Alexandre Nero revela que parou com drogas após nascimento dos filhos

Sou um ex-gordo que, se bobear, engorda muito
Nero reflete sobre sua relação com a própria imagem e o corpo, reconhecendo que a transformação física é contínua.
Mark

Quando você diz que parou com drogas após o nascimento dos filhos, foi uma decisão consciente ou algo que aconteceu naturalmente?

Mimi

Acho que foi os dois. Havia uma decisão consciente, mas também uma transformação que só fazia sentido porque eu tinha alguém dependendo de mim. Não era mais sobre mim.

Mark

E a paciência que você menciona — como se relaciona com o trabalho de ator, que exige tanto controle emocional?

Mimi

Exatamente. Eu era explosivo em cena e fora dela. Aprendi que controle emocional não é repressão, é conhecimento. A análise me ajudou a ver a diferença.

Mark

Você fala sobre perder os pais cedo como um bloqueio. Seus filhos sabem disso?

Mimi

Eles são pequenos ainda. Mas sim, eles vão saber. Porque agora eu estou aqui, presente, de uma forma que eu não estava antes. Isso é o que importa.

Mark

A música "A Partícula" é uma forma de processar tudo isso?

Mimi

É uma forma de celebrar. De dizer: vocês mudaram minha vida. Não é sobre mim, é sobre eles.

Mark

E quanto à imagem física — você sente que ainda carrega o peso daquele adolescente gordo?

Mimi

Sempre. Mas agora entendo que aquele menino era eu também. Não é sobre apagar, é sobre integrar.

  • Nero admite ter vivido anos consumindo drogas lícitas e ilícitas, descrevendo-se como 'explosivo' e sem paciência — um retrato de si mesmo que o incomodava, mas que só mudou com a chegada dos filhos.
  • A paternidade expôs limitações físicas concretas: ele não conseguia segurar o filho no colo por muito tempo, agachar para brincar ou jogar futebol em campo inteiro — realidades que o forçaram a agir.
  • A transformação foi ampla: abstinência total, exercícios regulares, atenção à alimentação, análise psicológica e leituras sobre pedagogia — tudo mobilizado para ser o pai que seus filhos mereciam.
  • Por baixo da mudança visível, há uma ferida antiga: a perda precoce dos pais criou um bloqueio emocional que o impedia de se vincular profundamente, algo que ele agora enfrenta na terapia.
  • Como celebração dessa nova fase, Nero lança 'A Partícula', música dedicada aos filhos e segundo single de um álbum previsto para abril — arte como registro de quem ele se tornou.

Há transformações que não nascem da vontade solitária, mas do olhar de quem depende de nós. Alexandre Nero, ator brasileiro de 52 anos, revelou que foi a chegada dos filhos Noá e Inã que o fez abandonar o uso de drogas lícitas e ilícitas e iniciar uma reconstrução profunda de si mesmo — corpo, mente e história emocional. O que começou como uma decisão de paternidade tornou-se uma jornada de confronto com perdas antigas e com a própria mortalidade.

Alexandre Nero tinha 52 anos e uma vida que, por fora, parecia consolidada. Por dentro, carregava décadas de uso de drogas lícitas e ilícitas e uma impaciência consigo mesmo que ele próprio reconhecia como explosiva. Foi o nascimento dos filhos — Noá, hoje com 6 anos, e Inã, com 3 — que funcionou como ponto de inflexão. Em entrevista ao O Globo, o ator revelou que desde que se tornou pai decidiu abandonar completamente qualquer substância e começar, de verdade, a trabalhar a si mesmo.

A mudança foi estrutural. Nero passou a malhar com regularidade, cuidar da alimentação e iniciar uma análise psicológica que, segundo ele, nunca havia levado a sério antes. Mergulhou também em leituras sobre pedagogia, consciente de que lhe faltava paciência com crianças. Mas foi o corpo que mais o surpreendeu: ele não conseguia segurar o filho no colo por muito tempo, agachar para brincar no chão ou jogar futebol em campo inteiro. Essas limitações práticas o motivaram a se cuidar — não por vaidade, mas por necessidade. Com humor, admitiu que hoje consegue apenas o meio-campo.

