Amazon revela consumo de 9,5 mil milhões de litros de água em centros de dados

Devolvem 11 litros por cada 15 que consomem, mas o objectivo é inverter a equação
A Amazon está a 75% do caminho para se tornar "water positive" até 2030, devolvendo mais água às comunidades do que utiliza.

Numa era em que a inteligência artificial exige cada vez mais energia e água, a Amazon revelou pela primeira vez que os seus centros de dados consumiram 9,5 mil milhões de litros de água em 2025 — um número vasto, mas que a empresa enquadra como uma redução de 2% face ao ano anterior. A divulgação surge um dia depois de Seattle, cidade-sede da tecnológica, ter aprovado uma moratória sobre novos centros de dados, pressionada por grupos de trabalhadores activistas da própria companhia. Entre métricas de eficiência e promessas de sustentabilidade, a questão permanece: pode o crescimento ilimitado da computação em nuvem coexistir com a finitude dos recursos hídricos?

  • Seattle aprovou uma moratória de um ano sobre novos centros de dados precisamente no dia anterior ao anúncio da Amazon, sinalizando uma tensão crescente entre expansão tecnológica e impacto local.
  • 9,5 mil milhões de litros de água consumidos num único ano é um número que perturba comunidades e ambientalistas, mesmo que a empresa o apresente como uma melhoria.
  • A Amazon reivindica uma eficiência hídrica sete vezes superior à média da indústria, mas as comparações com Google, Microsoft e Meta são metodologicamente inconsistentes, tornando difícil avaliar quem lidera de facto.
  • A empresa não contabiliza o consumo indirecto de água — nem a necessária para produzir electricidade, nem a usada na construção de infraestruturas —, o que limita a transparência real dos dados divulgados.
  • Com 75% do caminho percorrido para se tornar 'water positive' até 2030, a Amazon aposta em projectos de reposição hídrica, mas a procura crescente por IA pode superar qualquer ganho de eficiência.

A Amazon revelou esta semana, pela primeira vez, que os seus centros de dados globais consumiram quase 9,5 mil milhões de litros de água em 2025. O anúncio foi feito através do blogue da empresa a 11 de Junho — um dia depois de Seattle, onde a tecnológica tem sede, ter aprovado uma moratória de um ano sobre a construção de novos centros de dados, decisão impulsionada em parte por grupos de trabalhadores activistas da própria companhia.

A Amazon apressou-se a contextualizar o número: apesar da expansão contínua da sua rede de instalações, o consumo de água diminuiu 2% face a 2024. A empresa mede a sua eficiência hídrica através do indicador WUE — Water Usage Effectiveness —, que se situa nos 0,12 litros por kWh, valor que afirma ser sete vezes mais eficiente do que a média da indústria. A comparação com concorrentes como Google, Microsoft e Meta é, porém, problemática: cada empresa reporta os dados com metodologias distintas, tornando difícil qualquer confronto directo.

A estratégia de eficiência assenta em arrefecer os servidores maioritariamente com circulação de ar, reservando a evaporação de água para os períodos de maior calor. A Amazon aumentou também a tolerância térmica dos seus equipamentos e recorre, em alguns centros, a águas residuais tratadas. Ainda assim, os números divulgados não incluem o consumo indirecto de água — como a necessária para produzir electricidade ou construir novas infraestruturas.

O objectivo mais ambicioso da empresa é tornar-se 'water positive' até 2030, devolvendo às comunidades mais água do que aquela que consome. Em 2025, devolveu cerca de 11 litros por cada 15 utilizados, e afirma estar a 75% da meta. Com mais de 50 projectos activos de reposição hídrica, a questão que permanece em aberto é se estas medidas serão suficientes perante uma procura por computação em nuvem e inteligência artificial que não dá sinais de abrandar.

A Amazon divulgou esta semana, pela primeira vez, a dimensão real do consumo de água nas suas operações globais de centros de dados: quase 9,5 mil milhões de litros em 2025. O anúncio, feito através do blogue da empresa na quinta-feira, 11 de Junho, surge num contexto particularmente sensível — um dia depois de Seattle, cidade onde a tecnológica tem sede, ter aprovado uma moratória de um ano sobre a construção de novos centros de dados, decisão impulsionada inclusive por grupos de trabalhadores activistas da própria companhia.

