Ricardo Salles encerra sua corrida ao Senado sem um porto seguro à vista: sem mandato a partir de 2027, sem o abrigo da prefeitura de São Paulo e com uma promessa de cargo estadual que existe mais como rumor do que como certeza. O episódio revela como, na política, a lealdade entre aliados de uma mesma constelação pode ser superficial — Nunes e Salles orbitam Tarcísio de Freitas, mas guardam entre si uma desavença que nenhuma aliança maior conseguiu apagar. O que resta a Salles é o que sobra a muitos políticos em transição: a espera por uma janela que ainda não se abriu.
Aliados de Nunes descartam apoio a Salles para sucessão em 2028
Salles perde mandato e não tem respaldo de Nunes para o futuro
Por que Salles desistiu agora? Havia pressão de Nunes ou Tarcísio?
A reportagem não documenta uma pressão direta. O que se sabe é que Salles estava com apenas 4% nas pesquisas — um número que torna qualquer candidatura inviável. A desistência parece mais uma decisão racional diante dos números.
Mas a reportagem menciona que aliados de Salles falam sobre a Secretaria de Agricultura como compensação. Se não houve promessa, por que eles estariam falando isso? Parece haver algo não dito aqui.
E quanto ao apoio de Nunes para 2028? Por que ele descarta Salles tão explicitamente?
Porque eles são desafetos desde 2024. Quando Salles quis concorrer a prefeito, o PL escolheu apoiar Nunes em vez dele. Isso criou uma ferida que não cicatrizou.
Verdade, mas a reportagem não explica por que Nunes faria essa escolha em 2024. Havia razões políticas ou pessoais? Fica vago.
Então Salles fica sem mandato e sem perspectiva clara?
Sem mandato no Congresso, sim. Mas há essa possibilidade no governo estadual se Tarcísio vencer. Não é nada, mas também não é garantido.
E se Tarcísio não for reeleito? A reportagem não toca nisso. Qual é o plano B de Salles?
Quem ganha com a saída dele da corrida ao Senado?
André do Prado e Guilherme Derrite, principalmente. Eles estavam empatados com 12% cada. O eleitorado de Salles provavelmente migra para um deles.
Provavelmente, mas não sabemos para quem. A reportagem não oferece dados sobre o perfil do eleitor de Salles ou para onde ele tende a ir.
El Pulso
- Salles abandona a disputa senatorial com apenas 4% nas pesquisas, liberando seu eleitorado para André do Prado e Guilherme Derrite, que já disputavam palmo a palmo o espaço da direita.
- O prefeito Nunes fecha as portas da prefeitura para Salles — nem secretaria, nem apoio em 2028 — tornando explícita uma frieza que vinha desde 2024.
- A desavença entre os dois remonta ao momento em que o PL forçou Salles a recuar de uma candidatura à prefeitura para não atrapalhar a reeleição de Nunes, deixando uma ferida que não cicatrizou.
- Aliados de Tarcísio acenam com a Secretaria de Agricultura como compensação, mas interlocutores do governador negam qualquer promessa formal, mantendo Salles em uma zona de incerteza.
- Sem mandato federal, sem espaço municipal e com um cargo estadual apenas no horizonte do possível, Salles atravessa o momento político mais indefinido de sua trajetória recente.
Ricardo Salles encerra sua corrida ao Senado sem um porto seguro à vista: sem mandato a partir de 2027, sem o abrigo da prefeitura de São Paulo e com uma promessa de cargo estadual que existe mais como rumor do que como certeza. O episódio revela como, na política, a lealdade entre aliados de uma mesma constelação pode ser superficial — Nunes e Salles orbitam Tarcísio de Freitas, mas guardam entre si uma desavença que nenhuma aliança maior conseguiu apagar. O que resta a Salles é o que sobra a muitos políticos em transição: a espera por uma janela que ainda não se abriu.
