Félix Lebrun, 19 anos, derrotou Hugo Calderano no individual olímpico e conquistou dois bronzes, tornando-se o atleta mais jovem da história do tênis de mesa a medalhar. Os Lebrun viraram fenômeno na França pós-Olimpíadas, com convites publicitários, encontros com Macron e até gibi sobre sua trajetória; são conhecidos pelo temperamento fervoroso nas competições.
Alexis Lebrun chega ao Brasil para WTT e reconhece dificuldade de vencer Calderano
Nenhum momento de raiva deve pôr meu corpo em perigo
Por que os Lebrun se tornaram tão famosos na França de repente, quando o tênis de mesa nunca havia sido um esporte de massa lá?
Porque foram os primeiros a trazer medalhas olímpicas para a França nessa modalidade. Félix com 17 anos, o mais jovem da história. Isso não é apenas um resultado — é uma quebra de barreira geracional. A França inteira viu isso acontecer em tempo real.
E esse temperamento que você mencionou — é realmente um problema ou faz parte da identidade deles como atletas?
É ambos. Alexis aprendeu isso da forma mais dura possível quando socou a mesa e se lesionou. Félix ainda está descobrindo o equilíbrio. O temperamento os torna agressivos e criativos, mas também os coloca em risco.
Calderano é realmente tão superior a Alexis quanto o histórico sugere?
Não é superioridade pura. Alexis nunca venceu Calderano em cinco partidas oficiais, mas isso não significa que seja um abismo. Significa que Calderano sabe como jogar contra ele, conhece seus padrões. Alexis está em ascensão, Calderano em queda. Essas coisas mudam.
O que torna este torneio em São José especial para Alexis?
É uma chance de provar que pode vencer em casa de um rival que o domina. E de mostrar ao Brasil que o tênis de mesa francês não é apenas Félix. Alexis é um showman — defesas impossíveis, contra-ataques que saem do nada. Os brasileiros vão querer ver isso.
Você acha que Alexis sairá do Brasil famoso como Vinicius Jr.?
Não. Mas pode surpreender muita gente. A torcida brasileira respeita talento, e Alexis tem talento. Se jogar bem, eles vão reconhecer isso.
Le Pouls
- Félix Lebrun, 19 anos, conquistou dois bronzes em Paris-2024, tornando-se o atleta mais jovem da história do tênis de mesa a medalhar
- Alexis Lebrun, 22 anos, está no Brasil para o torneio WTT em São José dos Campos, atualmente na posição 11 do ranking mundial
- Em cinco partidas oficiais contra Calderano, Alexis nunca venceu o brasileiro
- Os Lebrun foram colocados como a 39ª personalidade mais conhecida da França em pesquisa de dezembro, logo atrás de Mbappé
Félix Lebrun, 19 anos, derrotou Hugo Calderano no individual olímpico e conquistou dois bronzes, tornando-se o atleta mais jovem da história do tênis de mesa a medalhar. Os Lebrun viraram fenômeno na França pós-Olimpíadas, com convites publicitários, encontros com Macron e até gibi sobre sua trajetória; são conhecidos pelo temperamento fervoroso nas competições.
Os irmãos franceses Félix e Alexis Lebrun, medalhistas olímpicos em Paris-2024, ganham destaque internacional. Alexis disputa torneio WTT em São José dos Campos contra rivais como Hugo Calderano.
Durante a transmissão de Roland Garros, a câmera capturou dois rapazes na arquibancada e o narrador brasileiro hesitou antes de identificá-los: Félix e Alexis Lebrun, irmãos franceses que trouxeram para casa as primeiras medalhas olímpicas do tênis de mesa francês em Paris-2024. Para quem não segue a modalidade de perto, os nomes significavam pouco. Mas na França, especialmente após aqueles Jogos, viraram fenômeno nacional.
Félix, com apenas 19 anos, conquistou dois bronzes em Paris. Um deles veio no individual masculino, onde superou Hugo Calderano — feito que o tornou o atleta mais jovem da história do esporte a medalhar, aos 17 anos. Seu irmão Alexis, 22, caiu justamente na chave de simples contra o brasileiro, mas foi peça fundamental para que a França conquistasse sua primeira medalha por equipes em Olimpíadas. Os resultados abriram portas: convites para campanhas publicitárias de carros e bancos, encontros com o presidente Emmanuel Macron, até um gibi contando a história da dupla. Tudo isso porque são filhos e sobrinhos de ex-mesa-tenistas profissionais que transformaram o legado familiar em ouro olímpico.
