Na noite de 27 de agosto, em Zurique, o brasileiro Alison dos Santos atravessou uma linha de chegada e, com ela, atravessou também uma fronteira de tempo — 45 segundos e 80 centésimos nos 400 metros com barreiras, 14 milésimos a menos do que o norueguês Karsten Warholm havia gravado na memória do esporte em Tóquio, 2021. O feito encerra 28 anos de silêncio do atletismo brasileiro no panteão dos recordes mundiais, desde que Ronaldo da Costa venceu a Maratona de Berlim em 1998, e lembra que a grandeza humana, quando chega, costuma chegar por margens que o olho nu não consegue ver.