Provamos que estudantes de escolas públicas podem alcançar resultados de nível nacional
Estudantes de escola pública paraense alcançaram resultado histórico em competições científicas nacionais, quebrando estigmas sobre capacidade de alunos da rede pública. Projeto coordenado por professores de Química e Matemática transformou desconfiança inicial em confiança, elevando autoestima e ensinando pensamento crítico aos alunos.
- 17 medalhas conquistadas: 9 de ouro, 5 de prata, 3 de bronze
- Primeira participação da Escola Estadual Dr. Gabriel Sales Pimenta em olimpíadas científicas nacionais
- Um foguete lançado pela escola alcançou 420 metros de distância
- Projeto coordenado pelos professores Dayane Rodrigues de Brito (Química) e Deusimar Alves da Silva (Matemática)
- Escola localizada em Marabá, região sudeste do Pará
Escola Estadual Dr. Gabriel Sales Pimenta, em Marabá, conquistou 17 medalhas (9 ouro, 5 prata, 3 bronze) em sua primeira participação nas Olimpíadas Brasileiras de Astronomia e Foguetes, com um foguete atingindo 420 metros.
Na Escola Estadual Dr. Gabriel Sales Pimenta, em Marabá, no sudeste do Pará, um grupo de estudantes da rede pública estadual fez algo que ninguém esperava: conquistou 17 medalhas nacionais em sua primeira participação simultânea na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica e na Olimpíada Brasileira de Foguetes. Foram 9 de ouro, 5 de prata e 3 de bronze. Um dos foguetes lançados pela escola alcançou 420 metros de distância — um feito que resume bem o que aconteceu ali: expectativas superadas, limites desafiados, céu deixado para trás.
O projeto nasceu da coordenação entre dois professores: Dayane Rodrigues de Brito, que leciona Química, e Deusimar Alves da Silva, responsável pela Matemática. O que os dois fizeram foi transformar desconfiança em combustível. Os alunos chegavam sem experiência prévia com a tecnologia dos foguetes, com dúvidas que pareciam maiores que qualquer ambição. Deusimar viu naquilo uma oportunidade de quebrar um estigma que persegue a educação pública: a ideia de que estudantes de escolas públicas não conseguem alcançar resultados de nível nacional. "Provamos que quando há empenho, suporte pedagógico e gestão, eles conseguem", disse o professor. Para ele, o projeto fez mais que trazer medalhas — elevou a autoestima dos alunos, ensinando-os a acreditar no próprio potencial.
Dayane acompanhou de perto a transformação. Ela lembra que tudo começou com curiosidade tímida: os alunos começaram a procurá-la semanalmente com dúvidas, trazendo os foguetes e as bases para discussão. Alguns pensaram em desistir no meio do caminho, convencidos de que o foguete não passaria de 100 metros. Mas nos encontros regulares, viram que era possível. "Foi lindo ver isso se concretizar na hora do lançamento", disse a professora. O processo exigiu dedicação constante, mas transformou curiosidade em confiança.
João Halerson Silva Oliveira, de 16 anos, aluno do 2º ano do ensino médio cuja equipe conquistou medalhas de ouro, carregava consigo o frio na barriga desde o início. A sensação de que não daria certo o acompanhava, mas desapareceu quando viu o foguete subindo além de tudo o que imaginava. "Aprendi que a ansiedade tenta nos travar querendo prever tudo antes da hora, mas nem sempre o que a gente premedita é o que vai acontecer", refletiu João. Para ele, o lançamento foi uma lição sobre lidar com incerteza.
Gustavo Lima Viana, também de 16 anos, conquistou uma medalha de bronze e outra de ouro entre as duas competições. Ele atribui o resultado ao esforço constante, às videoaulas, às reuniões semanais e ao apoio dos professores. "O que digo para mim mesmo agora é que na próxima posso melhorar e buscar o ouro nas duas provas", disse Gustavo, deixando claro que a primeira vitória é apenas o começo.
Mas a escola não quer que o legado fique apenas nas mãos dos que já participaram. Lívia Alves, de 16 anos, deixou um recado direto para outros jovens da rede pública que ainda veem a ciência como algo distante: "Sempre vale a pena participar e aproveitar o máximo que a escola proporciona, principalmente na área de ciências. Participar traz o prazer da união com os outros alunos e muito aprendizado". Ela entende que a experiência vai além das fórmulas — ensina como as reações químicas funcionam e como aplicar conhecimento básico no dia a dia.
Com as malas cheias de medalhas e o orgulho renovado, a comunidade escolar agora olha para frente. Dayane deixa claro qual é a esperança: "Esta foi a primeira vez da escola nas competições e queremos que continue. Que essa semente cresça por muitos anos e que os próximos alunos percebam que é possível e passem a acreditar em si mesmos". O que começou como um projeto experimental em uma escola pública do interior do Pará virou prova viva de que dedicação, suporte pedagógico e gestão podem levar estudantes a alcançar excelência — não apesar de serem de escola pública, mas porque alguém acreditou que era possível.
Notable Quotes
A conquista superou as nossas expectativas iniciais, já que os alunos não tinham experiência prévia com essa tecnologia— Professor Deusimar Alves da Silva
Percebi que poderíamos ir longe quando eles começaram a tirar dúvidas semanalmente, vindo até mim com os foguetes e as bases— Professora Dayane Rodrigues de Brito
The Hearth Conversation Another angle on the story
O que fez essa escola conseguir 17 medalhas na primeira tentativa? Parece improvável.
Não foi sorte. Foram dois professores que decidiram acreditar em alunos que não tinham experiência prévia. Dayane e Deusimar criaram um espaço onde a curiosidade era bem-vinda, onde dúvidas semanais eram normais, onde desistir era uma opção que ninguém escolhia.
Mas os alunos tinham medo, certo? Alguns pensaram em desistir.
Tinham, sim. João Halerson carregava ansiedade do início ao fim. Gustavo estava em sua segunda olimpíada. Mas quando viram o foguete subindo, quando viram que era possível, algo mudou dentro deles.
Isso é sobre foguetes ou sobre algo maior?
É sobre ambos. Os foguetes são o veículo, mas o que realmente importa é que esses alunos aprenderam que podem alcançar coisas que pareciam impossíveis. Que a escola pública pode produzir excelência.
E agora? Isso acaba aqui ou continua?
Dayane deixou bem claro: quer que essa semente cresça por muitos anos. Os próximos alunos já estão vendo que é possível. Isso muda tudo.
Qual é o verdadeiro prêmio aqui?
As medalhas são bonitas, mas o prêmio real é a autoestima restaurada, a crença no próprio potencial, e a prova de que dedicação e suporte pedagógico funcionam. Um foguete que alcança 420 metros é apenas a evidência visível disso.