Alianças com Lula e Flávio Bolsonaro dominam debate de candidatos ao governo do RJ

Tem gente que recebe o Lula e nem posta na rede social
Douglas Ruas criticou Eduardo Paes por manter em silêncio o apoio presidencial durante o debate.
Mark

Por que Paes não quer falar abertamente sobre o apoio de Lula? Parece uma estratégia estranha para alguém que tem o presidente do seu lado.

Mimi

Paes está em um estado que votou em Bolsonaro em 2022 e que a maioria dos eleitores pretende votar em Flávio para presidente em 2026. Publicizar Lula pode afastá-lo do eleitorado que ele precisa conquistar. É um cálculo de sobrevivência eleitoral.

Luke

Mas isso também o deixa vulnerável a acusações de hipocrisia, como vimos no debate. E não sabemos se essa estratégia de silêncio vai funcionar ou se vai custar votos dele entre eleitores de esquerda que esperariam transparência.

Mark

Ruas parece estar apostando tudo em Flávio Bolsonaro. Ele realmente tem tanto poder assim no Rio?

Mimi

Flávio é senador, é uma figura presidencial, e tem uma base de apoio forte no estado. Ruas está tentando se posicionar como o representante dessa base no governo estadual. É uma estratégia de capilaridade política.

Luke

Mas também o deixa preso a Flávio. Se Flávio cair em popularidade ou enfrentar problemas legais, Ruas cai junto. E o debate mostrou que Paes consegue vincular Ruas a Cláudio Castro, que é impopular — então Ruas está em uma corda bamba entre duas figuras.

Mark

O que significa que Ruas foi "secretário das Cidades" de Castro? Isso é um cargo importante?

Mimi

Significa que Ruas trabalhou para Castro quando ele era governador. Paes usou isso para sugerir que Ruas é uma continuação do governo anterior, não uma ruptura. É uma forma de dizer: você não é novo, você é reciclado.

Luke

Mas o debate não deixou claro exatamente o que Ruas fez nesse cargo ou se ele foi responsável por alguma falha específica. É uma acusação de associação, não de ação direta. Precisaríamos de mais detalhes para avaliar se é justa.

Mark

E quanto ao Pedro Paulo? Essa acusação de agressão à mulher parece séria.

Mimi

A investigação foi arquivada, então tecnicamente não houve condenação. Mas Ruas a mencionou para questionar a integridade moral de Paes — por que escolher alguém com esse histórico? Paes respondeu acusando o irmão de Ruas de agressão, então virou um confronto pessoal.

Luke

Aqui temos um problema de verificação. A investigação contra Pedro Paulo foi arquivada — sabemos por quê? Falta de provas? Acordo? E a acusação contra o irmão de Ruas — é confirmada ou é apenas uma contra-acusação? O debate não deixou essas coisas claras, e precisaríamos de fontes adicionais para entender o que realmente aconteceu.

  • Debate na TV Globo na terça-feira (29 de setembro) entre candidatos ao governo do Rio de Janeiro
  • Eduardo Paes (PSD) não divulga apoio de Lula; Douglas Ruas (PL) cita Flávio Bolsonaro constantemente
  • Paes vincula Ruas a Cláudio Castro e a Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj preso
  • Investigação contra Pedro Paulo (aliado de Paes) foi arquivada; Paes acusa irmão de Ruas de agressão

Eduardo Paes (PSD) foi cobrado por não divulgar apoio de Lula, enquanto Douglas Ruas (PL) citava Flávio Bolsonaro constantemente para atrair eleitores bolsonaristas. Paes vinculou Ruas ao ex-governador desgastado Cláudio Castro e ao ex-presidente da Alerj preso por ligações com crime organizado, questionando credibilidade do rival.

Candidatos ao governo do Rio de Janeiro debateram na TV Globo com ênfase em vínculos com Lula, Flávio Bolsonaro e Cláudio Castro. Paes evita apoio petista enquanto Ruas busca votos bolsonaristas.

Na terça-feira à noite, os candidatos ao governo do Rio de Janeiro se enfrentaram em um debate transmitido pela TV Globo que funcionou menos como um confronto de ideias e mais como um espelho das alianças presidenciais que definem a política fluminense neste momento. O vínculo com o presidente Lula, com o senador Flávio Bolsonaro e com o ex-governador Cláudio Castro — todos figuras de peso nacional ou estadual — dominou cada troca de acusações, cada tentativa de se posicionar.

