André Lajst retorna à USP um ano após protestos contra sua palestra

A conversa foi movida para trás de portas fechadas
Reflexão sobre como o retorno de Lajst à USP ocorreu em formato de aula fechada, não em evento público.
Mark

Por que um ano inteiro se passou antes de Lajst voltar à USP? Isso foi deliberado ou apenas circunstância?

Mimi

Não está claro no registro. O que sabemos é que em 2025 houve um cancelamento explícito por "risco de agressão", e agora, um ano depois, ele retorna — mas de forma muito diferente. Pode ter sido tempo para as emoções esfriarem, ou pode ter sido uma oportunidade que surgiu quando a professora Prudente o convidou para sua disciplina.

Mark

E quanto aos 25 alunos que estavam lá? Eles sabiam quem era Lajst? Sabiam do protesto anterior?

Mimi

A fonte não diz. Sabemos que era uma turma de pós-graduação em Direito, provavelmente mais velha e talvez mais informada do que o público geral que teria comparecido a um evento aberto. Mas não há informação sobre como eles reagiram ou se tinham conhecimento prévio.

Luke

Aqui está o problema: a fonte não nos diz se houve qualquer comunicação antecipada sobre Lajst estar vindo. Não sabemos se a universidade tomou precauções especiais, se alertou os alunos, se havia segurança. O silêncio pode significar que tudo foi tranquilo, ou pode significar que simplesmente não foi documentado.

Mimi

Justo. E há outra lacuna: não sabemos o que os manifestantes de 2025 pensam sobre ele estar de volta. Houve alguma reação? Algum protesto planejado que não aconteceu? Ou as pessoas simplesmente não ficaram sabendo?

Mark

O conteúdo da aula — sobre identidades sobrepostas no Oriente Médio — isso soa como uma tentativa de Lajst de abordar a complexidade. Mas como ele conecta isso com a guerra em Gaza? Ou ele evitou o assunto?

Mimi

A fonte não fornece detalhes sobre como a discussão se desenrolou. Sabemos qual era o tema anunciado, mas não como ele foi desenvolvido ou que exemplos específicos foram usados.

Luke

E isso é importante. Porque há uma diferença entre falar sobre "identidades sobrepostas" em abstrato e aplicar isso ao conflito Israel-Palestina. A fonte não nos diz qual caminho ele seguiu.

Mark

Então o que muda realmente? Ele fala, desta vez sem ser interrompido. Mas em um espaço menor, para menos pessoas. É uma vitória para a liberdade de expressão ou uma derrota?

Mimi

Depende de como você vê. Se você acredita que ideias devem ser debatidas abertamente, então talvez seja uma derrota — a conversa foi movida para trás de portas fechadas. Se você acredita que o diálogo é possível em espaços menores e mais controlados, pode ser uma vitória.

Luke

O que não sabemos é se isso foi uma escolha de Lajst, da universidade ou da professora. Quem decidiu que seria uma aula fechada em vez de um evento público? Isso muda tudo.

  • Em 2025, manifestantes invadiram o auditório da USP com bandeiras palestinas e impediram Lajst de falar, forçando o cancelamento do evento por 'risco de agressão'.
  • O conflito em Gaza — com 74 mil palestinos mortos desde outubro de 2023 — transformou os campi universitários brasileiros em campos de disputa sobre quem tem o direito de falar.
  • A solução encontrada foi encolher o espaço: em vez de uma palestra pública, uma aula fechada de pós-graduação com 25 alunos e sem câmeras.
  • A aula transcorreu sem protestos, mas a ausência de confronto não significa resolução — apenas que o debate foi deslocado para fora do alcance público.
  • A questão que permanece sem resposta é se universidades devem proteger a pluralidade de vozes enfrentando a pressão ou cedendo a ela de forma silenciosa.

Um ano após ser expulso de um auditório por manifestantes que o chamavam de genocida, o cientista político André Lajst retornou à Faculdade de Direito da USP — desta vez, em silêncio, diante de 25 pós-graduandos. O episódio revela como as universidades brasileiras tentam acomodar vozes controversas sem confrontá-las diretamente, reduzindo o espaço do debate em vez de ampliá-lo. Entre a liberdade de expressão e a responsabilidade institucional, o que mudou não foi a tensão, mas o tamanho da sala onde ela é permitida.