Há, porém, uma camada mais funda nessa história. Nero perdeu os pais muito cedo, e esse luto deixou marcas que o bloquearam emocionalmente por anos. Ele evitava vínculos profundos porque sabia, instintivamente, que todo laço eterno carrega a sombra da perda. 'Sempre pensei que ia morrer a qualquer momento ou que as pessoas que eu amava iam morrer', confessou. É esse nó que ele tenta desatar na análise.

Como forma de celebrar quem se tornou, Nero lança 'A Partícula', música dedicada aos filhos Noá e Inã e segundo single do álbum 'Quarto, Suítes, Alguns Cômodos e Outros Nem Tanto', previsto para abril. Sobre a própria imagem, é reflexivo: se acha mais bonito do que nunca, mas guarda a memória de uma adolescência difícil — gordo, fora de lugar. Evita postar fotos antigas porque sabe que as comparações, mesmo bem-intencionadas, podem ser cruéis. 'Sou um ex-gordo que, se bobear, engorda muito', brincou, com a consciência de quem nunca esquece de onde veio.

Alexandre Nero, aos 52 anos, abriu-se sobre um capítulo que marcou sua vida: o uso de drogas, tanto lícitas quanto ilícitas, que perdurou até o nascimento de seus dois filhos. Noá, hoje com 6 anos, e Inã, com 3, foram o ponto de inflexão que o levou a uma transformação radical. Em conversa com O Globo, o ator revelou que desde que se tornou pai vem buscando "ser uma pessoa melhor", e essa jornada começou com uma decisão clara: abandonar completamente qualquer tipo de droga.

A mudança não se limitou apenas à abstinência. Nero passou a estruturar sua vida em torno de hábitos que o ajudassem a ser o pai que seus filhos mereciam. Começou a fazer exercício regularmente, passou a cuidar com mais atenção da alimentação e iniciou uma análise psicológica séria — algo que, segundo ele, nunca havia feito de verdade antes. Além disso, mergulhou em leituras sobre pedagogia, reconhecendo que era "um cara muito explosivo" e que lhe faltava paciência com crianças. A transformação foi tanto interna quanto externa.

Mas a paternidade também o confrontou com limitações físicas que o surpreenderam. Nero admitiu que sua condição anterior não lhe permitia fazer coisas simples que um pai deveria conseguir: segurar o filho no colo por tempo prolongado, agachar para brincar no chão, jogar futebol em campo inteiro. Essas impossibilidades o motivaram a malhar, não por vaidade, mas por necessidade prática. Com certo humor, confessou que agora consegue apenas o meio-campo. Profissionalmente e financeiramente, a estabilidade chegou como um bônus, mas foi a dimensão física que mais o desafiou.

Por trás dessa transformação há uma ferida mais profunda. Nero perdeu os pais muito cedo na vida, e esse luto precoce deixou marcas emocionais que o bloquearam durante anos. Ele não queria se envolver emocionalmente, porque a paternidade representa um laço eterno — e um laço eterno significa confrontar a certeza da morte. "Sempre pensei que ia morrer a qualquer momento ou que as pessoas que eu amava iam morrer", revelou. Essa angústia existencial é algo que ele agora trabalha na análise, tentando desatar nós que o prendiam há décadas.

Na mesma entrevista, Nero também falou sobre seu trabalho musical. Lançará na sexta-feira a música "A Partícula", que homenageia seus filhos Noá e Inã. É o segundo single do álbum "Quarto, Suítes, Alguns Cômodos e Outros Nem Tanto", que deve chegar ao público em abril. A música é uma forma de celebrar a paternidade que o transformou.

Quando o assunto é a própria imagem, Nero é reflexivo. Hoje se acha mais bonito do que nunca, mas carrega a memória de uma adolescência que o marcou negativamente — era gordo, sentia-se fora de lugar. Evita postar fotos antigas justamente porque sabe que as pessoas inevitavelmente farão comparações, comentando o quanto ele melhorou. Ele vê crueldade nesse tipo de observação, porque ninguém sabe como a pessoa lida com seu próprio passado. "Sou um ex-gordo que, se bobear, engorda muito", brincou, revelando que essa consciência nunca o abandona completamente.

Parei com todas as drogas lícitas ou ilícitas, faço exercício, cuido da alimentação, passei a fazer análise seriamente
— Alexandre Nero, em entrevista a O Globo
Sempre pensei que ia morrer a qualquer momento ou que as pessoas que eu amava iam morrer
— Alexandre Nero, sobre o bloqueio emocional relacionado à perda precoce dos pais
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