Ricardo Salles anunciou na segunda-feira sua desistência da corrida ao Senado, deixando em aberto o próximo capítulo de sua vida política. Deputado federal pelo Novo, ele perderá seu mandato em 2027 — e agora enfrenta um cenário em que as portas mais importantes da política paulistana estão fechadas para ele.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) deixou claro que não oferecerá a Salles nem uma secretaria em sua gestão nem apoio para a sucessão municipal em 2028. A frieza entre os dois tem raízes em 2024, quando Salles cogitou disputar a prefeitura, mas seu partido à época, o PL, optou por apoiar a reeleição de Nunes, forçando-o a recuar. Apesar de ambos orbitarem Tarcísio de Freitas (Republicanos), a desavença nunca foi superada.
Nas pesquisas, Salles marcava apenas 4% das intenções de voto para o Senado, muito atrás de Marina Silva (15%), Simone Tebet (14%) e do empate técnico entre André do Prado e Guilherme Derrite (12% cada). Sua saída tende a beneficiar justamente esses dois últimos, que disputam o mesmo eleitorado de direita.
Aliados do governador apontam a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado como uma possível compensação pela desistência. Mas interlocutores de Tarcísio negam qualquer promessa formal, deixando essa perspectiva no campo da expectativa, não da certeza. Salles resolve uma questão imediata ao sair da corrida, mas abre outras mais incertas sobre onde se posicionará nos próximos anos.
Ricardo Salles anunciou na segunda-feira sua desistência da corrida ao Senado, um movimento que deixa em aberto o próximo capítulo de sua trajetória política. Deputado federal pelo Novo, ele perderá seu mandato no ano que vem — e agora enfrenta um cenário onde as portas da prefeitura de São Paulo, pelo menos as que importam, estão fechadas para ele.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) deixou claro que não oferecerá a Salles nem uma secretaria em sua gestão atual nem apoio para uma eventual candidatura à sucessão em 2028. A decisão marca um ponto final em uma relação que nunca foi de proximidade. Embora ambos sejam aliados de Tarcísio de Freitas (Republicanos), Nunes e Salles carregam uma desavença que remonta a 2024, quando o ex-ministro do Meio Ambiente de Jair Bolsonaro considerou concorrer à prefeitura. Naquela ocasião, seu partido à época, o PL, optou por apoiar a reeleição de Nunes, forçando Salles a recuar.
A retirada de Salles da disputa senatorial libera seu eleitorado para outras candidaturas. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira anterior mostrava Salles com apenas 4% das intenções de voto, bem atrás dos principais concorrentes. Marina Silva (Rede) liderava com 15%, seguida por Simone Tebet (PSB) com 14%, enquanto André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) empatavam tecnicamente em 12% cada. Com Salles fora da corrida, esses dois últimos tendem a absorver boa parte de seu apoio.
O futuro de Salles, segundo pessoas próximas ao governador Tarcísio, pode passar pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, caso o governador seja reeleito. Aliados do ex-ministro apontam essa possibilidade como uma compensação natural por sua saída da disputa. Porém, interlocutores de Tarcísio negam que tenha havido qualquer promessa formal de cargo em troca da desistência — uma negação que deixa em suspenso se o arranjo é de fato certo ou apenas uma expectativa.
O que fica claro é que Salles, apesar de sua experiência como ministro e sua base eleitoral, encontra-se em um momento de transição sem garantias. Perdeu o mandato que o mantinha relevante no Congresso, não tem respaldo do prefeito para avançar na política municipal, e sua eventual colocação no governo estadual permanece na categoria do possível, não do confirmado. Sua saída da corrida senatorial resolve uma questão imediata, mas abre outras mais incertas sobre onde ele se posicionará nos próximos anos.
Citas Notables
Aliados de Salles dizem que ele poderá ser contemplado com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, caso Tarcísio seja reeleito— Pessoas próximas ao governador Tarcísio de Freitas
Pessoas próximas ao governador afirmam que não houve promessa de cargo em troca da retirada da candidatura— Interlocutores de Tarcísio de Freitas