André Lajst voltou à Faculdade de Direito da USP um ano depois de ser impedido de falar por manifestantes que invadiram o auditório com bandeiras palestinas, gritaram contra ele e o acusaram de genocida. A universidade havia cancelado o evento alegando risco de agressão. Desta vez, o cenário era radicalmente diferente: uma sala pequena, 25 alunos de pós-graduação e nenhuma câmera.

O retorno foi viabilizado pela professora Eunice Aparecida de Jesus Prudente, que o convidou para uma disciplina sobre gênero, etnia e direitos humanos. O tema da aula — diversidade, identidade e poder no Oriente Médio — permitiu que Lajst, presidente da organização pró-Israel Stand With Us, apresentasse seus argumentos sobre a complexidade da região, questionando a ideia de uma 'sociedade única' como simplificação que apaga diferenças reais entre etnia, religião e nacionalidade.

A aula transcorreu sem interrupções. Mas a paz do ambiente fechado não dissolve as perguntas que o episódio deixa no ar: ao migrar de um evento público para uma aula restrita, a universidade encontrou uma solução ou apenas adiou o problema? Para alguns, o formato representa um retorno à normalidade acadêmica. Para outros, é uma capitulação silenciosa — a fala que só pode existir quando ninguém está olhando.

André Lajst voltou à Faculdade de Direito da USP na terça-feira, 29 de outubro, um ano depois de ser impedido de falar em público dentro da universidade. Desta vez, não havia auditório lotado nem manifestantes com bandeiras. Em vez disso, ele entrou em uma sala de aula com cerca de 25 alunos de pós-graduação em Direito, convidado pela professora Eunice Aparecida de Jesus Prudente para uma disciplina sobre gênero, etnia e direitos humanos fundamentais.

O retorno marca um contraste acentuado com o que aconteceu um ano antes. Em 2025, Lajst, presidente da organização Stand With Us — um grupo pró-Israel — havia sido convidado para discutir questões relacionadas à guerra na Faixa de Gaza. Manifestantes invadiram o auditório carregando bandeiras da Palestina e do Líbano, gritando contra suas falas. Alunos o acusaram de genocida e declararam que ele não era bem-vindo na faculdade. A universidade cancelou o evento, citando "risco de agressão" ao convidado como razão oficial.

O contexto dessa tensão permanecia presente: desde outubro de 2023, quando o conflito entre Israel e Hamas começou, 74 mil palestinos foram mortos na Faixa de Gaza. A guerra transformou-se em questão central nos campi universitários brasileiros, polarizando estudantes e gerando confrontos sobre quem deveria ou não ter permissão para falar em espaços acadêmicos.

Na aula desta semana, o tema foi "Gênero, Etnia e Religião no Oriente Médio: diversidade, identidade, poder e transformação social". Lajst apresentou argumentos sobre como a região é frequentemente entendida de forma simplista. Segundo seu conteúdo, a noção de uma "sociedade única" no Oriente Médio é uma redução que ignora realidades mais complexas. Ele explorou as diferenças entre etnia, religião e nacionalidade, mostrando como essas identidades se sobrepõem de maneiras distintas dependendo do contexto.

A aula transcorreu sem interrupções. Nenhum protesto foi registrado. Os 25 alunos presentes ouviram a apresentação em um espaço controlado, longe dos olhares públicos e das câmeras que cobriram o evento anterior. O formato fechado — uma disciplina de pós-graduação em vez de uma palestra aberta — criou uma barreira natural contra a mobilização que havia marcado o ano anterior.

O retorno de Lajst à USP, ainda que em circunstâncias muito diferentes, levanta questões que continuam sem resposta clara nas universidades brasileiras. Como instituições de ensino superior lidam com convidados cujas posições políticas geram rejeição visceral entre estudantes? Existe espaço para diálogo quando as emoções em torno de um conflito geopolítico são tão intensas? A mudança de formato — de evento público para aula fechada — resolve o problema ou apenas o desloca para fora do alcance público?

O que fica claro é que a tensão não desapareceu. Apenas encontrou um novo equilíbrio, um espaço menor onde a fala pode acontecer sem confronto direto. Para alguns, isso representa um retorno à normalidade acadêmica. Para outros, pode parecer uma capitulação silenciosa a pressões que deveriam ser enfrentadas abertamente.

A ideia de que existe uma 'sociedade única' no Oriente Médio é uma simplificação
— André Lajst, durante a aula
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