Eduardo Paes, ex-prefeito do Rio e candidato pelo PSD, chegou ao debate em uma posição incômoda. Ele tem o apoio de Lula, mas escolheu não publicizá-lo, uma estratégia que o deixou vulnerável. Douglas Ruas, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e candidato pelo PL, não perdeu a oportunidade. Citou Flávio Bolsonaro duas vezes já na sua primeira fala, enquanto questionava Paes sobre promessas antigas de transporte e sobre a linha 3 do metrô que ligaria São Gonçalo ao centro da cidade. "Sei que ele não gosta do Flávio Bolsonaro, mas nessas horas é preciso deixar a política de lado para pensar nas pessoas", disse Ruas — uma frase que funcionava simultaneamente como crítica a Paes e como ponte para os eleitores bolsonaristas que Ruas esperava conquistar.

A resposta de Paes foi direta e pesada. Descreveu Ruas como o "reserva do Rodrigo Bacellar", referência ao ex-presidente da Assembleia preso sob acusação de vazar informações de uma operação policial. Paes conectou Ruas tanto a Bacellar quanto a Cláudio Castro, sugerindo que seu rival era apenas uma continuação de administrações desgastadas. Quando o vereador William Siri, do PSOL, chamou Flávio de "miliciano bandido que quer ser presidente", Ruas defendeu o senador e criticou Siri por se igualar à "velha política" — uma manobra que tentava reivindicar a renovação enquanto se apoiava em uma figura presidencial.

O debate revelou as estratégias que ambos os candidatos principais vêm usando desde agosto, quando a campanha começou. Paes tenta vincular Ruas ao desgastado Castro e ao sistema político tradicional. Ruas, por sua vez, quer se apresentar como o representante de Flávio no estado, apostando que a maioria dos eleitores fluminenses pretende votar no senador para presidente. Quando Siri declarou orgulho em apoiar Lula, Ruas aproveitou para cobrar Paes: "Que bom que você assume o Lula. Mas tem gente que recebe o Lula e nem posta na rede social. O Eduardo Paes tem o Lula e cisma em esconder". Paes respondeu que não pretendia terceirizar a responsabilidade sobre seu governo, recusando o enquadramento de que suas políticas dependessem de apoios presidenciais.

Outros candidatos também entraram na disputa. André Marinho, do Novo, cobrou Paes por suas mudanças de posicionamento político ao longo dos anos, lembrando que o ex-prefeito havia buscado apoio de Jair Bolsonaro em 2018 quando disputou o governo estadual contra Wilson Witzel. Anthony Garotinho, pelo Republicanos, atacou tanto Ruas quanto Paes — chamou a Assembleia Legislativa de "superintendência do crime organizado" e "a maior quadrilha do Rio de Janeiro", e mencionou aliados de Paes citados em uma lista apreendida com o bicheiro Adilson Coutinho Oliveira Filho. Marinho, por sua vez, chamou Garotinho de "fiscal retroativo do estado" e "Léo Dias da política".

Um dos momentos de maior tensão ocorreu quando Ruas mencionou uma investigação arquivada contra o deputado Pedro Paulo, candidato ao Senado e aliado de Paes, sob suspeita de agressão à ex-mulher. De dedo em riste, Ruas questionou a inclusão do aliado na chapa: "Não basta fazer discurso. É importante que dê o exemplo. Você apresentou como capitão do seu time o Pedro Paulo, um agressor de mulheres". O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, chamou Ruas de mentiroso da plateia. Paes respondeu que o inquérito havia sido arquivado e acusou o irmão de Ruas de agredir a mulher — uma contra-acusação que elevou o tom do confronto pessoal.

O debate não resolveu nenhuma questão substantiva sobre como governar o Rio de Janeiro. Em vez disso, funcionou como um mapa das alianças presidenciais que estruturam a política estadual: Paes tentando se distanciar de Lula enquanto o mantém como apoio silencioso, Ruas tentando se apropriar do voto bolsonarista através de Flávio, e ambos disputando a narrativa sobre quem realmente representa a mudança e quem está preso ao passado desgastado de Castro e Bacellar. O que ficou claro é que nenhum deles consegue escapar da sombra de Brasília.

Sei que ele não gosta do Flávio Bolsonaro, mas nessas horas é preciso deixar a política de lado para pensar nas pessoas
— Douglas Ruas, durante o debate
Por que não fico com esse papo deles de Bolsonaro, de Lula? Porque aqui tem um governador que quer cuidar do Rio de Janeiro
— Eduardo Paes, respondendo a críticas sobre suas alianças
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