Aos 34 anos, o francês Alexis Guérin cruzou a meta da Volta a Portugal carregando consigo uma época inteira de sacrifício, a memória de um colega perdido e o amor por um país que se tornou o seu. A vitória, a 25.ª da carreira, é o retrato de um homem que soube transformar obsessão em propósito — e que, mesmo no auge do triunfo, reservou espaço para a gratidão e para o luto.
Alexis Guérin vence Volta a Portugal e sonha dar pontapé de saída no F.C. Porto
Ainda não acredito, é mágico
O que significa para um ciclista de 34 anos ganhar a Volta a Portugal nesta fase da carreira?
Para Guérin, não era apenas uma vitória desportiva. Era o culminar de uma obsessão que tinha estruturado todo o seu ano. Ele tinha deixado tudo em pista — a equipa inteira tinha trabalhado para este momento. Aos 34 anos, com família em Portugal, isto era pessoal.
Porque é que o pontapé de saída no F.C. Porto é tão importante para ele?
Porque é um sonho diferente. A Volta era o objetivo profissional, a razão pela qual ele tinha vindo para Portugal. Mas o F.C. Porto é algo que transcende o ciclismo. É uma forma de estar ligado ao país, à cultura, ao lugar onde a sua família vive.
Como é que a morte de Fin Tarling mudou o significado da vitória?
Não mudou a vitória em si, mas deu-lhe uma dimensão diferente. Guérin podia ter celebrado sozinho, mas escolheu dedicar tudo a Tarling e à sua família. Foram dias difíceis, como ele disse. A prova continuou, mas o luto estava ali.
Ele parecia estar em choque quando falou?
Completamente. Disse que ainda não acreditava, que era mágico. Tinha passado meses a preparar-se, a trabalhar, a estar stressado, e quando finalmente aconteceu, a realidade não tinha ainda chegado. Precisava de tempo para processar.
O que vem a seguir para ele?
Descanso, chocolate, tempo com o filho. Mas também uma mudança de mentalidade — de alguém que corre para ganhar para alguém que corre para ajudar os colegas. E, se tiver sorte, um dia no Dragão.
Der Puls
- Guérin apostou toda a sua época numa única prova, carregando o peso de uma equipa que trabalhou 'a 200%' exclusivamente para ele.
- A morte de Fin Tarling num acidente em Ponte de Lima lançou uma sombra sobre a competição, tornando cada etapa mais do que uma disputa desportiva.
- No momento da vitória, o ciclista dedicou o triunfo ao colega falecido e à sua família, recusando celebrar sem reconhecer o luto coletivo.
- Com a Volta conquistada, Guérin já olha para um novo propósito: ajudar os colegas de equipa a vencer e realizar o seu 'último sonho' pessoal.
- Esse sonho tem nome e endereço: dar o pontapé de saída num jogo do F.C. Porto, um pedido que o francês lançou publicamente com esperança e humildade.
Aos 34 anos, o francês Alexis Guérin cruzou a meta da Volta a Portugal carregando consigo uma época inteira de sacrifício, a memória de um colega perdido e o amor por um país que se tornou o seu. A vitória, a 25.ª da carreira, é o retrato de um homem que soube transformar obsessão em propósito — e que, mesmo no auge do triunfo, reservou espaço para a gratidão e para o luto.
Alexis Guérin chegou à meta da Volta a Portugal aos 34 anos e ainda não conseguia acreditar. O ciclista francês, natural de Libourne mas profundamente ligado a Portugal — casado com uma portuguesa, pai de dois filhos —, conquistou a maior prova do ciclismo nacional, o seu 25.º triunfo em carreira, depois de ter canalizado toda a sua época para este único objetivo. A equipa Anicolor-Campicarn trabalhou exclusivamente para ele, e a pressão acumulada era visível: "Estava muito stressado esta manhã. Todos me felicitavam, mas queria cruzar a meta para acreditar. E ainda não acredito, é mágico."