No Brasil, Félix ficou conhecido principalmente como "o francês que derrotou Calderano". A atenção que o tênis de mesa recebeu aqui, alimentada pelas performances históricas do brasileiro, fez com que nomes como o de Félix aparecessem com frequência nas transmissões do SporTV e da crescente CazéTV. Quando questionado sobre aquela partida decisiva, Félix reconheceu a dificuldade que representou para os brasileiros, mas afirmou estar orgulhoso do que conquistou. Ele e Calderano treinam juntos ocasionalmente e conversam em francês — nos oito duelos entre eles, o francês venceu cinco.
Os Lebrun são tão famosos pelo temperamento quanto pelos resultados. Ambos reagem com fervor aos próprios erros, acumulando cartões amarelos por comportamentos exuberantes na mesa. Félix descreve isso como uma faca de dois gumes: o mesmo impulso que o leva a jogar em seu melhor nível também provoca imprecisões. Alexis viveu um episódio extremo quando, após perder a final do campeonato francês para o irmão, socou a mesa e lesionou a mão, afastando-se do Mundial de 2025. Ele reconheceu que aquele momento o marcou profundamente e que aprendeu que nenhuma explosão de raiva deveria colocar seu corpo em risco, embora mantenha seu temperamento forte.
Agora, aos 22 anos e na posição 11 do ranking mundial, Alexis está no Brasil para disputar o torneio WTT em São José dos Campos, cuja chave principal começou nesta quinta-feira. Seu histórico recente é misto: no início do mês, dominou o chinês Lin Shidong no US Smash, um dos Grand Slams da modalidade, mas foi eliminado na partida seguinte após abrir vantagem de 2 a 0 — o adversário era Félix, hoje número 4 do mundo. Nos 11 confrontos entre os irmãos, Alexis já foi mais forte e completo, mas nos últimos seis jogos venceu apenas um, evidenciando a ascensão meteórica de Félix.
Contra Calderano, o histórico de Alexis é ainda mais desafiador. Em cinco partidas oficiais, nunca venceu o brasileiro. Quando esteve no Rio em 2022 para um amistoso, o francês se recordou da força da torcida local, que criou uma "atmosfera maluca" mesmo em um evento de exibição. Naquela época, Calderano surgia no cenário internacional e Alexis fez um bom confronto contra ele — mas perdeu.
Em São José dos Campos, o torneio reunirá mais peso do que o usual. Além de Calderano, Alexis pode enfrentar o japonês Shunsuke Togami (14º), o esloveno Darko Jorgic (16º) e os alemães Benedikt Duda (17º) e Patrick Franziska (19º), todos entre os vinte melhores do mundo. Calderano é o grande favorito, em parte porque joga em casa. Sua fase recente foi instável, com quedas consecutivas em torneios, e ele caiu da quinta posição para a oitava no ranking. A torcida local pode ser seu combustível para a recuperação. Ele também disputará as duplas mistas com Bruna Takahashi, sua namorada, que celebra o apoio que receberá. "Parece que tem um batalhão comigo", disse ela.
Mas a torcida em São José terá também a oportunidade de ver Alexis de perto — um showman conhecido por defesas improváveis longe da mesa e contra-ataques agressivos quando o adversário menos espera. Em dezembro, uma pesquisa da TF1, o canal mais popular da França, colocou os Lebrun como a 39ª personalidade mais conhecida do país, logo atrás de Mbappé. Ninguém espera que Alexis saia do Brasil tão conhecido quanto Vinicius Jr., mas ele tem potencial para surpreender.
Citations marquantes
Sei que foi difícil para os brasileiros, mas joguei o meu melhor e tenho orgulho do que conquistei— Félix Lebrun, sobre sua vitória contra Calderano no individual olímpico
Recebo uma energia muito positiva da torcida, e isso ajuda nos momentos mais difíceis dos jogos— Hugo Calderano, sobre o apoio local em São José dos Campos