Almir Sater viveu o violeiro Aparício e conquistou público com romance com personagem de Lavínia Vlasak durante a novela clássica. As gravações no Araguaia foram particularmente marcantes para o ator, que relembra a comunhão e felicidade de trabalhar em equipe na fazenda.
Almir Sater relembra gravação de 'O Rei do Gado' com emoção
Aquilo era vida, não era só trabalho
Quando você pensa naquelas gravações no Araguaia, o que volta primeiro à memória?
A sensação física do lugar. Não era um cenário construído — era o rio de verdade, a fazenda de verdade, o calor, a chuva. Quando você está ali, não consegue fingir emoção. Ela simplesmente acontece.
E a relação com os outros atores? Parecia que vocês realmente formavam uma comunidade.
Éramos. Passávamos o dia inteiro juntos, gravando, e à noite nos encontrávamos para falar sobre o trabalho. Não havia separação entre o profissional e o humano. Aquilo era vida, não era só trabalho.
O disco que você gravou com Sérgio Reis — como surgiu a ideia?
Aconteceu naturalmente. A química entre a gente era tão boa que a música veio como extensão disso. Oito músicas que quase nos tornaram uma dupla de verdade. Nos divertíamos muito.
Você imaginava que a novela duraria tanto tempo na memória das pessoas?
Não. Mas acho que é porque aquilo foi feito com verdade. Não era apenas uma novela — era um pedaço de Brasil que a gente estava contando.
O que significa para você vê-la sendo reexibida agora?
É reviver sem ter que repetir. As pessoas ainda falam comigo sobre o Pirilampo, sobre o Aparício. Agora uma nova geração pode sentir aquilo que a gente sentiu.
Le Pouls
- Almir Sater viveu o violeiro Aparício, apaixonado por Lia Mezenga (Lavínia Vlasak)
- Gravações no Araguaia marcaram profundamente o ator
- Sater e Sérgio Reis gravaram disco com oito músicas para a novela
- Novela foi ao ar de 17 de junho de 1996 a 14 de fevereiro de 1997
Almir Sater viveu o violeiro Aparício e conquistou público com romance com personagem de Lavínia Vlasak durante a novela clássica. As gravações no Araguaia foram particularmente marcantes para o ator, que relembra a comunhão e felicidade de trabalhar em equipe na fazenda.
O ator Almir Sater relembra com emoção sua participação na novela 'O Rei do Gado', que está sendo reexibida pela TV Globo, destacando momentos marcantes das gravações.
Almir Sater senta para conversar sobre um tempo que nunca saiu completamente de sua memória. A novela 'O Rei do Gado' está voltando à tela da TV Globo, e com ela retornam as histórias que o ator viveu nos anos 1990, quando deu vida ao violeiro Aparício, um personagem que conquistou o público justamente por sua vulnerabilidade romântica — apaixonado pela jovem Lia Mezenga, interpretada por Lavínia Vlasak.
O retorno da novela o emociona de forma genuína. Sater explica que mesmo antes do anúncio oficial da reexibição, as pessoas ainda o procuravam para falar sobre aqueles dias de gravação, sobre os personagens Pirilampo e Saracura, sobre a música que marcou época. Ele e Sérgio Reis gravaram um disco com oito músicas para a novela, uma parceria tão natural que quase viraram uma dupla de verdade. "Nos divertíamos muito fazendo essa novela", recorda, e há leveza nessa frase — a sensação de que o trabalho, apesar de exigente, era também um espaço de alegria compartilhada.
Mas há um lugar que o toca de forma mais profunda. As gravações no Araguaia, aquelas cenas feitas à beira do rio numa fazenda que ele descreve como linda, deixaram marcas que o tempo não apagou. Quando a produção se deslocava para o Brasil profundo, para esses ambientes externos e selvagens, algo acontecia dentro dele e dentro de todos os atores envolvidos. Emoção bruta, sem filtro. Não era apenas atuar; era estar presente em um lugar que exigia presença total.
O que Sater valoriza nessa memória é a comunhão. Todos reunidos numa fazenda, gravando o dia inteiro sob o sol e a chuva, e depois, à noite, encontrando-se para conversar sobre o trabalho, sobre as cenas, sobre o que tinham vivido. Esses momentos noturnos, quando a câmera desligava e restava apenas a companhia, eram muito felizes. Não era a felicidade de um set de gravação glamouroso — era a felicidade de pessoas que compartilhavam um propósito, um lugar, um tempo.
Enquanto Sater relembra, a novela segue seu curso na programação. No capítulo exibido na quinta-feira, 26 de janeiro, Bruno, vivido por Antônio Fagundes, enfrenta uma reviravolta que deixa toda a trama em suspense. Desesperado pela saudade de Luana, interpretada por Patrícia Pillar, ele decide partir em seu encalço. Mas uma chuva forte o surpreende no caminho, e seu avião desaparece no Araguaia, deixando a família e toda a comunidade em pânico. Donana, a personagem de Bete Mendes, reza pela vida do patrão.
A notícia do desaparecimento se espalha pela região. Marcos, filho de Bruno, procura desesperadamente pelo pai e não o encontra. Ele e Lia não conseguem dormir. Jornalistas chegam, e a família enfrenta o choque de ver sua tragédia privada se tornar notícia pública. Léia, a mãe de Marcos, resolve viajar para Ribeirão Preto. Nos dias seguintes, as buscas continuam no Araguaia, enquanto alguns personagens — como Ralf e Geremias — celebram em segredo o acidente que pode mudar tudo. Marieta, que guarda um segredo sobre seus sentimentos por Marcos, consegue finalmente falar com ele, confessando seu amor enquanto a incerteza sobre o destino de Bruno paira sobre todos.
A novela, que foi ao ar originalmente entre junho de 1996 e fevereiro de 1997, foi escrita por Benedito Ruy Barbosa e dirigida por Luiz Fernando Carvalho. Reuniu um elenco que incluía Antônio Fagundes, Patrícia Pillar, Raul Cortez, Glória Pires, Fábio Assunção e outros nomes que se tornaram sinônimos daquela época da televisão brasileira. Agora, décadas depois, ela volta, trazendo consigo não apenas a trama, mas também as memórias de quem a fez — e de quem a assistiu.
Citations marquantes
Está sendo muito interessante reviver esse momento. As pessoas ainda comentavam comigo sobre 'O Rei do Gado', sobre o Pirilampo e Saracura.— Almir Sater
Todas as gravações no Araguaia mexeram muito comigo. Nós gravávamos na beira do rio, numa fazenda linda, e eu sentia muita emoção.— Almir Sater