Amamentação após câncer de mama é possível em muitos casos, confirma mastologista

Gravidez e amamentação após câncer são possíveis
Mastologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz confirma que mulheres podem amamentar após tratamento, sem aumentar risco de recidiva.
Mark

Então a mulher que sobrevive ao câncer de mama pode realmente amamentar depois? Parece contraintuitivo.

Mimi

Sim, e o POSITIVE Trial mostrou isso de forma clara — 63% das mulheres que tiveram filhos após o tratamento amamentaram, sem que isso aumentasse o risco de a doença voltar.

Luke

Mas precisa ser depois do tratamento, certo? Não durante?

Mimi

Exatamente. Durante a quimioterapia, os medicamentos passam para o leite e podem prejudicar o bebê. É contraindicado.

Mark

E quanto ao tempo de espera? Quanto tempo depois da última dose?

Mimi

Depende do medicamento específico. Fontes brasileiras citam 60 a 90 dias, mas o oncologista é quem define o intervalo correto para cada droga.

Luke

E se a mulher fez mastectomia bilateral? Aí não dá, né?

Mimi

Não há tecido mamário suficiente. Nesses casos, o banco de leite humano é a alternativa.

Mark

A radioterapia afeta?

Mimi

Não contamina o leite da outra mama, mas reduz bastante a produção no lado irradiado.

Luke

O câncer passa pelo leite?

Mimi

Não. Não há evidência disso. O câncer em si não se transmite pelo leite.

Mark

E se a mulher descobrir que tem câncer enquanto está amamentando?

Mimi

Aí a decisão precisa ser conjunta entre oncologista, pediatra e consultora de amamentação. Cada caso é único.

  • Mulheres jovens diagnosticadas com câncer de mama enfrentam uma dupla angústia: tratar a doença sem perder para sempre a possibilidade de amamentar.
  • Quimioterápicos, hormonioterápicos e terapias-alvo passam para o leite materno e podem causar toxicidade grave no bebê, tornando a amamentação proibida durante o tratamento ativo.
  • O POSITIVE Trial, publicado na New England Journal of Medicine, revelou que 63% das sobreviventes que tiveram filhos amamentaram sem registrar aumento nos eventos da doença.
  • Após a última dose de quimioterapia, um intervalo de eliminação do medicamento — que varia conforme a droga e deve ser definido pelo oncologista — precisa ser respeitado antes de retomar a amamentação.
  • O diagnóstico precoce emerge como o fator decisivo: aumenta as chances de cirurgia conservadora e preserva tanto a fertilidade quanto a capacidade de amamentar.

No mês dedicado à prevenção do câncer de mama, uma pergunta silenciosa percorre consultórios e lares: sobreviver à doença significa abrir mão da maternidade plena? A ciência, representada por estudos como o POSITIVE Trial, oferece uma resposta mais generosa do que muitas mulheres imaginam — amamentar após o tratamento é possível em muitos casos e não parece elevar o risco de recidiva. O que separa o possível do perigoso não é o desejo, mas o momento: durante o tratamento ativo, o leite carrega o que cura a mãe e pode ferir o filho.

Com a chegada do Outubro Rosa, o Dr. Fernando Pontes, mastologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, trouxe uma resposta que muitas mulheres temem não ouvir: sim, em muitos casos é possível amamentar após o tratamento do câncer de mama. Gravidez e amamentação, segundo os dados disponíveis, não parecem elevar o risco de recidiva no curto e médio prazo.

O POSITIVE Trial, publicado na New England Journal of Medicine, acompanhou mulheres jovens com tumores sensíveis a hormônios que interromperam temporariamente a terapia hormonal para tentar engravidar. Cerca de 74% conseguiram engravidar, 64% tiveram ao menos um filho nascido vivo, e 63% dessas mulheres amamentaram — sem aumento nos eventos da doença em comparação com as que não amamentaram.

A ressalva, porém, é fundamental. Durante o tratamento ativo — quimioterapia, hormonioterapia ou terapia-alvo — a amamentação é contraindicada, pois os medicamentos passam para o leite e podem causar danos sérios ao bebê, como toxicidade na medula óssea. Após a última dose, é preciso aguardar o período de eliminação da droga, que varia conforme o fármaco e deve ser definido pelo oncologista. A radioterapia, por sua vez, não contamina o leite da mama oposta, mas reduz significativamente a produção no lado irradiado.

As possibilidades cirúrgicas também moldam o futuro da amamentação: após mastectomia bilateral, não há tecido suficiente para amamentar, e o banco de leite humano torna-se o caminho. Quando apenas uma mama é retirada, a mama preservada pode sustentar a amamentação. Se o diagnóstico ocorre durante a amamentação, a decisão sobre pausar ou desmamar deve ser tomada em conjunto por oncologista, pediatra e consultora de amamentação.