O número é impressionante à primeira vista, mas a Amazon apressou-se a enquadrá-lo com uma métrica que, segundo a empresa, o torna menos preocupante: apesar da expansão contínua da sua rede de instalações, o consumo de água diminuiu 2% em relação a 2024. A empresa não revelou quantos centros de dados opera actualmente, mas documentos confidenciais mostram que em 2023 utilizava 924 instalações espalhadas por mais de 50 países, com muitas outras ainda em desenvolvimento.

A água é essencial para arrefecer os servidores destes gigantescos centros de computação. A métrica que a Amazon utiliza para medir a sua eficiência hídrica chama-se WUE — Water Usage Effectiveness — e situa-se nos 0,12 litros por kWh. Segundo a própria empresa, este valor é aproximadamente sete vezes mais eficiente do que a média da indústria. A Amazon afirma ainda que supera concorrentes como Microsoft, Google e Meta neste aspecto, embora a comparação seja mais complexa do que parece. Os dados da Google, por exemplo, parecem referir-se apenas ao consumo associado ao seu modelo de inteligência artificial Gemini, enquanto a Amazon reporta o consumo total das suas operações de centros de dados — uma diferença metodológica que torna a comparação directa problemática.

É importante notar que os números da Amazon dizem respeito apenas ao consumo directo de água nas instalações. Não incluem o uso indirecto — a água necessária para produzir a electricidade que alimenta os servidores, por exemplo, ou a água consumida na construção de novas infraestruturas. Mesmo com estas limitações, a empresa apresenta uma estratégia que, segundo ela, explica a melhoria na eficiência. A maior parte do tempo, os servidores são arrefecidos apenas com circulação de ar; o sistema de evaporação de água é reservado para os períodos de maior calor. A Amazon aumentou também a tolerância térmica dos seus servidores, permitindo que funcionem a temperaturas mais elevadas, reduzindo a necessidade de arrefecimento com água. Alguns centros de dados utilizam águas residuais tratadas em vez de água potável.

Mas o grande objectivo da empresa é mais ambicioso: tornar-se "water positive" até 2030, o que significa devolver mais água às comunidades do que aquela que consome nas operações. Em 2025, a Amazon devolveu cerca de 11 litros de água por cada 15 litros utilizados. A empresa diz estar a 75% do caminho para atingir este objectivo e refere ter mais de 50 projectos activos de reposição de água que, quando totalmente implementados, terão potencial para devolver mais de 5,8 mil milhões de galões de água por ano. A questão que fica em aberto é se estas medidas serão suficientes para acalmar as preocupações que levaram Seattle a impor uma moratória sobre novos centros de dados, ou se a pressão sobre os recursos hídricos continuará a crescer à medida que a procura por computação em nuvem e inteligência artificial se intensifica.

A Amazon afirma que a eficiência do uso de água nos seus centros de dados globais é cerca de sete vezes mais eficiente do que a média da indústria
— Amazon, comunicado de sustentabilidade
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Porque é que a Amazon decidiu divulgar estes números agora, e pela primeira vez?

Model

O timing é revelador. Vem um dia depois de Seattle aprovar uma moratória sobre novos centros de dados, impulsionada por activistas. É uma resposta — mostrar que estão a ser responsáveis, que o consumo até diminuiu apesar da expansão.

Inventor

Mas 9,5 mil milhões de litros continua a ser uma quantidade enorme de água.

Model

É verdade, mas a Amazon quer que olhemos para a eficiência, não para o número bruto. Dizem que usam sete vezes menos água por unidade de energia do que a média da indústria. O problema é que ninguém consegue verificar isto de forma independente.

Inventor

Porque é que a comparação com a Google é tão problemática?

Model

Porque os dados não são comparáveis. A Google parece estar a reportar apenas o consumo do seu modelo de IA Gemini, enquanto a Amazon reporta todas as operações de centros de dados. É como comparar maçãs com laranjas, mas a Amazon apresenta como se fossem equivalentes.

Inventor

E o objectivo de ser "water positive" até 2030 — é realista?

Model

A Amazon diz estar a 75% do caminho. Têm 50 projectos de reposição de água em curso. Mas isto depende muito de onde estão localizados esses centros de dados e se há água disponível para devolver. Em regiões de seca, a métrica pode ser enganadora.

Inventor

O que é que realmente falta nesta história?

Model

O impacto local. Estes números são globais, mas o consumo de água é um problema local. Um centro de dados numa região árida tem um impacto muito diferente do que um numa região com abundância de água. A Amazon não detalha isto.

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