreu em 2020, e João Acaiabé, o Tio Barnabé, em 2021, aos 76 anos.
- Enquanto alguns, como Isabelle Drummond e Dhu Moraes, seguem ativos em produções de grandes plataformas, outros como Lara Rodrigues migraram para trás das câmeras ou para carreiras completamente distintas.
- Izak Dahora, o Saci Pererê da série, transformou a arte em objeto de estudo — hoje é doutorando, professor universitário e músico, mostrando que o palco pode ter muitas formas.
- O que a trajetória coletiva desse elenco revela é menos sobre fama e mais sobre a inevitabilidade da mudança — e sobre o que resiste a ela.
Entre 2001 e 2007, o 'Sítio do Picapau Amarelo' teceu na memória coletiva brasileira um fio que o tempo não desfez. Baseada nas obras de Monteiro Lobato, a série reuniu atores que, como toda geração, seguiram caminhos distintos — alguns permanecendo nas artes, outros reinventando-se em novas profissões, e dois deles levados pela pandemia antes que pudessem ver o quanto ainda eram lembrados. Revisitar esses rostos é, antes de tudo, um exercício de reconhecer como a infância de um povo se encarna em pessoas reais, sujeitas às mesmas alegrias e perdas de qualquer vida.
O 'Sítio do Picapau Amarelo' ficou no ar entre 2001 e 2007 na Globo, adaptando as histórias que Monteiro Lobato escreveu ao longo de décadas e conquistando crianças com personagens que parecem não envelhecer na memória. Mas os atores que lhes deram vida, esses sim, seguiram o curso natural do tempo — cada um à sua maneira.
Isabelle Drummond, a boneca Emília, permanece vinculada à Globo e ativa na televisão. Já Lara Rodrigues, a Narizinho, encerrou a carreira de atriz em 2011 e hoje dirige sua própria produtora. César Cardadeiro, o Pedrinho, migrou para a Record e apareceu em novelas como 'Jesus' e 'Amor sem Igual'.
A pandemia deixou marcas irreparáveis no elenco. Nicette Bruno, que emprestou sua presença serena à Dona Benta, faleceu em 2020 vítima da covid-19. João Acaiabé, o afável Tio Barnabé, morreu no ano seguinte, aos 76 anos, carregando consigo um legado construído em décadas de trabalho.
Dhu Moraes, a Tia Nastácia, segue em frente aos 69 anos, com trabalhos recentes no Globoplay e na Netflix. Cândido Damm, o Visconde de Sabugosa, também permanece ativo e esteve na série 'Todo Dia a Mesma Noite', da Netflix, em 2023. Izak Dahora, que viveu o Saci Pererê ainda adolescente, escolheu a academia: é doutorando em Artes, professor e músico.
O que a história desse elenco conta não é apenas sobre carreiras — é sobre como a vida distribui seus rumos de forma imprevisível, e como certas infâncias ficam gravadas em nós independentemente do que acontece depois com quem as protagonizou.
A série infantil que marcou gerações na televisão brasileira entre 2001 e 2007 deixou um rastro de memórias que persiste até hoje. "Sítio do Picapau Amarelo", baseada nas histórias que Monteiro Lobato escreveu entre 1920 e 1947, conquistou o público infantil com seus personagens inesquecíveis e aquela abertura que ninguém consegue tirar da cabeça. Quase duas décadas depois que os últimos episódios foram ao ar, é natural que o público se pergunte: para onde foram aqueles atores que deram vida aos personagens que crescemos acompanhando?
Isabelle Drummond, que interpretava a boneca de pano Emília até 2006, segue trabalhando na televisão. Aos 29 anos, ela permanece vinculada à Globo e seu último trabalho de destaque foi na novela "Novo Mundo", em 2020. A atriz nunca escondeu o carinho especial que sente pelo papel: em entrevista, confessou que já sonhou várias vezes que era a Emília, descrevendo a experiência como algo emocionante. Recentemente, ela também apareceu no filme "Minha Família Perfeita", de 2022, mantendo-se ativa na carreira artística.
Lara Rodrigues, que dava vida à Narizinho, deixou o sítio em 2003 e encerrou sua carreira como atriz em 2011. Hoje, aos 32 anos, ela encontrou um novo caminho profissional: é diretora e possui sua própria produtora. Apesar da mudança de rumo, ela não descarta a possibilidade de retornar às telas em algum momento. César Cardadeiro, que interpretava o sonhador Pedrinho até 2003, seguiu na profissão de ator. Atualmente com 33 anos e pai de uma menha, ele trabalhou em produções recentes como as novelas "Jesus" e "Amor sem Igual", ambas exibidas pela Record.
Nem todos os atores conseguiram acompanhar o tempo. Nicette Bruno, que se tornou a avó de toda uma geração ao dar vida à Dona Benta até 2004, faleceu em 2020 vítima da covid-19. Sua carreira foi longa e respeitada, marcada por trabalhos tanto na televisão quanto no teatro. João Acaiabé, que interpretava o simpático Tio Barnabé, também não resistiu à pandemia. Faleceu aos 76 anos em 2021, deixando um legado que incluía trabalhos em grandes produções, como o remake de "Chiquititas" do SBT, onde interpretou o Chefe Chico.
Dhu Moraes, que deu vida à Tia Nastácia, continua ativa aos 69 anos. Seus trabalhos mais recentes incluem a série "Encantado's" do Globoplay e "Nada Suspeitos" da Netflix, mostrando que sua carreira segue em movimento. Cândido Damm, o memorável Visconde de Sabugosa, também permanece trabalhando como ator aos 67 anos. Seu trabalho mais recente foi na série "Todo Dia a Mesma Noite", lançada pela Netflix em 2023.
Izak Dahora, que interpretava o Saci Pererê aos 13 anos até 2006, trilhou um caminho diferente. Aos 35 anos, ele é doutorando em Artes, professor universitário e músico. Seu último trabalho como ator foi no drama "Noites de Alface", em 2021. A trajetória dos intérpretes de "Sítio do Picapau Amarelo" reflete as diferentes escolhas que a vida oferece: alguns permaneceram na carreira artística, outros encontraram novos caminhos profissionais, e alguns não conseguiram acompanhar o tempo. O que permanece é a marca indelével que deixaram na memória de quem cresceu acompanhando suas aventuras no sítio.
Citas Notables
Eu já sonhei que era a Emília várias vezes. É muito emocionante isso— Isabelle Drummond, em entrevista ao Gshow