No centro de tudo está o diagnóstico precoce, que amplia as chances de cirurgia conservadora e reduz o impacto sobre fertilidade e amamentação. O SUS oferece mamografia gratuitamente, e sinais como nódulos fixos, descarga sanguinolenta unilateral, pele em casca de laranja ou retração do mamilo exigem investigação urgente — porque quanto antes a doença é encontrada, mais intacto permanece o futuro.

A pergunta chega com frequência nos consultórios: depois que o câncer de mama é tratado, é possível amamentar? Com a chegada do Outubro Rosa, mês dedicado à prevenção e ao combate à doença, a questão ganha ainda mais relevância. O Dr. Fernando Pontes, mastologista do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, respondeu à CNN Brasil na quinta-feira que a resposta é sim — em muitos casos, gravidez e amamentação após o tratamento são viáveis e, pelos dados disponíveis, não parecem elevar o risco de recidiva no curto e médio prazo.

Um dos estudos mais robustos sobre o tema, o POSITIVE Trial, publicado na New England Journal of Medicine, acompanhou mulheres jovens diagnosticadas com câncer de mama inicial e tumores sensíveis a hormônios que interromperam temporariamente a terapia hormonal para tentar engravidar. Cerca de 74% conseguiram engravidar, e aproximadamente 64% tiveram pelo menos um filho nascido vivo. Entre as que tiveram bebês, cerca de 63% amamentaram. O dado mais importante: não houve aumento na ocorrência de eventos da doença quando se comparou as mulheres que amamentaram com as que não amamentaram.

Mas há uma ressalva importante. A amamentação ser possível depois do tratamento não significa que possa acontecer durante ele. Os medicamentos usados na quimioterapia, na hormonioterapia e na terapia-alvo passam para o leite materno e podem prejudicar o bebê — causando, por exemplo, toxicidade na medula óssea. Por isso a amamentação é contraindicada enquanto esses fármacos estão em uso. Após a última dose de quimioterapia, é necessário aguardar o período de eliminação do medicamento antes de retomar a amamentação. Fontes brasileiras frequentemente citam um intervalo de 60 a 90 dias, mas o período correto depende da droga específica e deve ser definido pelo oncologista responsável.

Quanto à radioterapia, o cenário é diferente. A radiação aplicada em uma mama não "contamina" o leite da outra mama, mas reduz significativamente a produção no lado irradiado. O câncer em si não se transmite pelo leite — não há evidência de que o bebê contraia a doença ao mamar. Durante o período em que a amamentação não é recomendada, alternativas existem: fórmula infantil e, se disponível, leite humano de banco de leite. Algumas mulheres ordenham para manter a produção, mas o leite coletado durante a quimioterapia não deve ser oferecido ao bebê. Se o diagnóstico ocorrer já durante a amamentação, a decisão sobre desmamar, pausar ou manter em situações muito específicas precisa ser conjunta entre oncologista, pediatra e consultora de amamentação.

As possibilidades de amamentar após a cirurgia dependem do procedimento realizado. Em casos de mastectomia bilateral, não há tecido mamário suficiente para a amamentação, e as mulheres recorrem ao banco de leite humano. Quando apenas uma mama é retirada, a mulher pode amamentar pela mama preservada. Além disso, a quimioterapia pode comprometer a fertilidade, causando danos aos ovários e, em algumas situações, levando à menopausa precoce — razão pela qual o acompanhamento médico contínuo é essencial.

O diagnóstico precoce muda o tratamento de forma significativa: aumenta as chances de cirurgia conservadora e reduz o impacto na fertilidade e na amamentação. O SUS oferece gratuitamente a mamografia, principal exame para detectar o câncer de mama. O Ministério da Saúde recomenda rastreamento mamográfico a cada dois anos para mulheres entre 50 e 74 anos, embora não restrinja o acesso a outras faixas etárias. Sinais como nódulos endurecidos e fixos, descargas sanguinolentas unilaterais, lesões eczematosas que não respondem a tratamentos tópicos, pele em casca de laranja, retração do mamilo ou aumento progressivo da mama com edema são considerados suspeitos e exigem confirmação diagnóstica urgente.

Gravidez e amamentação após tratamento de câncer de mama são possíveis e, pelos dados atuais, não parecem aumentar o risco de recidiva no curto e médio prazo.
— Dr. Fernando Pontes, mastologista do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz
O diagnóstico precoce muda o tratamento: mais chance de cirurgia conservadora, menos impacto na fertilidade e na amamentação.
— Dr. Fernando Pontes
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