Estudo POSITIVE Trial mostrou que 74% das mulheres engravidaram após tratamento e 63% amamentaram sem aumento de recidiva. Amamentação não é recomendada durante quimioterapia, hormonioterapia ou terapia-alvo, pois medicamentos passam para o leite.
Amamentação após câncer de mama é possível, afirma mastologista
Gravidez e amamentação após tratamento são possíveis
Então, se uma mulher termina o tratamento de câncer de mama, ela pode simplesmente engravidar e amamentar sem preocupações?
Não é bem assim. É possível, sim, mas requer planejamento cuidadoso. O estudo POSITIVE Trial mostrou que 74% das mulheres conseguiram engravidar após o tratamento, e entre as que tiveram bebês, 63% amamentaram sem aumento de recidiva. Mas há condições.
Qual é o tamanho da amostra desse estudo? E quanto tempo de acompanhamento? Porque "curto e médio prazo" é vago.
O estudo acompanhou mulheres jovens com câncer de mama inicial e tumores positivos para receptores hormonais. Mas você tem razão — o médico não especificou a duração exata do acompanhamento.
E durante o tratamento? Pode amamentar?
Não. A quimioterapia, hormonioterapia e terapia-alvo passam para o leite e podem prejudicar o bebê. É contraindicado.
E depois? Quanto tempo precisa esperar?
Aí varia. Fontes brasileiras citam 60 a 90 dias, mas o intervalo correto depende da droga específica e deve ser definido pelo oncologista.
E se a mulher já estava amamentando quando recebeu o diagnóstico?
Aí a decisão precisa ser conjunta entre oncologista, pediatra e consultora de amamentação. Pode ser desmamar, pausar ou, em situações muito específicas, manter.
Muito específicas como? O texto não detalha isso.
Verdade. É uma lacuna. O que sabemos é que o câncer em si não se transmite pelo leite.
E se ela fez mastectomia bilateral?
Não há tecido mamário suficiente. Ela recorre ao banco de leite humano. Se foi apenas uma mama, pode amamentar pela que foi preservada.
El Pulso
- Estudo POSITIVE Trial: 74% das mulheres engravidaram após tratamento
- 63% das mães amamentaram sem aumento de eventos da doença
- Amamentação é contraindicada durante quimioterapia, hormonioterapia e terapia-alvo
- Intervalo de espera após quimioterapia: 60 a 90 dias (varia conforme droga)
Estudo POSITIVE Trial mostrou que 74% das mulheres engravidaram após tratamento e 63% amamentaram sem aumento de recidiva. Amamentação não é recomendada durante quimioterapia, hormonioterapia ou terapia-alvo, pois medicamentos passam para o leite.
Especialista confirma que gravidez e amamentação após tratamento de câncer de mama não aumentam risco de recidiva nem afetam saúde do bebê, mas requerem acompanhamento médico rigoroso.
A questão persegue muitas mulheres diagnosticadas com câncer de mama: será possível ter filhos depois? E amamentar? O mês de outubro, dedicado à prevenção da doença, traz consigo essas dúvidas legítimas. A resposta, segundo especialistas, é mais esperançosa do que muitas imaginam.
O Dr. Fernando Pontes, mastologista do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, foi direto em entrevista à CNN Brasil: gravidez e amamentação após o tratamento do câncer de mama são possíveis e, pelos dados atuais, não aumentam o risco de o tumor voltar no curto e médio prazo. Nem afetam a saúde do bebê. Um dos estudos mais robustos sobre o tema, o POSITIVE Trial, publicado na New England Journal of Medicine, acompanhou mulheres jovens com câncer de mama inicial e tumores sensíveis a hormônios que interromperam temporariamente o tratamento hormonal para tentar engravidar. Cerca de 74% conseguiram ficar grávidas. Aproximadamente 64% tiveram pelo menos um filho que nasceu vivo. Entre as que amamentaram, não houve aumento na ocorrência de eventos da doença comparado com as que não amamentaram. Cerca de 63% das mães que tiveram bebês optaram por amamentar.
Mas há uma ressalva importante: amamentação ser possível depois não significa que possa ser feita durante o tratamento. A quimioterapia, a hormonioterapia e a terapia-alvo passam para o leite materno e podem prejudicar o bebê, causando desde toxicidade na medula óssea até outros danos. Por isso, amamentar enquanto esses medicamentos estão em uso é contraindicado. Após a última dose de quimioterapia, é necessário aguardar um período para que o medicamento seja eliminado do corpo antes de retomar a amamentação. Fontes brasileiras frequentemente citam entre 60 e 90 dias, mas o intervalo correto depende da droga específica e deve ser definido pelo oncologista responsável.
A radioterapia na mama não contamina o leite da outra mama, mas reduz significativamente a produção no lado que recebeu radiação. O câncer em si não se transmite pelo leite. Não há evidência científica de que o bebê contraia a doença ao mamar. Durante o período em que a amamentação não é recomendada, alternativas existem: fórmula infantil e, se disponível, leite humano de banco de leite. Algumas mulheres ordenham para manter a produção, mas o leite coletado durante a quimioterapia não deve ser oferecido ao bebê. Se o diagnóstico ocorrer já durante a amamentação, a decisão sobre desmamar, pausar ou manter em situações muito específicas precisa ser conjunta entre oncologista, pediatra e consultora de amamentação.
As possibilidades de amamentar após a cirurgia dependem do procedimento realizado. Em casos de mastectomia bilateral, não há tecido mamário suficiente e as mulheres recorrem ao banco de leite humano. Quando apenas uma mama é retirada, a mulher pode amamentar pela mama preservada. A quimioterapia também pode comprometer a fertilidade, causando danos aos ovários e, em algumas situações, menopausa precoce. Por isso é importante manter o acompanhamento médico e questionar as possibilidades junto ao oncologista.
O desejo de ser mãe precisa estar acompanhado de exames de prevenção e atendimento médico em dia. O diagnóstico precoce muda o tratamento: aumenta as chances de cirurgia conservadora e reduz o impacto na fertilidade e na amamentação. O SUS oferece gratuitamente a mamografia, principal exame para detectar o câncer de mama. O Ministério da Saúde recomenda o rastreamento mamográfico a cada dois anos para mulheres entre 50 e 74 anos, sem restrições de acesso.
Citas Notables
Gravidez e amamentação após tratamento de câncer de mama são possíveis e, pelos dados atuais, não parecem aumentar o risco de recidiva no curto e médio prazo.— Dr. Fernando Pontes, mastologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz
O diagnóstico precoce muda o tratamento: mais chance de cirurgia conservadora, menos impacto na fertilidade e na amamentação.— Dr. Fernando Pontes