A vitória, porém, chegou marcada pela dor. Durante a prova, Fin Tarling, ciclista da equipa NSN, morreu num acidente em Ponte de Lima. Guérin não deixou que o momento de celebração apagasse esse peso: "Quero dedicar esta vitória ao Fin Tarling, a toda a sua família, ao seu irmão Joshua. Foram dias difíceis e trouxe-os no coração."
Com o grande sonho realizado, o francês já traça novos horizontes. Quer ajudar os colegas de equipa a vencer e alimenta um desejo mais pessoal: dar o pontapé de saída num jogo do F.C. Porto. "Não sei se é possível. Espero que o F.C. Porto me entenda", disse, com a mesma determinação tranquila que o trouxe até ao topo da Volta.
Alexis Guérin cruzou a meta da Volta a Portugal aos 34 anos e ainda não conseguia acreditar no que tinha feito. O ciclista francês, natural de Libourne, conquistou a maior prova do ciclismo português — o seu 25.º triunfo em carreira — e nos momentos imediatamente a seguir, enquanto recebia as felicitações, revelou um desejo que o perseguia: dar o pontapé de saída num jogo do F.C. Porto.
Guérin tinha transformado esta edição da Volta numa obsessão pessoal e coletiva. Toda a sua época, toda a preparação, toda a energia da equipa Anicolor-Campicarn tinha sido canalizada para este objetivo. Casado com uma portuguesa, pai de um filho de cinco anos e de uma filha com alguns meses, o francês tinha colocado o seu ano desportivo nas mãos desta prova. "Baseei a minha época na Volta a Portugal. Toda a equipa trabalhou a 200% para mim e estava muito stressado esta manhã", explicou, ainda inebriado pela adrenalina e pelos aplausos. "Todos me felicitavam, mas queria cruzar a meta para acreditar. E ainda não acredito, é mágico."
Antes de chegar a este momento, Guérin tinha acumulado sucessos significativos — venceu os Grandes Prémios das Beiras e Torres Vedras, conquistou etapas no Sibiu Tour e no Coppi e Bartali ao serviço de Vorarlberg e Bingoal. Mas nada se comparava ao que tinha acabado de alcançar. A Volta a Portugal era o seu grande sonho, e agora que o tinha realizado, um novo desejo tomava forma: "Não sei se é possível. Espero que o F.C. Porto me entenda."
Nos momentos de celebração, porém, Guérin não esqueceu o peso dos dias que tinha vivido. Durante a prova, Fin Tarling, um ciclista da equipa NSN, sofreu um acidente mortal em Ponte de Lima. A morte do colega tinha marcado toda a competição, e Guérin quis deixar clara a sua solidariedade. "Quero dedicar esta vitória ao Fin Tarling, a toda a sua família, ao seu irmão Joshua, a toda a NSN. Foram dias difíceis e não quero imaginar o que eles estão a passar. Trouxe-os no coração e no pensamento."
Quanto aos planos imediatos, Guérin era simples nos seus desejos. "Vou comer dois quilos de chocolate. Não sou muito de álcool, prefiro um bom vinho ou um cognac — deram-me uma garrafa — e depois descansar e ficar tranquilo com o meu filho." Mas o seu horizonte já se estendia para além da celebração. Com a Volta conquistada, o seu novo objetivo era claro: "Quero ajudar os meus colegas a ganhar." O francês que tinha chegado a Portugal com uma obsessão agora olhava para o futuro com uma nova meta, e com a esperança de que um dia, talvez em breve, pudesse estar no centro do estádio do F.C. Porto a dar o primeiro toque de bola.
Bemerkenswerte Zitate
Baseei a minha época na Volta a Portugal. Toda a equipa trabalhou a 200% para mim— Alexis Guérin
Quero dedicar esta vitória ao Fin Tarling, a toda a sua família, ao seu irmão Joshua, a toda a NSN— Alexis Guérin